Encontro no Salão Oval colocou a carne do Brasil no centro das discussões sobre preços nos EUA, enquanto o país enfrenta o menor rebanho bovino em 75 anos; Segundo informações, Joesley Batista teria ajudado Trump a moldar plano
O empresário brasileiro Joesley Batista, um dos controladores da JBS, teria ajudado a moldar a estratégia do presidente Donald Trump para aumentar as importações de carne bovina e tentar conter a alta dos preços nos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo The Wall Street Journal, que revelou detalhes de uma reunião entre os dois na Casa Branca.
Segundo o jornal norte-americano, Joesley Batista se reuniu com Trump no Salão Oval em 20 de agosto. Durante o encontro, os dois teriam discutido como uma oferta adicional de carne bovina brasileira poderia ajudar a aumentar a disponibilidade do produto no mercado americano. Entre os assuntos tratados também estaria a tarifa de 26% aplicada às importações, conforme pessoas ouvidas pelo WSJ.
Trump quer colocar mais carne no mercado americano
Pouco depois do encontro, Trump anunciou um plano para permitir a entrada de até 300 mil toneladas adicionais de carne bovina durante um período de 90 dias. A estratégia busca aumentar rapidamente a oferta e aliviar os preços pagos pelos consumidores.
O problema é que a proposta abriu uma disputa dentro dos próprios Estados Unidos. De um lado, a Casa Branca procura uma saída para reduzir o preço da carne; do outro, pecuaristas norte-americanos temem que uma entrada maior do produto importado pressione o mercado doméstico justamente quando a oferta de animais está historicamente apertada.
EUA têm menor rebanho bovino desde 1951
A pressão sobre os preços não surgiu por acaso. Os Estados Unidos atravessam uma das maiores restrições de oferta das últimas décadas, depois que períodos prolongados de seca, especialmente nas Grandes Planícies, levaram pecuaristas a reduzir matrizes e outros animais do rebanho.
Em 2026, o plantel bovino norte-americano caiu para 86,2 milhões de cabeças, menor população registrada desde 1951. A redução ajuda a explicar por que aumentar as importações passou a ser uma alternativa considerada pela administração Trump.
Brasil pode ganhar espaço em um dos mercados mais valiosos do mundo
Para a cadeia brasileira, o movimento merece atenção. Uma eventual ampliação das compras pelos Estados Unidos poderia abrir espaço adicional para a carne brasileira justamente em um mercado de alto valor, aumentando a competição internacional pelo produto exportado pelo Brasil.
A participação de Joesley Batista nas conversas também chama atenção pelo tamanho da JBS no mercado global de proteínas. Caso o plano avance, entretanto, seus efeitos dependerão das condições tarifárias, das regras estabelecidas pelo governo norte-americano e, principalmente, da reação política dos pecuaristas dos Estados Unidos.
O episódio mostra que a carne bovina brasileira passou a ocupar posição importante na tentativa de Trump de enfrentar a inflação do alimento nos EUA. Para o Brasil, a discussão pode representar uma nova oportunidade comercial; para o pecuarista norte-americano, tornou-se mais um ponto de tensão em um mercado marcado pela menor disponibilidade de gado em décadas.
Com as informações do The Wall Street Journal (WSJ).
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