ILPF em São Paulo: “Quem entra não sai”

ILPF em São Paulo: “Quem entra não sai”

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Foto: Fabiano Bastos

Mais de 90% dos pecuaristas paulistas que adotaram sistemas integrados como a ILPF afirmam que continuarão com a tecnologia.

Mais de 90% dos pecuaristas que adotam a integração lavoura-pecuária (ILP) ou pecuária-floresta (IPF) no estado de São Paulo pretendem continuar utilizando esses sistemas que diversificam a produção ao gerar grãos e carne ou madeira e carne, por exemplo, em um mesmo espaço. Esse dado foi revelado em pesquisa que investigou fatores que levam propriedades paulistas a adotar ou não sistemas integrados de produção.

Mais de 90% dos pecuaristas que adotam a integração lavoura-pecuária (ILP) ou pecuária-floresta (IPF) no estado de São Paulo pretendem continuar utilizando esses sistemas que diversificam a produção ao gerar grãos e carne ou madeira e carne, por exemplo, em um mesmo espaço. Esse dado foi revelado em pesquisa que investigou fatores que levam propriedades paulistas a adotar ou não sistemas integrados de produção.

Já os produtores que adotam integração pecuária-floresta (IPF) caracterizam-se por propriedades e rebanhos menores, produção diversificada e menor dependência da renda agropecuária: 88% têm outra fonte de receita. Nesse grupo, o acesso ao crédito rural é menor.

ilpf em são paulo
Foto: Gisele ROSSO / Embrapa

O estudo foi realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste (SP), durante a safra 2016/2017. Foram entrevistados 175 produtores rurais de várias regiões do estado de São Paulo. Pouco mais da metade dos pecuaristas ouvidos, 52%, faz integração: 38% adotam lavoura-pecuária (ILP) e 14% pecuária-floresta (IPF).

O objetivo da pesquisa foi saber o que leva um produtor rural a adotar ou não a integração. “Compreender o comportamento frente a essa inovação é relevante para se pensar em políticas públicas e em ações de transferência de tecnologias”, acredita a pesquisadora da Embrapa Marcela Vinholis, que coordenou o estudo.

O levantamento obteve informações variadas, que envolvem perfil, tipos de sistemas adotados, influência para adoção, acesso a crédito rural, intensidade da adoção, acesso à informação técnica, características da propriedade rural, etc. A pesquisadora explica que são muitas as variáveis que interferem nessa decisão de diversificar e explorar novas oportunidades.

A metodologia considerou adotantes os que integram pelo menos duas modalidades de atividades agrícolas, pecuárias e florestais, realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotação, de forma planejada, sistematizada e continuada, com a finalidade de comercializar os produtos.

Mais de 90% dos adotantes não querem deixar integração
Foi possível detectar que quem está no sistema está satisfeito e tem expectativa de continuar nele. Entre os adotantes, tanto de ILP como IPF, mais de 90% têm a intenção de permanecer com a integração. Já entre os que não adotam, 28% pensam em fazê-lo em curto prazo.

Outro número interessante é que cerca de 70% dos que implantaram sistemas integrados ILP foram motivados por outro produtor. O segundo fator citado como influenciador da adoção foi o serviço de extensão rural (20%). Entre os adotantes de IPF, 63% citaram a observação de outro produtor rural e 29% os técnicos da extensão rural.

Os arranjos de integração encontrados foram muito diversificados. Os pesquisadores encontraram pecuária com soja, milho, mogno, eucalipto, sorgo, feijão, amendoim, abóbora e abacaxi, entre outros. O tipo de produto está atrelado ao mercado local. “O produtor adapta o conceito de acordo com seu perfil, potencial da região e mercado”, conta Vinholis.

Crédito rural favorece a adesão a tecnologias sustentáveis
Constatou-se também que o acesso ao crédito contribui para a inserção de melhorias no campo. “Novas tecnologias agrícolas podem demandar alto investimento inicial. Nesse caso, a disponibilidade de recursos financeiros é um importante determinante da decisão de adoção”, explica o economista Marcelo José Carrer, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Dos adotantes de ILP, 86% tiveram acesso ao crédito. Entre os não adotantes a porcentagem cai para 65%.

Segundo Carrer, o principal resultado da pesquisa indica que o acesso à política de crédito rural aumenta a probabilidade de adoção de ILP. “Foi constatado que esses recursos subsidiados estão sendo utilizados para financiar a adoção de tecnologias sustentáveis pelos produtores. Assim, percebe-se que a política está atingindo o objetivo de incentivar a difusão de tecnologias mitigadoras de GEE”, conta o economista.

ILPF é modelo ideal para intensificação na pecuária

Hoje, há disponibilidade de linhas de financiamento específicas para a adoção dos sistemas de integração, como do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). No entanto, poucos conhecem. Somente 11% dos que adotam ILP tiveram acesso a essa linha e, do IPF, apenas 8%.

O Plano ABC incentiva a implantação de sistemas agropecuários sustentáveis. Além de linhas de crédito, promove ações de capacitação de técnicos e produtores para a ampliação da integração. Para Carrer, o acesso ao crédito deve estar atrelado à política de extensão rural. “Além do acesso a recursos financeiros, é importante que os produtores recebam orientação técnica e organizacional adequada para adotar e gerenciar os sistemas ILP”, explica ele.

Extensão rural é importante para o sucesso

Os serviços de extensão rural são essenciais para a transferência de tecnologias e acesso à informação no campo. “As informações disponibilizadas pelos técnicos são importantes para criar incentivos à adoção e reduzir a probabilidade de manejo inadequado dos sistemas integrados”, afirma o economista. Ele explica que a ILP aumenta a complexidade organizacional nas fazendas em decorrência da necessidade de planejamento e coordenação de um conjunto maior de processos produtivos. O trabalho da extensão rural auxilia os produtores no manejo e gerenciamento desses processos.

A falta de orientação técnica foi uma das principais queixas dos pecuaristas entrevistados e pode ser considerada um dos fatores que limitam a utilização dos sistemas integrados como atividade produtiva.

No grupo dos não adotantes ficou evidente o menor número de visitas técnicas por profissionais especializados.

Coleta de dados

A seleção da amostra para a pesquisa foi feita com ajuda de técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e da cooperativa Cocamar. Além disso, houve contato prévio com sindicatos rurais e associações do estado de São Paulo.

Foram elaboradas duas listas. Uma com produtores que adotam sistemas integrados com lavoura ou floresta e outra das fazendas que não adotam a integração. Da primeira lista, foram contatados 89 produtores – 65 adotantes de ILP e 24, IPF. A amostra de pecuaristas que não adotam sistemas de integração foi selecionada de forma não aleatória. Segundo Vinholis, para cada propriedade que trabalha com sistema de produção integrado da amostra, foi selecionada uma propriedade próxima que produza gado bovino a pasto em sistema de produção não integrado.

De acordo com a cientista da Embrapa, o resultado da pesquisa busca subsidiar políticas públicas e ações de transferência de tecnologia.

Além de pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, fazem parte da pesquisa profissionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O suporte financeiro foi da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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