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No Brasil temos a predominância da cor preta, mas rebanho holandês vermelho tem aumentado, saiba um pouco mais das suas particularidades e diferenças.

No ano de 1933, já havia relatos sobre a influência de genes na pelagem de bovinos da Raça Holandesa. A pelagem possui intervenção tanto do ponto de vista genético, quanto do ambiental (como pela radiação ultravioleta).

Do ponto de vista genético, há duas localizações responsáveis pela coloração da pelagem: localização “vermelha dominante” e localização “vermelha recessiva”.

Cada animal possui dois genes da cor de pelagem na localização do gene “vermelho recessivo”, sendo que um deles é advindo do touro e o outro da vaca. Apesar desta condição, apenas o gene mais dominante se manifestará, através de características fenotípicas apresentadas (aparência exterior).

vaca holandesa preta
Foto: Divulgação

São demonstrados na tabela abaixo a ordem de dominância dos genes na localização “vermelho recessivo”.

GeneNomeFenótipo
EdDominante/PretoPreto
EbrPreto/VermelhoPreto/Vermelho
E+Tipo SelvagemVermelho
ERecessivo/Vermelho verdadeiroVermelho

A localização “vermelho dominante” caracteriza-se por ser mais incomum na substituição da expressão dos genes da cor da pelagem, em comparação à localização “recessiva”, devido à menos de 1% da população de bovinos da raça Holandesa ter uma dominância do gene vermelho neste local.

A ordem de dominância dos genes da localização “vermelho dominante” é explicitada na tabela abaixo.

GeneNomeFenótipo
DDominanteVermelho
dPretoPreto

Foi descrito pelo autor Heman L. Ibsen que o gene para cor vermelha e branca se faz presente em todos os rebanhos, porém, este nem sempre pode ser identificado devido à influência de outros genes epistáticos*¹, que impedem a sua manifestação.

O que são genes epistáticos

Genes epistáticos ou epistasia se define como uma interação gênica, na qual há uma interferência de diversos genes para influenciar determinada característica fenotípica. Estes genes podem inibir a ação de outros, fenômeno que recebe o nome de “epistasia”. O gene que não é capaz de se manifestar é chamado de hipostático, enquanto o inibitório, de epistático.


foto-Holstein red and black
Foto: Divulgação

Quando o gene originador na cor vermelha é atuante, presume-se que este está em homozigose e afeta a coloração dos pelos, pele das narinas e pálpebras. De acordo com o autor, animais que possuem composição genética para pelagem vermelha e branca em homozigose, não são necessariamente vermelhos e brancos, apesar desta ser a composição característica da pelagem desta cor.

De acordo com a autora Elischer, da Universidade do Estado de Michigan, o gene para a cor da pelagem vermelha e branca é aparente quando ambos os pais (vaca e touro) são portadores ou exibem os traços.

Segundo Ibsen, o gene para a cor preta e branca é responsável pela pigmentação dos pelos, deixando-os pretos; além dos cascos, contorno dos lábios, pálpebras e membranas nictantes. Para a expressão do gene da pelagem preta e branca, este pode estar em homozigose ou em heterozigose. Nesta época, havia a informação de que um animal de pelagem preta e branca não poderia resultar de pais com pelagem vermelha e branca; mas apenas de pais de pelagem preta e branca (em heterozigose ou homozigose).


Curiosidades

Atualmente, sabe-se que é possível a geração de descendentes de pelagem preta e branca a partir de pais vermelhos e brancos. Para exemplificar, o touro Hanover Hill Triple Threat-Red – um dos melhores em conformação e indutor de bons índices de produção de leite em sua prole – nascido em 1972, da ABC Genetics, era portador do gene para pelagem preta e branca, o que fez com que cerca de metade da sua prole que era vermelha e branca, expressasse quase a totalidade da coloração preta e branca antes mesmo de completar 6 meses de idade. Ele também era transmissor das características genéticas responsáveis pela pelagem vermelha e branca. Este touro produziu cerca de 510.000 doses de sêmen durante sua vida produtiva, as quais eram requisitadas mundialmente. Estas informações foram disponibilizadas pela empresa em um artigo no ano de 2018.

Sabe se que por meio de testes de avaliação genética, como o teste de DNA para comprovação de paternidade (o qual é um requisito obrigatório para a Associação Brasileira de Bovinos da Raça Holandesa – ABCBRH) é possível determinar a composição genética da pelagem dos bovinos da Raça Holandesa. A seleção genética também se configura como uma grande aliada na determinação da pelagem destes animais.


vaca holandesa vermelha e branca com bezerro ao pe
Foto: Sítio do Charco

Origem do gado Holandês vermelho e branco

Escritores citam que as pinturas holandesas anteriores ao século XVIII mostram vacas com pelagens de várias cores, mas nenhuma era preta e branca. Pesquisador nesta área, Dr. D. L. Bakker da Universidade de Wageningen examinou muitas pinturas e escreveu em “A History of the Dutch cow” que não se conhecia na Holanda nenhum animal preto e branco antes da segunda metade do século XVIII. O Dr. J.C. Rennie, Professor de Dairy Science da Universidade de Guelph e presidente do comitê da raça holandesa canadense que estudou a questão da cor das vacas na década de 1960, disse em seu relatório à Associação: “Os primeiros registros mostram que gado de diversas cores entrou na Holanda oriundo da Europa Central no século XIII. A maioria destes animais eram de pelagem vermelha e branca. Animais pretos e brancos não eram comuns até o século XVIII. “Todos estes relatos históricos terminam por nos mostrar o que sabemos sobre a herança genética da pelagem na raça holandesa, ou seja, que existe em sua grande maioria dominância da pelagem preta sobre a vermelha.

Via Associação da Raça Holandesa

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