Ibama apreende mais de 7 mil cabeças de gado e aplica R$ 49 milhões em multas

Durante a Operação Carne Fria, os agentes ambientais apreenderam 7.061 cabeças de gado criadas em áreas embargadas por desmatamento ilegal e aplicaram R$ 49 milhões em multas contra fazendeiros e frigoríficos envolvidos no esquema.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagrou a terceira fase da Operação Carne Fria, considerada uma das maiores ações de fiscalização contra crimes ambientais ligados à pecuária na Amazônia. Durante a operação, os agentes ambientais apreenderam 7.061 cabeças de gado criadas em áreas embargadas por desmatamento ilegal e aplicaram R$ 49 milhões em multas contra fazendeiros e frigoríficos envolvidos no esquema.

Segundo o Ibama, o foco da operação foi o combate à criação de gado em áreas proibidas para atividade econômica, onde a floresta deveria estar em processo de recuperação ambiental. Nessas regiões, foram identificados 2,1 mil hectares de vegetação suprimida ilegalmente, equivalentes a milhares de campos de futebol, mas que eram utilizados para a pecuária.

Os fiscais concentraram as ações em 20 imóveis rurais localizados nos municípios de São Félix do Xingu, Pacajá e Rondon, no Pará — localidades que figuram entre as campeãs de desmatamento da Amazônia. Apenas nesses imóveis foram aplicados R$ 22 milhões em multas por descumprimento de embargo e impedimento da regeneração natural.

Ibama apreende mais de 7 mil cabeças de gado e aponta esquema de “lavagem”

Os fiscais apreenderam 7.061 bovinos avaliados em R$ 30 milhões, muitos deles envolvidos em um esquema conhecido como “lavagem de gado”. Nesse processo, animais criados em áreas ilegais eram transferidos para fazendas sem embargo, recebiam novas Guias de Trânsito Animal (GTAs) e chegavam a frigoríficos exportadores com aparência de legalidade.

“No caso dos frigoríficos, o valor da multa é definido conforme a quantidade de animais adquiridos de áreas irregulares. A legislação prevê R$ 500 por cabeça de gado. A partir disso, é calculado o valor da penalidade”, explicou Jair Schmitt, diretor de Proteção Ambiental do Ibama.

Ele destacou ainda que em alguns casos houve indícios claros de “esquentamento de gado”, quando animais de fazendas embargadas são transferidos para propriedades regulares apenas para dar aparência de legalidade à transação. “É um trabalho de investigação ligado às cadeias de produção. A ideia é responsabilizar todos os atores com responsabilidade direta sobre o desmatamento”, completou.

Fiscalização de frigoríficos

No total, 16 frigoríficos foram inspecionados: seis deles foram autuados em R$ 4 milhões pela compra direta de 8.172 cabeças de gado ilegais, enquanto outros 12 foram notificados e permanecem sob investigação por suspeita de participação na triangulação de animais.

Ibama apreende mais de 7 mil cabeças de gado e aplica R$ 49 milhões em multas
Foto: DIvulgação

Segundo Schmitt, a fiscalização demanda grande esforço de inteligência. “É um trabalho de cruzamento de dados bastante robusto. Estima-se que 90% do desmatamento da Amazônia seja irregular, seja por falta de autorização ou por desmatamentos em desconformidade com as permissões legais. Nesse sentido, a pecuária é a maior responsável”, afirmou.

Responsabilização e próximos passos

As irregularidades já foram encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) para responsabilização civil e criminal dos produtores rurais e empresas envolvidas. Segundo o Ibama, o trabalho de fiscalização visa não apenas reprimir práticas ilegais, mas também desmontar cadeias produtivas inteiras que estimulam o desmatamento na Amazônia.

Impacto ambiental e combate ao desmatamento

De acordo com o órgão, a Operação Carne Fria 3 integra o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Desde 2017, as três fases da operação já resultaram em mais de R$ 640 milhões em multas e na apreensão de milhares de cabeças de gado.


Números da Operação Carne Fria 3

  • 16 frigoríficos fiscalizados
  • 6 frigoríficos autuados em R$ 4 milhões
  • 12 frigoríficos notificados e sob investigação
  • 7.061 cabeças de gado apreendidas (avaliadas em R$ 30 milhões)
  • 2,1 mil hectares embargados usados ilegalmente para pecuária
  • 20 imóveis rurais fiscalizados em São Félix do Xingu, Pacajá e Rondon
  • R$ 26 milhões em multas aplicadas
  • Indícios de lavagem de gado para burlar a fiscalização
Ibama apreende mais de 7 mil cabeças de gado

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