Índia reduz tarifa de óleo de soja e amplia oportunidade para exportações brasileiras

País cortou de 10% para 5% a tarifa básica de importação do óleo de soja bruto; mercado indiano já responde por cerca de 70% das exportações brasileiras do produto.

A Índia reduziu de 10% para 5% a tarifa básica de importação do óleo de soja bruto, medida que pode ampliar a competitividade do produto brasileiro em um dos maiores mercados consumidores de óleos vegetais do mundo. Com outros encargos, a tarifa efetiva recua de 16,5% para 11%.

A mudança ocorre em um momento de forte avanço das vendas brasileiras ao país asiático. Nos primeiros oito meses de 2026, o Brasil exportou mais de 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja, alta de cerca de 42%, enquanto as compras indianas cresceram aproximadamente 56% e passaram a representar perto de 70% do volume embarcado pelo Brasil.

Exposição ao frio causa escurecimento da polpa da manga, comprova estudo

A revisão tarifária, porém, também alcançou produtos concorrentes. A tarifa sobre o óleo de palma bruto caiu de 10% para 5%, enquanto a do óleo de girassol bruto passou de 10% para zero. Com isso, o ganho para o óleo de soja dependerá também da relação de preços, fretes e disponibilidade entre os três produtos.

O peso da Índia nas exportações brasileiras já apareceu com força em julho. O País embarcou 317,5 mil toneladas de óleo de soja, alta de aproximadamente 130% ante julho de 2025. Desse total, 269,4 mil toneladas tiveram a Índia como destino, o equivalente a cerca de 85% das vendas externas no mês.

A ampliação da demanda externa coincide com maior processamento doméstico. A Abiove estima que o Brasil deverá esmagar 63,5 milhões de toneladas de soja em 2026 e produzir cerca de 12,8 milhões de toneladas de óleo, com exportações projetadas em 1,8 milhão de toneladas.

Para o mercado de soja, o efeito não é automático. Uma procura maior pelo óleo tende a melhorar a receita das indústrias esmagadoras e pode reforçar sua capacidade de compra, mas o preço do grão continuará dependendo de fatores como Chicago, câmbio, prêmios, demanda chinesa e oferta interna.

A dimensão do mercado indiano ajuda a explicar a importância da medida. O país importa cerca de 16 milhões de toneladas de óleos vegetais por ano e, historicamente, compra aproximadamente 4 milhões de toneladas de óleo de soja, com variações conforme a competitividade entre soja, palma e girassol.

A redução tarifária foi adotada pelo governo indiano para aumentar a oferta doméstica e aliviar os preços dos alimentos. Para o Brasil, o principal ponto será acompanhar se o óleo de soja continuará competitivo frente aos concorrentes e se a Índia manterá o ritmo elevado de compras observado ao longo de 2026.

VEJA TAMBÉM:

ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM