Lucro médio por bovino confinado nos EUA é 25 vezes superior ao brasileiro

Para que o sistema de confinamento brasileiro atingisse a mesma rentabilidade dos Estados Unidos em um período de 395 dias, o preço da arroba comercializada precisaria se situar em torno de R$ 450,00. Confinar nos Estados Unidos compensa mais?

Recentemente, o mercado pecuário tem sido alvo de intensos debates devido aos preços praticados pela arroba do bovino terminado [confinamento bovino nos EUA] nos Estados Unidos, atingindo aproximadamente US$99,00 por arroba, equivalente a cerca de R$520,00. Em contraste com o mercado brasileiro, especificamente tomando São Paulo como referência, essa diferença representa um ágio de R$290,00, com a arroba hoje negociada a R$230,00, preço bruto e prazo.

Essa disparidade de preços é atribuída a diversas variáveis, incluindo diferenças produtivas entre os sistemas de produção adotados nos dois países. Notavelmente, os Estados Unidos registraram recentemente o menor número de cabeças de gado em sua história desde 1951, enquanto a demanda interna permanece sólida e em constante crescimento, contribuindo para a atratividade dos preços.

Para contextualizar, o total de cabeças de gado em 1º de janeiro de 2024 foi de aproximadamente 87 milhões, o que representa uma queda de 2% em relação ao ano anterior. Esse declínio é parte de uma tendência de redução contínua ao longo dos últimos anos, influenciada por fatores como secas persistentes, aumento nos custos de alimentação e taxas de juros elevados. Como consequência, há uma pressão nos preços da carne bovina.

Quanto as diferenças produtivas entre os sistemas de produção bovina do Brasil e dos Estados Unidos são evidenciadas por características distintas em estrutura, práticas de manejo e eficiência operacional. Essas diferenças incluem variações em raças bovinas, condições climáticas, disponibilidade e custos de insumos, terras, mão de obra, tecnologia e transporte.

Confinamento bovino nos EUA

Uma recente visita realizada pela equipe do Notícias do Front a uma propriedade nos Estados Unidos forneceu dados relevantes sobre o sistema de produção intensivo adotado. Os bovinos são introduzidos como bezerros leves da raça holandesa, passando por um período de 13 meses de confinamento, com um custo de baia de US$11,86 por cabeça (equivalente a R$65,50).

São abatidos aos 17 meses, com um peso vivo final de 601,6kg e um rendimento padrão de 63%, resultando em um peso final de 25,26@ de carcaça. Considerando o preço médio de venda por arroba nos Estados Unidos, que é de US$98,06, o preço médio por cabeça, sem a premiação PRIME, alcança US$2.477,75 (cerca de R$13.057,75).

confinamento bovino nos EUA
Confinamento bovino nos EUA em comparação ao confinamento bovino no Brasil. Fonte: Scot Consultoria

No que concerne à rentabilidade do confinamento bovino nos EUA, o custo de produção por bovino na fazenda analisada foi de US$1.923,86 por cabeça, gerando um lucro de US$553,86 por cabeça (equivalente a R$2.918,84). Estes dados, por si só, demonstram a substancial diferença de rentabilidade entre os sistemas.

A fim de estabelecer um comparativo com o contexto brasileiro, utilizando dados do Confina Brasil atualizados para 15/4, observamos um cenário de 106,6 dias de alimentação no cocho, com um ganho médio diário de peso de 1,6kg e um custo diário de R$15,80. O custo de aquisição de um boi magro é de R$2.906,25. Considerando o preço da arroba em R$236,20, o lucro médio por cabeça é de R$112,98.

Rodrigo Albuquerque, visitou algumas propriedades rurais e confinamentos no Estado da Califórnia, lado Oeste dos Estados Unidos e ficou impressionado com uma fazenda de 150.000 bezerros holandeses confinados. O especialista participou do SilvaFeed Tour Califórnia 2024. Confira o vídeo abaixo:

Principais diferenças entre os confinamentos de bovinos dos EUA e do Brasil

As práticas de confinamento de bovinos nos Estados Unidos e no Brasil apresentam algumas diferenças importantes devido a variações climáticas, econômicas e regulatórias. Aqui estão algumas das principais diferenças:

  1. Escala e Automação :
    • EUA : Os confinamentos tendem a ser em uma escala muito maior, muitas vezes acomodando milhares de animais. A indústria é altamente automatizada e tecnologicamente avançada.
    • Brasil : Embora existam grandes confinamentos, especialmente no Centro-Oeste, muitos são menores e menos automatizados em comparação com os americanos. A tecnologia está avançando, mas ainda há uma variação significativa na adoção de novas tecnologias.
  2. Clima e Manejo Ambiental :
    • EUA : Em muitas regiões, especialmente nas grandes barreiras, o clima é mais temperado, permitindo diferentes práticas de manejo que não são viáveis ​​em climas mais tropicais ou úmidos.
    • Brasil : O clima tropical e subtropical em muitas áreas influencia fortemente as práticas de confinamento, com necessidades aumentadas para controle de parasitas e doenças, além de adaptações para lidar com o calor excessivo.
  3. Tipos de Rações :
    • EUA : A dieta é predominantemente baseada em grãos, especialmente milho, o que é facilitado pelo acesso fácil e personalizado relativamente baixo dos insumos.
    • Brasil : Embora o grão também seja utilizado, há uma maior dependência de forragens e subprodutos agrícolas como a silagem de cana-de-açúcar, devido à disponibilidade e aos custos.
  4. Regulamentações :
    • EUA : Existem regulamentações estritas sobre a qualidade dos alimentos, bem-estar animal, e impactos ambientais dos confinamentos, com fiscalização ativa pelo USDA e pela EPA.
    • Brasil : As regulamentações também são rigorosas, mas podem variar mais entre os estados. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) regula essas práticas, e há um foco crescente em sustentabilidade e bem-estar animal.
  5. Mercados e Objetivos de Produção :
    • EUA : O foco é frequentemente na maximização da eficiência e na produção em larga escala para atender não apenas o mercado interno, mas também para exportação.
    • Brasil : Além do mercado interno, o Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina, e o confinamento é cada vez mais usado para melhorar a qualidade da carne para mercados externos exigentes, como a Europa e a Ásia.
Imagem gerada pelo Compre Rural.

Essas diferenças refletem as adaptações possíveis para operar em contextos econômicos, ambientais e regulatórios diferentes em cada país.

Confinar nos Estados Unidos compensa mais?

Essa disparidade nos lucros entre os dois países é notável, com o lucro médio por cabeça nos Estados Unidos sendo 25 vezes superior ao brasileiro. Além disso, é importante ressaltar que, em uma análise rápida, sem considerar alterações nos custos de produção, para que o sistema de confinamento brasileiro atingisse a mesma rentabilidade em um período de 395 dias, o preço da arroba comercializada teria que se aproximar de R$370,00. Para alcançar a mesma rentabilidade dos Estados Unidos, o preço da arroba precisaria se situar em torno de R$450,00.

Compre Rural com algumas informações da Scot Consultoria

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