Lula critica taxação do aço brasileiro pelos EUA e ameaça denunciar na OMC ou adotar medidas de retaliação comercial.
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não tem relacionamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que qualquer taxação de produtos brasileiros nos EUA, como o aço, por exemplo, poderá ter como reação a taxação de produtos americanos no Brasil.
Trump assinou, na segunda-feira, 10, duas ordens executivas impondo uma tarifa de 25% sobre aço e alumínio de todos os países globalmente. O Brasil, segundo maior fornecedor de aço para os EUA, é um dos atingidos.
O governo brasileiro está discutindo como reagir em relação ao caso. Os principais conselheiros escolhidos por Lula para discutir o tema até aqui foram o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro da Indústria, Comércio e Serviços.
Na quinta-feira, 13, Trump também anunciou tarifas recíprocas para todos os países. No Brasil, a medida deve afetar a exportação de etanol para os americanos. Hoje o Brasil impõe uma tarifa de 18% à importação de etanol de milho dos EUA.
Em entrevista à Rádio Clube do Pará na manhã desta sexta-feira, 14, Lula disse, em relação à taxação do aço brasileiro, que o Brasil deverá “reagir comercialmente”, “denunciar na OMC” ou “taxar produtos que a gente importa deles”.
“Enquanto os EUA tiverem a relação civilizada e harmônica com o Brasil, está tudo bem. Agora, ouvi dizer que vai taxar o aço brasileiro. Se taxar, vamos reagir comercialmente ou vamos denunciar na OMC ou vamos taxar os produtos que a gente importa deles. A relação do Brasil com os EUA é muito igualitária. Eles importam US$ 40 bilhões. Nós importamos US$ 45 bilhões”, disse o presidente da República.
Lula disse que o relacionamento entre Brasil e EUA é entre os Estados, não entre os presidentes. Afirmou não ter conversado com Trump desde sua posse, por exemplo. Sugeriu, ainda, que os Estados Unidos tenham deixado de se preocupar com a democracia e com o livre mercado em nível mundial e tenham adotado um discurso protecionista.
“Estou preocupado de que os EUA, depois da Segunda Guerra Mundial, virou uma espécie de patrono da democracia e xerife do mundo. Agora, o discurso não é mais esse. A democracia não está mais valendo tanto. Eles, que defendiam o mercado livre, agora estão defendendo o protecionismo. É os EUA para os americanos, tudo para os americanos, vou taxar todos os produtos, vou tomar a Groenlândia, anexar o Canadá”, disse.
Eu me preocupo com isso porque o que está em risco no mundo é a democracia e eles estão agora negando tudo isso”, completou.
Lula disse que o Brasil quer paz, não guerra. “Não queremos atrito com ninguém. O Brasil não tem contencioso internacional. Queremos paz e tranquilidade. Se o Trump tiver esse comportamento com o Brasil, teremos esse comportamento com os EUA. Agora, se tiver alguma atitude com o Brasil haverá reciprocidade”, disse. E reiterou esperar que o presidente americano, Donald Trump, “saiba que o mundo precisa de tranquilidade, e não nervosismo”.
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