Hedgepoint: preços de soja e milho têm suporte na demanda; volatilidade persiste

A consultoria projeta para o Brasil safra de soja 2026/27 de 181,7 milhões de toneladas, em linha com a temporada anterior.

A demanda continua oferecendo suporte aos preços da soja e do milho, enquanto as incertezas sobre a produtividade norte-americana, o clima no Brasil, os conflitos geopolíticos e os fluxos comerciais devem manter a volatilidade elevada, diz a Hedgepoint Global Markets em relatório. Os preços também serão influenciados pelas relações entre Estados Unidos e China, pelos conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro, pelo petróleo, pelo câmbio e pela evolução do El Niño.

“O mercado entra no segundo semestre com fundamentos suficientemente fortes para sustentar preços, mas também com riscos suficientes para impedir uma leitura excessivamente otimista”, diz o coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Luiz Fernando G. Roque.

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A consultoria projeta para o Brasil safra de soja 2026/27 de 181,7 milhões de toneladas, em linha com a temporada anterior. Para o milho, a produção 2025/26 é estimada em 140,3 milhões de toneladas. “O cenário combina crescimento mais moderado da oferta de soja com avanço estrutural do consumo doméstico de milho para etanol”, destaca a consultoria.

Conforme o relatório, a projeção para a soja considera aumento de 0,9% na área plantada, abaixo do crescimento próximo de 3% estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Preços mais baixos, custos elevados e fertilizantes mais caros reduziram a rentabilidade do produtor e devem limitar uma expansão mais agressiva da área e os investimentos em tecnologia e insumos”, justifica. Conforme a Hedgepoint, a estimativa de 181,7 milhões de toneladas não considera eventual efeito negativo do El Niño. “As previsões são favoráveis ao plantio em setembro e outubro, mas, a partir de novembro, indicam possibilidade de menos chuvas no Centro-Norte e maior umidade no Sul.”

Quanto às exportações brasileiras de soja, a consultoria projeta um volume de 114 milhões de toneladas, cerca de 6 milhões acima do recorde anterior, de 108 milhões. “Nos Estados Unidos, a produção de soja permanece como um dos principais pontos de incerteza. O USDA estima cerca de 123 milhões de toneladas, enquanto a Pro Farmer aponta 124,4 milhões”, destaca.

No caso do milho, o consumo brasileiro para etanol deve crescer cerca de 5,5 milhões de toneladas e pode se aproximar de 29 milhões com o E32, diz a Hedgepoint. As exportações brasileiras de milho são estimadas em 41 milhões de toneladas, estáveis em relação à temporada anterior.

Ainda de acordo com a consultoria, a safra argentina de milho é estimada em 63 milhões de toneladas pelo USDA, enquanto projeções locais são de quase 70 milhões. As exportações podem avançar de 29 milhões para cerca de 45 milhões de toneladas e superar o volume brasileiro, ampliando a concorrência internacional, destaca no relatório.

Nos Estados Unidos, menciona a consultoria, o USDA estima produção de milho de aproximadamente 407 milhões de toneladas, ante cerca de 390 milhões projetados pela Pro Farmer. “Apenas 57% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes na penúltima semana de agosto, contra 71% um ano antes, o que abre espaço para revisão negativa da produtividade. Em contrapartida, as exportações podem atingir cerca de 83 milhões de toneladas e levar a relação estoque/uso de aproximadamente 12% para 10%. “

Na União Europeia, as ondas de calor reduziram a projeção de produção de milho de aproximadamente 57 milhões para 50 milhões de toneladas. “A necessidade de importação deve aumentar em um momento de menor capacidade exportadora da Ucrânia, criando oportunidades para Estados Unidos, Brasil e Argentina, embora a competitividade argentina limite o potencial de ganho brasileiro”, afirma.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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