Com R$ 115 milhões a receber e impacto da inadimplência no agro, rede de revendas de insumos busca reorganizar suas finanças para manter as operações, preservar empregos e seguir atendendo produtores rurais
A Justiça de Mato Grosso deferiu o pedido de recuperação judicial do Grupo Soyagro, rede de revendas de insumos agrícolas com atuação em Mato Grosso e no Pará. O processo tramita perante a 4ª Vara Cível de Sinop e tem como objetivo possibilitar a reorganização das obrigações da empresa e preservar a continuidade de suas atividades, diante de um cenário de aumento da inadimplência no setor, judicialização de recebíveis e elevação do custo do crédito.
De acordo com as informações apresentadas no processo, o grupo possui aproximadamente R$ 115 milhões em valores a receber de clientes, montante superior ao endividamento bancário declarado, estimado em mais de R$ 60 milhões.
Segundo a empresa, o descasamento entre os valores a receber e as obrigações com vencimento regular trouxe impactos ao fluxo de caixa. Para manter as operações, adquirir estoques, cumprir compromissos com fornecedores e continuar atendendo os produtores rurais durante as janelas de plantio, a companhia recorreu a linhas de crédito com custos financeiros elevados.
Nos últimos anos, conforme relatado no pedido de recuperação judicial, o grupo destinou mais de R$ 20 milhões anuais ao pagamento de juros, em razão da necessidade de financiamento do capital de giro.
Outro aspecto apresentado no processo é a existência de créditos da Soyagro vinculados a produtores rurais que também ingressaram com pedidos de recuperação judicial.
Atualmente, segundo os dados apresentados pela empresa, o grupo possui créditos em 14 processos de recuperação judicial movidos por clientes produtores rurais, que somam aproximadamente R$ 40 milhões.
Esse cenário fez com que parte dos valores referentes às vendas realizadas pela revenda permanecesse submetida aos respectivos processos de recuperação, enquanto as obrigações financeiras da Soyagro continuaram seguindo seus vencimentos. A situação contribuiu para aumentar a necessidade de reorganização do fluxo financeiro da companhia.
O grupo também aponta o cenário macroeconômico dos últimos anos como um dos fatores que influenciaram sua estrutura financeira. A elevação das taxas de juros aumentou o custo do crédito para empresas que dependem de capital para financiar suas operações.
No segmento de revenda de insumos agrícolas, que exige a manutenção de estoques e, em muitos casos, a concessão de prazo para pagamento pelos produtores, o equilíbrio entre recebimentos e obrigações financeiras é especialmente relevante.
Além disso, a Soyagro relata que manteve produtos disponíveis em estoque para garantir o atendimento aos produtores durante as janelas de plantio e preservar o abastecimento da atividade agrícola. Com as mudanças nas condições de mercado no período posterior à pandemia, parte desses produtos passou por redução de valor.
Os estoques excedentes chegaram a R$ 71 milhões em 2022, R$ 63 milhões em 2023 e R$ 33 milhões em 2024. Atualmente, a empresa informa manter aproximadamente R$ 10 milhões em produtos estocados.
Nesse contexto, a recuperação judicial foi apresentada pela empresa como uma medida de reorganização, com o objetivo de estabelecer um ambiente estruturado e transparente para a negociação com os credores, permitindo o planejamento das obrigações e a preservação das atividades empresariais.
O instrumento busca proporcionar condições para a continuidade da operação, a manutenção dos empregos e das relações comerciais, além de assegurar a continuidade do atendimento aos produtores rurais e do relacionamento com fornecedores.
Fundado em 2014, em Sorriso (MT), o Grupo Soyagro iniciou suas atividades com quatro colaboradores e, ao longo dos anos, expandiu sua atuação para uma rede de seis lojas, com presença em municípios estratégicos do norte de Mato Grosso e no Pará.
O grupo também desenvolve atividade rural desde 2019, em área arrendada no município de Alta Floresta.
A condução da reestruturação do Grupo Soyagro é realizada pelo Mestre Medeiros Advogados, que atua no processo de recuperação judicial na organização da estrutura de reestruturação e na construção de alternativas para a continuidade da atividade empresarial.
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