O ministro dos Transportes, Renan Filho, apresentou o Plano Nacional de Ferrovias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (15) e afirmou que o lançamento oficial deve ocorrer em fevereiro.
O Plano Nacional de Ferrovias, que está em fase final de ajustes para ser anunciado, promete revolucionar a infraestrutura ferroviária brasileira ao prever a concessão de cinco grandes projetos à iniciativa privada. A iniciativa busca ampliar a malha ferroviária em quase 5 mil quilômetros, com um investimento estimado de R$ 100 bilhões, dos quais a União se compromete a bancar entre 20% e 30%, dependendo de cada projeto, para garantir sua viabilidade econômica.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, apresentou o plano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (15) e afirmou que o lançamento oficial deve ocorrer em fevereiro. Segundo o ministro, a expectativa é criar um cronograma detalhado, com leilões programados por semestre, garantindo previsibilidade para os investidores.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, publicou, nas suas redes sociais, que o Plano Nacional de Ferrovias está praticamente “pronto”. Segundo o ministro, a estratégia do governo federal é “aportar até 20% dos recursos, fortalecendo a confiança e atraindo capital privado”.
Os cinco grandes projetos ferroviários
- Corredor Leste-Oeste
- Cerca de 2.400 km de extensão, unindo a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico). A Fiol conecta Ilhéus (BA), com trechos em diferentes estágios de desenvolvimento. A Fico, executada pela Vale, será estendida até Lucas do Rio Verde (MT).
- Prolongamento da Ferrovia Norte-Sul
- Extensão de 477 km, levando a ferrovia de Açailândia (MA) ao Porto de Vila do Conde (PA), permitindo o escoamento de grãos e desafogando a Estrada de Ferro Carajás (EFC), atualmente priorizada para o transporte de minério pela Vale.
- Anel Ferroviário do Sudeste
- Com 300 km, conectará Vitória (ES) a Itaboraí (RJ), integrando a Estrada de Ferro Vitória-Minas à malha da MRS Logística.
- Transnordestina
- Com previsão de entrega para 2026 ou 2027, terá uma conexão com a Ferrovia Norte-Sul em Estreito (MA), adicionando 600 km de novos trilhos.
- Ferrogrão
- O projeto mais desafiador, com 933 km, ligando Sinop (MT) a Itaituba (PA). Enfrenta desafios ambientais e de engenharia, dependendo de uma conciliação no STF devido aos impactos em unidades de conservação.
Investimentos e desafios no Plano Nacional de Ferrovias
A União pretende utilizar recursos obtidos a partir da renegociação de concessões ferroviárias. Contratos prorrogados na gestão anterior foram reavaliados e resultaram em acordos com empresas como Rumo e MRS Logística, além de uma recente negociação com a Vale, que se comprometeu a investir até R$ 17 bilhões na ampliação da EFC e da EFVM.
Os desafios incluem a necessidade de investimentos iniciais elevados e o tempo para retorno financeiro, visto que as ferrovias não geram receita até que partes dos trilhos estejam operacionais.
Conexões estratégicas incluídas no Plano Nacional de Ferrovias e retomadas de obras
Uma das principais conexões previstas no plano é entre Eliseu Martins (PI) e Estreito (MA), consolidando o papel da Ferrovia Norte-Sul como espinha dorsal do transporte ferroviário nacional.
Outra novidade é a retomada das obras do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina, ligando Salgueiro a Suape (PE). Abandonado desde 2016, o trecho teve seus projetos atualizados pelo governo, com previsão de leilão para o segundo semestre deste ano.
Recuperação da malha sucateada
Por meio do Novo PAC, o governo também prevê a recuperação de ferrovias sucateadas no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, regiões anteriormente atendidas pela antiga Malha Nordeste.
O primeiro leilão previsto será da Ferrovia Leste-Oeste, ligando o Sul da Bahia ao Mato Grosso, um corredor estratégico para a soja brasileira. Já o Anel Ferroviário do Sudeste, que conectará diversos portos à malha da MRS Logística, deve ser uma das próximas concessões.
Com um plano estruturado e metas claras, o Plano Nacional de Ferrovias se apresenta como uma oportunidade para modernizar o transporte de cargas no Brasil, tornando-o mais competitivo e eficiente.
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