Da experiência nos frigoríficos da família à expansão internacional, irmãos tiveram funções complementares na transformação da companhia e agora acompanham a chegada da terceira geração ao comando global.
A trajetória de Joesley e Wesley Batista acompanha uma das maiores transformações empresariais do agronegócio brasileiro. Criados no negócio de carnes da família, os irmãos participaram da expansão que levou uma operação com origem em Goiás a se tornar uma potência mundial de alimentos. Em 2025, a JBS alcançou receita de R$ 480,6 bilhões, dimensão que ajuda a explicar a influência do grupo sobre a cadeia de proteínas e o mercado internacional.
Esse crescimento reuniu experiência industrial, acesso a capital e uma sequência de aquisições. Enquanto Wesley ganhou projeção na condução das operações, especialmente no exterior, Joesley concentrou sua atuação na estrutura financeira e na estratégia de expansão. As responsabilidades se complementaram durante a construção de uma companhia que ultrapassou a carne bovina e passou a reunir diferentes proteínas, marcas e mercados.
A base dessa história foi estabelecida por José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, que fundou a Casa de Carnes Mineira em Anápolis (GO), em 1953. Os filhos aprenderam o funcionamento da atividade dentro da empresa familiar, acompanhando a rotina de compra de animais, abate, processamento e comercialização.
Décadas depois, a família prepara uma nova passagem de responsabilidade. Conforme já noticiado pelo Compre Rural, Wesley Batista Filho assumirá o comando global da JBS em janeiro de 2027, em uma sucessão anunciada pela companhia.
Wesley Batista levou a experiência industrial para o exterior
A compra da Swift, em 2007, foi um dos acontecimentos decisivos para a internacionalização da JBS. A operação abriu uma nova escala de atuação nos Estados Unidos e na Austrália e colocou Wesley diante do desafio de administrar uma estrutura industrial fora do Brasil.
O negócio envolveu US$ 225 milhões, além da assunção de aproximadamente US$ 1,2 bilhão em dívidas, segundo o material que reúne a trajetória dos empresários. Mais do que incorporar fábricas, a aquisição exigia integrar equipes, processos e uma cultura empresarial diferente daquela em que os irmãos haviam sido formados.
Wesley se instalou nos Estados Unidos para acompanhar essa etapa. Seu estilo de gestão foi associado à proximidade com as unidades industriais e ao esforço para conhecer os funcionários antes de promover mudanças.
O episódio revela uma característica importante da expansão: comprar uma empresa era apenas o início. Transformar os ativos adquiridos em uma operação integrada dependia de produtividade, aproveitamento industrial, controle de custos e capacidade de atender os clientes.
Para uma companhia de carnes, esses fatores têm consequências diretas sobre o resultado. A escala de abate precisa estar ajustada à disponibilidade de animais, enquanto processamento, logística e vendas devem funcionar de maneira coordenada.
Joesley Batista atuou na estrutura financeira da expansão
Enquanto Wesley se dedicava à operação norte-americana, Joesley permanecia no Brasil com maior concentração nas decisões financeiras e estratégicas. Sua atuação estava ligada à organização dos recursos necessários para sustentar o crescimento.
A abertura de capital da JBS, também em 2007, marcou essa mudança de dimensão. O acesso ao mercado financeiro ampliou as possibilidades de financiamento e ajudou a sustentar uma estratégia de aquisições internacionais, que contou ainda com participação do BNDES.
Nos anos seguintes, negócios envolvendo Swift, Smithfield Beef, Pilgrim’s Pride e Bertin ampliaram a presença geográfica e o portfólio da companhia. A entrada em diferentes segmentos reduziu a concentração exclusiva na carne bovina e acrescentou novas fontes de receita.
Em 2009, a compra de uma participação de controle na Pilgrim’s Pride representou um avanço relevante na avicultura dos Estados Unidos. No mesmo período, a incorporação da Bertin fortaleceu a estrutura brasileira.
A consolidação do controle familiar também passou pela holding. Em operação apresentada anteriormente pelo Compre Rural, Joesley e Wesley compraram a participação do pai na J&F, reforçando sua posição na estrutura empresarial.
Expansão, crise e novos negócios marcaram a trajetória
A história dos irmãos também inclui a crise de 2017, quando investigações de corrupção envolvendo a J&F e agentes públicos provocaram repercussões sobre a família e a governança dos negócios. Naquele contexto, a holding firmou um acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões com o Ministério Público Federal, posteriormente submetido a disputas judiciais.
Os acontecimentos levaram a mudanças na gestão e na exposição pública dos empresários. Em 2024, a JBS propôs o retorno dos dois ao Conselho de Administração, movimento que reposicionou sua participação na governança da companhia.
Ao mesmo tempo, a diversificação continuou. Em 2025, a entrada na Mantiqueira acrescentou o segmento de ovos à plataforma de alimentos. O Compre Rural detalhou a operação na reportagem sobre a compra de participação na Mantiqueira pela JBS.
A expansão desse negócio ganhou outro capítulo com a aquisição de uma empresa de ovos nos Estados Unidos pela Mantiqueira, reforçando a presença internacional da operação.
Os investimentos dos empresários também alcançaram atividades fora da alimentação. Um exemplo é a aquisição do controle da Avibras por meio da Globe Investimentos. Nesse caso, a distinção societária é essencial: trata-se de um investimento dos irmãos por outro veículo, e não de uma compra realizada pela JBS.
Para o produtor rural, a dimensão dessa trajetória aparece na conexão entre fazenda, indústria e consumidor. As decisões de uma companhia com atuação internacional ajudam a definir investimentos industriais, canais de comercialização e oportunidades de acesso a mercados. Com a sucessão prevista para 2027, a família Batista inicia outra etapa em uma empresa cuja escala passou a fazer parte da própria dinâmica global das proteínas.
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