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Muito se fala na utilização desses Índices, mas é preciso entender e avaliar os dados obtidos.

Segundo Mion et al. (2012) o mercado de leite no Brasil é conhecido por apresentar tendências instáveis e impor margens estreitas ao produtor, neste contexto é necessário o uso de ferramentas gerenciais que contribuam para a tomada de decisões por parte do produtor.

A rentabilidade da atividade está diretamente ligada aos indicadores zootécnicos e econômicos, uma vez que eles têm influência direta na produção e consequentemente nos lucros (LOPES; CARDOSO; DEMEU, 2009).

Os Índices Zootécnicos (IZ) são dados produtivos, quantitativos e qualitativos, referentes aos segmentos da exploração. Eles refletem em forma numérica (relação entre dados) o desempenho dos diversos parâmetros da exploração pecuária.

O número de produtores que realizam as anotações para o cálculo desses IZ é grande, porém ainda é muito baixo aqueles que realmente utilizam essas informações para as tomadas de decisões dentro da empresa rural. As anotações de campo são a base para o controle do rebanho e sua boa utilização e preenchimento garantem confiabilidade ao processo. Assim, é importante o comprometimento das pessoas envolvidas, que devem saber da importância das anotações e como elas podem ajudar na tomada de decisão na propriedade.

Vale ressaltar aqui que, quando estamos falando em IZ é necessário antes de tudo que a propriedade adote medidas como:

  • Identificação dos animais que pode ser feita através de marcação do animal e utilização da ficha individual com histórico do animal (FIG.1).
  • Realização do controle leiteiro a cada 15 dias no mínimo, bem como histórico da produção por dia. Essa pode ser medida no tanque, utilizando régua adequada.
  • Definição da área da propriedade utilizada na atividade, bem como o número de pessoas envolvidas na atividade diária.
  • Rotina de anotações de campo, com posterior preenchimento de planilhas ou cadernos que sirvam de histórico dos dados observados no campo.
Ficha Individual. Fonte: Thiago Pereira

Abaixo estão enumerados os principais IZ a serem avaliados dentro de uma propriedade:

% de vacas em lactação

É definido pelo número de animais em produção divido pelo número total de vacas da propriedade. Os rebanhos com valores inferiores a 80% indicam uma proporção muito alta de vacas secas o que, por sua vez, pode indicar inadequado desempenho reprodutivo do rebanho ou uma baixa persistência na lactação.

% vacas em lactação = (nº de vacas em lactação/ nº de vacas total do rebanho) x 100

Produção de leite

A utilização do controle leiteiro é muito importante e pode nos fornecer parâmetros quanto à produção média e total para cada vaca no rebanho. Além disso, as anotações diárias de produção total, nos permite avaliar a eficiência do manejo nutricional e sanitário do rebanho, já que grandes variações podem estar relacionadas a esses principais fatores.

Duração da lactação

A persistência na lactação é de 305 dias, em média. Porém, esse IZ pode variar devido ao grau de sangue das raças no rebanho, ou seja, gado mestiço temos em média 280 dias. O importante aqui é ficar atento para o período seco que deve ser respeitado.

Idade ao primeiro parto (IPP)

Segundo a EMBRAPA, a idade ao primeiro parto é dependente do manejo alimentar das novilhas durante a recria. O ideal é que o primeiro parto ocorra aos 24 meses de idade. Entretanto, deve-se respeitar um peso ao primeiro parto mínimo de 90% do peso à idade adulta. Esse peso adulto é obtido das próprias vacas do rebanho, com mais de três partos. Com a meta de peso ao primeiro parto, devem-se estabelecer as metas de ganho de peso durante a fase de recria. Para novilhas mestiças, recriadas a pasto, o ganho de peso tende a ser menor, com maior idade ao primeiro parto, que pode variar de 28 a 32 meses.

Período de serviço (PS)

É o número de dias entre o parto e a inseminação ou cobertura de sucesso, que deu início a uma nova gestação. Recomenda-se que o PS esteja no máximo em 85 dias, já que esse resultado é influenciador direto do Intervalo entre Partos.

Intervalo entre Partos (IEP)

O intervalo entre partos é o tempo decorrido entre dois partos consecutivos de uma mesma vaca. O período ideal seria entre 12 e 14 meses. Porém, quando maior que 12 meses pode estar relacionado a um prolongado período de anestro pós-parto, a falhas na detecção de cios ou a repetição de cios. Quando prolongado o IEP, este pode diminuir o nº vacas em lactação, aumentar o intervalo de gerações e diminuir a intensidade de seleção. Quanto menor for esse período, menor será o intervalo de gerações e mais rápida será a resposta ao processo de seleção (RANGEL et al. 2008).

Peso a cobrição

É avaliada pela manifestação do 1º cio fértil, é mais difícil de ser avaliada em regime extensivo de criação. Ela determina a longevidade reprodutiva da fêmea e o número potencial de crias durante sua vida útil. Quanto maior a idade à puberdade maior o intervalo de gerações e menor a intensidade de seleção. Relaciona-se ao peso (60% do peso vivo adulto) e idade, vale ressaltar que é variável com a raça. Na prática, significa que o produtor deve conhecer o peso adulto de seu rebanho, o que pode ser feito com a pesagem de uma amostra de vacas em lactação e secas.

Período de gestação

Em média 283 dias. Compreende o período desde a concepção até o parto.

Taxa de concepção

Expressa a fertilidade de cada serviço

TC = (nº vacas prenhes/nº vacas inseminadas) x 100

Quando as taxas de concepção caírem abaixo dos 30%, algumas das seguintes ações devem ser tomadas:

  • Revisar o programa de inseminação artificial (FIG.2).
  • Conferir se os inseminadores foram bem treinados;
  • Verificar se o sêmen está sendo descongelado e manipulado corretamente;
  • Verificar se suas vacas estão sendo manejadas com calma antes e depois da inseminação.
  • E conferir intervalos entre as coberturas.

O ciclo estral da fêmea bovina é de 21 dias, se o intervalo entre duas coberturas é inferior a 18 dias, um dos estros foi identificado incorretamente.  Se o intervalo entre duas coberturas está entre 24-36 dias, pode estar havendo mortalidade embrionária precoce.  E se o intervalo entre duas coberturas for de 36-48 dias, indica que um dos dois estros não foi identificado.

Os Índices Zootécnicos (IZ) são dados produtivos, quantitativos e qualitativos, referentes aos segmentos da exploração. Eles refletem em forma numérica (relação entre dados) o desempenho dos diversos parâmetros da exploração pecuária.

Taxa de serviço

Esse valor é calculado levando em conta as vacas aptas no período de 21 dias. Esse parâmetro é muito complexo, levando em conta o manejo reprodutivo adotado na maior parte das propriedades. Recomenda-se a utilização de uma planilha ou software de gerenciamento para poder acompanhar ele.

TS = (nº vacas inseminadas/nº vacas aptos) x 100

Taxa de prenhez

Essa taxa mede a velocidade em que as vacas aptas se tornam gestantes a cada intervalo de 21 dias.

TP= (Taxa de serviço (TS) x Taxa de concepção (TC))

Número de serviços por concepção

É a relação entre o número de animais cobertos (Inseminação artificial -IA ou Monta natural -MN) e o número de animais prenhes. Pode ser usado como uma avaliação da taxa de concepção.

NS = nº serviços/concepção = 100/TC

Intervalo do parto até 1º CIO

Compreende o período entre o parto até a manifestação do primeiro CIO após o parto. Esse deve ser em média de 30 dias.

Escore de condição corporal

A ferramenta mais utilizada para monitorar o grau de mobilização das reservas de gordura é a avaliação do Escore de Condição Corporal (ECC), que varia de uma escala de 1 a 5 pontos, onde o escore 1 representa a vaca excessivamente magra e o escore 5 representa uma vaca demasiadamente obesa.

No início de lactação, período de máxima produção de leite, o ECC pode cair até 2,50. A mobilização de tecido adiposo neste período é bem-vinda, mas não pode ser longa, nem pronunciada (perdas entre 0,5-1,0 ponto ECC estão ok). Se as perdas no ECC forem ainda maiores (ECC < 2,50), há grandes chances do desempenho reprodutivo ser comprometido (maior período de serviço e maior intervalo entre partos)

Dias abertos ou Período de serviço

É o número de dias entre o parto e a inseminação ou cobertura de sucesso, que deu início a uma nova gestação.

Dias Secos ou período seco

O número de dias entre a secagem e a próxima parição. Recomendado é de 60 dias. Estima-se grande perda a longo prazo tanto em produção de leite quanto na reprodução do animal quando este não passa pelo período seco.

Produção por vaca em lactação

Representa a produção, kg/dia, em relação aos animais em produção. Nesse cálculo, não entra as vacas secas e novilhas prenhas.

Produção por total de vaca do rebanho

É realizado o cálculo dividindo a produção total, pelo número de animais do rebanho. Esse parâmetro permite avaliar a eficiência do rebanho. Ou seja, quando ele for muito baixo estará indicando que temos poucos animais produzindo, ou que temos uma recria inchada.

Vacas em lactação por hectare

Calcula-se dividindo o número de vacas em lactação pelo número de hectares utilizados na produção de leite.

Produtividade da terra

Esse índice mostra a eficiência da terra utilizada na produção de leite. Ele é calculado dividindo quantidade de leite produzida por hectare por ano.

Em resumo, apresentamos uma tabela (TAB.1) com o que chamamos de IZ ótimos. Essa tabela visa auxiliar os produtores para avaliar os índices encontrados nas suas propriedades, e com isso poder se orientar onde é preciso atuar de forma a minimizar essas perdas econômicas, produtivas e reprodutivas.

Tabela 1 – Números considerados ideais para os IZ.

Índice Zootécnico

Unidade

Ideal

Produção por Lactação (HPB/Mestiça HZ)1000 kg6 a 7/3,5 a 4
Duração da lactaçãoMeses10 a 12
Persistência da lactação%89
Vacas em lactação%80 a 83
Período secoDias60
Descarte de vacas/ano%20 a 25
Idade a cobrição novilhas (HPB/Mestiça HZ)Meses15 a 17/21 a 22
Idade ao 1º parto (HPB/ Mestiço HZ)Meses24 a 26/29 a 31
Intervalo entre partosMeses12,5
Período de serviçoDiasAté 100
Primeiro cio pós partoDias20 a 30
Prenhez ao primeiro serviço%65 a 75
Número de Serviços por concepçãoAté 1,5

Referências Bibliográficas

MION,T.D; DAROZ,R.Q; JORGE,M.J.A; MORAIS,J.P.G; GAMEIRO, A.H.  Indicadores zootécnicos e econômicos para pequenas propriedades leiteiras que adotam os princípios do projeto balde cheio. Informações Econômicas, SP, v. 42, n. 5, set./out. 2012.

LOPES, M. A.; CARDOSO, M. G.; DEMEU, F. A. Influência de diferentes índices zootécnicos na composição e evolução de rebanhos bovinos leiteiros. Ciência Animal Brasileira, Samambaia, v. 10, n. 2, p. 446-453, abr./jun. 2009.

RANGEL, A. H. N. et al. Influência do meio ambiente sobre o intervalo entre partos de rebanhos da raça Jersey. Revista Verde, Mossoró, v. 3, n. 4, p. 42-45, 2008.

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