Relatórios de inspeção do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), datados de 2019, já apontavam falhas graves na estrutura na ponte que desabou no Tocantins, incluindo rachaduras nos pilares, fissuras no pavimento e desgaste em vigas e lajes.
O desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que ligava os estados do Tocantins e Maranhão, no último domingo (22), trouxe à tona alertas feitos há anos sobre problemas estruturais. Relatórios de inspeção do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), datados de 2019, já apontavam falhas graves na estrutura, incluindo rachaduras nos pilares, fissuras no pavimento e desgaste em vigas e lajes. Essas informações foram divulgadas pelos veículos G1 e TV Anhanguera.
O relatório de 2019 descreveu a ponte, construída originalmente com pavimento de concreto substituído por asfalto em 1998, como vulnerável. Problemas como desnivelamento, fissuras e rupturas na estrutura já eram visíveis, além de rachaduras em todos os pilares. Apesar das recomendações feitas pelo DNIT para intervenções corretivas, o desabamento ocorreu antes que ações efetivas fossem concluídas.
Em 2021, um contrato de R$ 3,5 milhões foi firmado dentro do Programa de Manutenção e Reabilitação de Estruturas (PROARTE), com serviços de reparos nos pilares e passeios da ponte. Já em 2024, foi aberto um novo edital, estimado em R$ 13 milhões, mas o processo foi considerado fracassado por falta de empresas qualificadas para realizar as obras necessárias.
Ponte que desabou no Tocantins: impactos e investigação
No momento do colapso, dez veículos estavam na ponte, incluindo carretas transportando cargas perigosas como ácido sulfúrico e agrotóxicos. Até o momento, seis corpos foram encontrados e 11 pessoas permanecem desaparecidas. Entre os veículos, havia tanques contendo 76 toneladas de ácido sulfúrico e 22 mil litros de defensivos agrícolas. De acordo com o supervisor de Emergência Ambiental do Maranhão, Caco Graça, os tanques estão intactos, minimizando os riscos imediatos de contaminação.
Porém, órgãos ambientais alertam para potenciais danos à saúde pública e ao ecossistema do Rio Tocantins, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) investiga as consequências ambientais.
Ação da Polícia Federal e DNIT
A Polícia Federal iniciou uma investigação para apurar as causas do desabamento. Segundo nota divulgada na terça-feira (24), cinco peritos especializados foram deslocados para o local, incluindo engenheiros civis e especialistas em meio ambiente. O DNIT, por sua vez, instaurou uma sindicância para apurar responsabilidades e, segundo o diretor-geral Fabrício Galvão, pretende contar com apoio de órgãos externos para as análises.
Repercussões e cobrança por respostas sobre a ponte que desabou
A tragédia reforça a necessidade de fiscalizações preventivas e ações efetivas para evitar novos desastres em infraestruturas críticas do país. O histórico de adiamentos e falta de execução de obras na ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira agora se transforma em um caso emblemático de negligência.
Com buscas ainda em andamento e investigações em curso, as famílias das vítimas e a população aguardam respostas sobre como uma ponte fundamental para o tráfego e economia da região chegou a esse ponto crítico.
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