A Unigel, segunda maior petroquímica do país, paralisou as fábricas – plantas arrendadas da Petrobrás – de produção de ureia. Crise financeira e queda dos preços no mercado são justificativa que pode deixar o mercado com falta do produto.
A crise alegada pela Unigel, a segundo maior petroquímica do país, se dá pelos contratos de gás natural terem uma flexibilidade menor em comparação ao preço do nitrogenado no mercado internacional, que dispararam no primeiro ano da invasão russa na Ucrânia. E agora, com o recuo nos preços do fertilizante, e a perda de margem, buscam amparo no governo federal. A Unigel é a segunda maior petroquímica do país, está enfrentando problemas de ordem financeira e os bancos credores temem que a empresa possa pedir recuperação judicial.
Em abril, a Unigel iniciou uma parada programada na unidade de Sergipe, que perdurou além do prazo previsto de um mês. A companhia abriu em junho a negociação de um lay-off com sindicatos do estado. Este mês, a parada se deu na Bahia. A situação é crítica e pode gerar um desabastecimento do produto na agropecuária. Entenda abaixo!
Segundo o veículo, Destaque Notícias, em matéria publicada no dia 20 de maio de 2023, o diretor executivo de Compras da Unigel, Luiz Antonio Nitschke, afirmou que ainda é prematuro falar sobre fechamento da unidade fabril localizada no município sergipano de Laranjeiras. O executivo destacou que a Unigel de Sergipe está parada para manutenção e a empresa busca condições de retomar as atividades assim que possível.
“Estamos fazendo a manutenção de forma lenta, mas ela vai estar pronta a qualquer momento. Na hora que tiver o gás, a gente volta para a operação da planta”, ressaltou. De acordo com ele, é preciso encontrar soluções diferentes para promover o desenvolvimento da indústria de fertilizantes.
O grupo retomou sua produção de fertilizante em 2019, mesmo ano em que arrendou a fábrica da Petrobras em Laranjeiras, pelo período de 10 anos, que poderão ser prorrogados por mais 10. A unidade sergipana possui capacidade de produção anual de 650 mil toneladas de ureia, 450 mil toneladas de amônia e 320 mil toneladas de sulfato de amônio, tornando-se o maior produtor nacional de fertilizantes nitrogenados.
A notícia de contratação da Moelis e rumores de que a companhia também teria contratado o Felsberg Advogados, referência em processos de recuperação de empresas, aumentou a preocupação entre os credores. Também traz que com investimentos elevados para a expansão em curso, a Unigel está enfrentando os efeitos negativos do ciclo de baixa na petroquímica mundial e do descasamento entre preços da ureia e do gás natural.
E acrescenta que tem US$ 39 milhões em dívidas com vencimento neste ano. O grosso do endividamento, ou US$ 566 milhões, vence apenas em 2026, mas o serviço da dívida e a geração de caixa operacional negativa no primeiro trimestre (-US$ 23 milhões) pressionaram a liquidez.

Isso leva a críticas, em especial dos sindicatos preocupados com o efeito sobre os trabalhadores: a companhia atravessou um período de bonança, com alta rentabilidade – um deslocamento do preço do produto, em relação ao insumo.
Levantamento do Valor Econômico, inclusive, informa que depois de mandatar o Citi para buscar um sócio para seu projeto de hidrogênio verde, a petroquímica Unigel está contratando a Moelis & Company para assessorá-la em um processo de reestruturação financeira.
Devido a estes fatores, a empresa se “aproximou” da Petrobras com o objetivo de partilhar projetos em comum, de maneira a reforçar suas operações, com apoio da estatal, e evitar algum tipo de colapso. A Petrobras indicou em nota nesta sexta-feira que executivos da companhia se reuniram com representantes da Unigel Participações S.A., acrescentando que ambas “continuam explorando possibilidades de desenvolver negócios que tenham aderência ao Planejamento Estratégico” da petroleira.
Governo descarta subsídio para retomada de plantas sob controle da Unigel
A Petrobras deverá retomar o projeto de fertilizantes nitrogenados de Três Lagoas (MS), disse na quinta-feira o presidente da estatal, Jean Paul Prates. Na oportunidade, ele não mencionou a Unigel nem deu outros detalhes.
“Não é ordem de ninguém dar subsídio a empresa privada nesse sentido. Quem comprou ativos privatizados por outros governos têm que lidar com essa realidade, isso vale para vários ativos”, disse Prates, em coletiva de imprensa na tarde desta quinta (22/6).
Prates disse que as empresas voltaram a se reunir hoje para debater uma solução para o ativo. Questionado sobre a possibilidade de a Petrobras retomar as plantas, Prates foi evasivo. “Vamos ver”, respondeu. Na gestão passada, a petroleira tinha planos de sair do segmento de fertilizantes e o executivo reforçou o interesse em retomar as atividades na área.
Ele mencionou o interesse da companhia em continuar com as obras da unidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. “É viável, tem VPL positivo”. Ele citou também o interesse na retomada da unidade que opera a base de resíduo asfáltico, no Paraná – projeto que a companhia tentou vender, sem sucesso, na gestão passada.
Sobre a Unigel
A Unigel é a segunda maior petroquímica do país. A multinacional brasileira nasceu em 1966, pela mente inventiva dos engenheiros químicos e fundadores Henri Slezynger e Edgardo Menghini, que, com um espírito empreendedor, ampliaram os negócios da companhia por meio de aquisições, incorporações e fusões.
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