Pluma Agroavícola terá capacidade anunciada de 6 milhões de ovos férteis por mês em Yhú; projeto prevê 180 empregos diretos e amplia a estrutura para produção de carne de frango no país.
O Grupo Pluma Agroavícola, do Brasil, está construindo um complexo de reprodução avícola no Paraguai, com investimento anunciado de US$ 50 milhões. Localizado em Yhú, no departamento de Caaguazú, o empreendimento contempla uma área de 500 hectares, capacidade prevista de 6 milhões de ovos férteis por mês e geração inicial de 180 empregos diretos.
Os detalhes foram apresentados na sexta-feira, 9 de outubro, após um encontro de representantes da empresa com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e o ministro de Indústria e Comércio, Marco Riquelme. O investimento busca fortalecer uma etapa estratégica da cadeia de frangos: a produção das aves que abastecem as granjas de engorda. Segundo o ministério, os trabalhos de movimentação de solo e construção já começaram.
Ovos férteis abastecerão a produção de frangos
O complexo terá uma finalidade diferente das granjas que produzem ovos para alimentação. Os ovos férteis são destinados à incubação e ao nascimento de aves, que posteriormente seguem para a criação de frangos de corte.
Essa estrutura conecta reprodução, incubação, engorda e processamento industrial. Produzir localmente parte desse material pode reduzir a exposição da avicultura paraguaia à logística de importação e ampliar a previsibilidade de abastecimento das granjas.
O projeto também inclui uma fábrica de ração, aproximando a produção de grãos da cadeia de proteína animal. Riquelme mencionou o processamento de 3 mil toneladas de milho da região, mas o comunicado oficial não informa a periodicidade desse volume. O ministro classificou o empreendimento como o maior investimento da história de Yhú.
Primeiras aves estão previstas para abril de 2027
A expectativa é que o complexo receba as primeiras aves em abril de 2027, conforme informações atribuídas ao presidente do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal do Paraguai, José Carlos Martin.
O desenho apresentado prevê granjas de recria e produção de reprodutoras, além de fábrica de ração e incubatório. A chegada das primeiras aves representa uma etapa do cronograma: não significa que a capacidade máxima estará disponível imediatamente.
Martin estimou que a produção local poderá atender cerca de 90% da demanda paraguaia por ovos férteis e aves de um dia, mantendo alguma dependência externa. Essa avaliação é mais específica que a expectativa de abastecimento integral divulgada pelo Ministério de Indústria e Comércio.

Investimento integra uma cadeia voltada à exportação
A iniciativa já havia sido divulgada em maio de 2026, quando a previsão era de aproximadamente 200 empregos diretos. A apresentação de outubro atualiza esse número para 180 postos e confirma o avanço das obras.
Na divulgação inicial, o governo informou que o empreendimento envolveria outros participantes da cadeia, como Pollpar e JBS. A Pluma ficaria responsável pela produção de ovos férteis e aves para abastecer granjas de engorda, com posterior abate destinado à exportação.
“É mais um passo rumo à integração produtiva do Paraguai e à competitividade de nossas exportações”, afirmou o vice-ministro de Indústria, Javier Viveros, em declaração traduzida do espanhol.
Para os agricultores da região, a integração pode abrir oportunidades de fornecimento de milho e outros insumos. O efeito econômico dependerá, porém, do ritmo de implantação, dos contratos de compra e da expansão efetiva da produção.
Conhecimento brasileiro ganha presença regional
Fundado em 1999, em Dois Vizinhos, no Paraná, o Grupo Pluma começou com 12 mil galinhas destinadas à produção de ovos férteis. A empresa nasceu da parceria entre Lauri e Adriano Paludo e Mauri Mazurek, com a entrada posterior de Adroaldo Paludo. Hoje, atua na avicultura e no setor de alimentos, com presença internacional.
O investimento em Yhú amplia a presença regional de uma empresa brasileira em uma etapa essencial da produção de frangos. Para o Paraguai, o desafio será transformar a nova estrutura reprodutiva em uma cadeia competitiva, com oferta de grãos, controle sanitário, capacidade industrial e compradores.
A expansão da produção, por si só, não garante acesso a mercados internacionais. O avanço dependerá também de habilitações sanitárias e da abertura de destinos capazes de absorver os volumes adicionais — necessidade apontada pelo próprio presidente do serviço sanitário paraguaio.
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