Uma viagem ao Brasil mudou os planos do astro, que encontrou no interior do Rio um refúgio entre cavalos, gado, plantações e história.
Quando Lenny Kravitz desembarcou no interior do Rio de Janeiro, a intenção não era se tornar proprietário rural no Brasil. Muito menos aprender a montar a cavalo, acompanhar uma fazenda e transformar uma antiga propriedade cafeeira em um dos seus principais refúgios no mundo. O que deveria ser uma passagem rápida acabou mudando a relação do astro norte-americano com o país.
Hoje, o cantor mantém no município de Duas Barras, na Região Serrana do Rio de Janeiro, uma propriedade rural de aproximadamente 400 hectares, ou perto de 1.000 acres. Conhecida como Fazenda São Tomé, a área reúne gado, cavalos, café, frutas, verduras, recursos hídricos e produção orgânica, além de construções históricas restauradas pelo artista.
Mais do que uma casa de campo de uma celebridade internacional, o lugar continuou funcionando como fazenda. Em uma apresentação da propriedade para a Architectural Digest, o próprio Kravitz se definiu como “fazendeiro” e explicou que quem chega ao local encontra uma propriedade rural em atividade, onde parte dos alimentos consumidos vem da própria terra.
A história começou de maneira pouco planejada.
Durante uma passagem pelo Brasil, Kravitz foi convidado para conhecer a propriedade. A visita que inicialmente duraria apenas um dia se prolongou por uma semana, depois por um mês e, finalmente, por cerca de seis meses.
Foi nesse período que uma das maiores estrelas do rock mundial experimentou uma rotina bastante diferente daquela dos palcos.

Kravitz contou à Architectural Digest que aprendeu a montar com os trabalhadores locais, conheceu atividades ligadas à fazenda e retomou um contato intenso com a natureza. A experiência foi tão marcante que ele chegou a pensar em abandonar a agitação de sua vida profissional para viver como produtor rural.
O músico acabou retornando às turnês e gravações, mas não esqueceu o lugar. Posteriormente adquiriu a propriedade e iniciou um longo trabalho de recuperação das edificações e reorganização dos espaços.
O campo brasileiro deixava de ser apenas uma paisagem para se transformar em patrimônio e parte da vida pessoal de Lenny Kravitz.
É justamente nesse ponto que a propriedade se diferencia de uma simples mansão de luxo instalada em área rural.
Em entrevista à Condé Nast Traveller, Kravitz descreveu a Fazenda São Tomé como uma propriedade orgânica com aproximadamente 1.000 acres, formada por cachoeiras, peixes, bovinos, cavalos, frutas, hortaliças e café.
Segundo o próprio músico, a estrutura foi pensada para alcançar elevado grau de autossuficiência. Os alimentos produzidos na área abastecem a propriedade, enquanto parte da água utilizada vem dos recursos naturais existentes no local.

Em outra apresentação da fazenda, ele explicou que os visitantes consomem produtos orgânicos cultivados ali, reforçando uma lógica hoje bastante conhecida no turismo rural e na gastronomia: do campo diretamente para a mesa.
Para quem acompanha o agronegócio brasileiro, esse é provavelmente o aspecto mais interessante da história.
Por trás do nome internacional existe uma propriedade que preservou sua identidade rural. O luxo entrou nas casas, no mobiliário e nas áreas de lazer, mas não eliminou completamente a atividade agropecuária.
A relação da área com a agricultura, porém, começou muito antes da chegada do cantor.
A propriedade foi originalmente uma grande fazenda de café. Reportagens sobre o imóvel apontam sua origem no século XIX, período em que a cafeicultura teve enorme importância econômica no interior fluminense. A própria arquitetura preservada no complexo ajuda a contar essa história.
Depois de assumir a área, Kravitz iniciou a recuperação das antigas construções de inspiração colonial portuguesa.
O projeto manteve elementos históricos, mas incorporou uma estética completamente diferente no interior das casas. Peças de design, obras de arte, instrumentos musicais e móveis de diferentes épocas passaram a dividir espaço com paredes antigas e com a paisagem rural brasileira.
Antigas estruturas foram adaptadas para receber hóspedes, academia, áreas de convivência e até um estúdio de gravação, criando uma combinação incomum entre propriedade rural, arquitetura, música e design.
Os cavalos ocupam um espaço especial nessa história.
Ao recordar os primeiros meses no Brasil, o cantor destacou justamente o aprendizado da equitação entre as experiências que mudaram sua percepção sobre o campo.
A convivência com trabalhadores rurais e animais contribuiu para transformar uma visita casual em uma ligação duradoura com a propriedade.

Foto: Matueté Villas
Essa relação aparece até na forma como Kravitz apresenta o lugar. Em vez de tratar a área apenas como uma residência brasileira, o músico já apareceu montado a cavalo e fez questão de destacar publicamente sua condição de proprietário de uma fazenda.
Em 2024, durante apresentação no Brasil, levou essa relação novamente ao palco ao afirmar que os brasileiros o haviam transformado em fazendeiro e que o Brasil é um lugar que pode chamar de casa.
Com o passar dos anos, a Fazenda São Tomé também ganhou outra dimensão econômica.
A propriedade chegou a ser disponibilizada para hospedagens de alto padrão. Em 2024, os valores divulgados começavam em aproximadamente R$ 18 mil por diária e podiam alcançar R$ 25 mil em feriados, transformando o espaço em uma experiência de turismo de luxo associada ao nome do músico.
Entre as estruturas apresentadas estavam piscina, academia, sauna, jacuzzi, campo de futebol, áreas para atividades com cavalos, churrasqueira e horta.
Ainda assim, talvez o ativo mais difícil de reproduzir comercialmente esteja do lado de fora das construções: centenas de hectares de mata, áreas produtivas, animais, água e isolamento rural a poucas horas de grandes centros urbanos.
É justamente essa combinação que ajuda a explicar por que uma visita inesperada teve impacto tão grande na vida do cantor.

Quase duas décadas depois do início dessa história, a fazenda continua aparecendo quando Kravitz fala sobre sua ligação com o país.
Em entrevista mais recente, o artista afirmou que mantém uma propriedade rural no Brasil, embora reconheça que não consegue visitá-la tanto quanto gostaria. Atualmente, sua rotina internacional também é dividida entre outros imóveis, principalmente nas Bahamas e em Paris.
Isso torna importante separar a história documentada de versões que circulam na internet. Publicações recentes afirmam que o cantor viria à propriedade pelo menos duas vezes por ano, mas essa frequência não aparece confirmada nas principais entrevistas disponíveis com o próprio Kravitz.
O que está amplamente documentado é ainda mais interessante: um dos artistas mais conhecidos do mundo chegou ao interior brasileiro para uma visita rápida, permaneceu seis meses, aprendeu a montar e a lidar com a rotina rural e decidiu comprar uma fazenda de aproximadamente 400 hectares.
Ali, uma antiga propriedade cafeeira ganhou uma segunda vida sem abandonar completamente sua origem.
Entre café, frutas, hortaliças, bovinos, cavalos, cachoeiras, arquitetura histórica e música, Lenny Kravitz construiu no interior do Rio de Janeiro algo que vai além de uma residência de celebridade.
Construiu sua própria conexão com o campo brasileiro.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.