Zé Trovão foi condenado à prisão por incitar violência e atos antidemocrático nas manifestações de 7 de setembro.
BRASÍLIA — Após ter passado quase dois meses foragido no México, o líder caminhoneiro bolsonarista Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, retornou ao Brasil e se entregou nesta terça-feira à Polícia Federal em Joinville (SC). Ele foi alvo de uma ordem de prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, decretada em 1º de setembro, por incitar violência e atos antidemocráticos nas manifestações de 7 de setembro.
De acordo com fontes que acompanhavam o paradeiro dele, Zé Trovão teria viajado do México para o Peru na semana passada com o objetivo de retornar para o Brasil. De lá, Zé Trovão teria voltado ao país no último final de semana e ficou escondido alguns dias com sua família, até se entregar hoje.
Apesar da ordem de prisão, as autoridades mexicanas não chegaram a prender Zé Trovão. Seu nome ainda não tinha sido incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, por isso ele não poderia ser preso no exterior.
Aconselhado por seus advogados, o Zé trovão decidiu, então, se entregar. A defesa agora vai tentar converter a prisão preventiva em medidas cautelares, para permitir que ele cumpra prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Essa medida já foi adotada contra outros alvos da investigação dos atos do 7 de setembro. “Está ao dispor da Justiça para provar sua inocência. Na sequência, a defesa formulará pleitos de liberdade”, afirmaram em nota os advogados Elias Mattar Assad e Thaise Mattar Assad.
Zé Trovão divulgou um vídeo nas redes sociais pouco antes de se entregar. Relatou ter saído do Brasil para continuar falando nas redes sociais e incentivando as manifestações do 7 de setembro, que motivaram a sua prisão.
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Zé Trovão era dono do canal no Youtube “Zé Trovão a voz das estradas”, que, antes de ser retirado do ar, tinha mais de 40 mil inscritos. Em seus vídeos e postagens, chamava a população para ir a Brasília e exigia a “exoneração dos 11 ministros do STF”. Em outras publicações, fez ataques à CPI da Covid, no Senado, além de ter participado de “motociatas” em favor do presidente Jair Bolsonaro. No final de agosto, mesmo proibido de usar as redes sociais, Zé Trovão participou de uma live feita pelo blogueiro Oswaldo Eustáquio. À época, o caminhoneiro continuou incitando a realização de atos contra o Supremo.

Fonte: O Globo