Inédito: 1.350 bovinos da raça Brangus cruza Pantanal em comitiva que deve durar 40 dias

Essa é a primeira vez que o pecuarista, com 50 anos de experiência, está conduzindo 1.350 bovinos da raça Brangus de Aquidauana a Corumbá, em uma viagem que deve durar 40 dias., enfrentando os desafios logísticos da região.

Uma jornada inédita está em curso no Pantanal sul-mato-grossense. A comitiva liderada por Pantaleão Flores, de 67 anos, está conduzindo 1.350 bovinos da raça Brangus de Aquidauana a Corumbá, em uma viagem que deve durar 40 dias. Essa é a primeira vez que o pecuarista, com 50 anos de experiência, realiza o transporte dessa raça em uma comitiva tradicional, enfrentando os desafios logísticos da região.

A decisão de transportar os animais dessa forma se deve às condições precárias das estradas, que tornam o uso de caminhões inviável. “Nessa região não vai caminhão, é só por terra mesmo. Se fosse de caminhão, também não daria porque é muita água, e na época de seca, só carro traçado”, explica Pantaleão, mais conhecido como Panta.

O percurso e os desafios

A comitiva é composta por sete pessoas, incluindo um cozinheiro, um ponteiro, um capataz e quatro peões. Atualmente, a comitiva está em Rio Verde de Mato Grosso, a 203 km de Campo Grande. O trajeto inclui passagem por diversas localidades, como Rio Negro e Coxim, antes de alcançar Corumbá.

Durante a jornada, os cuidados com o gado são constantes. “O gado Brangus é mais dócil e exige mais atenção. Caminhamos nas horas mais frescas do dia, partimos cedo, descansamos às 10h e retomamos a viagem às 14h”, explica Panta. A raça tem um ritmo diferente em comparação ao Nelore, sendo mais lenta e exigindo um planejamento cuidadoso para evitar estresse e perda de peso.

Raça da Europa cruza o Pa1.350 bovinos da raça Brangus cruza Pantanal em comitiva que deve durar 40 dias
Raça da Europa cruza o Pa1.350 bovinos da raça Brangus cruza Pantanal em comitiva que deve durar 40 dias. Foto: Jairton Costa

A raça Brangus e seu valor no mercado

A raça Brangus é resultado do cruzamento entre o Angus e o Zebu, uma combinação que busca unir a qualidade da carne Angus com a rusticidade do Zebu. Criada inicialmente nos Estados Unidos no início do século XX, a raça chegou ao Brasil na década de 1940, tornando-se uma opção valorizada pela alta produtividade e resistência ao clima adverso.

Atualmente, no mercado brasileiro, o gado Brangus é altamente valorizado. Segundo Pantaleão, cada cabeça pode ser vendida por cerca de R$ 3.000, dependendo do peso e das condições de mercado. Em Campo Grande, a carne Brangus é comercializada a preços variados, com cortes como filé mignon chegando a R$ 109,90/kg, enquanto cortes como patinho e coxão duro custam R$ 53,90 e R$ 46,90, respectivamente.

Raça da Europa cruza o Pa1.350 bovinos da raça Brangus cruza Pantanal em comitiva que deve durar 40 dias
Raça da Europa cruza o Pa1.350 bovinos da raça Brangus cruza Pantanal em comitiva que deve durar 40 dias. Foto: Jairton Costa

Uma experiência única para a comitiva

Apesar de sua longa trajetória na pecuária, Pantaleão afirma que essa comitiva tem sido uma experiência única. “A convivência com o gado Brangus é diferente. Eles são mais tranquilos, mas exigem cuidados especiais”, comenta. A viagem está sendo documentada pelo fotógrafo Jairton Costa, que tem capturado imagens da rotina da comitiva, mostrando os desafios e belezas dessa travessia histórica pelo Pantanal.

“A convivência com o gado Brangus é diferente. Eles são mais tranquilos, mas exigem cuidados especiais”, comenta.

Além da experiência profissional, Pantaleão carrega a tradição das comitivas no coração. “Comecei com 15 anos ajudando meu pai. Aos 21, deixei os estudos para me dedicar totalmente a esse trabalho e não existe vida melhor do que essa”, afirma.

Com a previsão de chegada a Corumbá dentro de pouco mais de um mês, a comitiva segue firme, mantendo viva a tradição do transporte de gado pelas vastas terras pantaneiras, mostrando que, mesmo com as inovações tecnológicas, há práticas que continuam essenciais para o agronegócio brasileiro.

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