Estrutura no Parque do Peão reúne 700 baias, clínica veterinária 24 horas, fisioterapia, exames de imagem e unidade móvel de resgate; cuidados começam antes mesmo do desembarque
Mais de 3 mil animais que participam da 71ª Festa do Peão de Barretos passam por uma rotina de controle sanitário, acompanhamento veterinário e protocolos de bem-estar durante a permanência no Parque do Peão. Em 2026, a estrutura disponível inclui 700 baias, clínica veterinária funcionando 24 horas, fisioterapia, raio-X, ultrassonografia e uma unidade móvel para resgate de animais de grande porte.
Os cuidados começam antes mesmo de cavalos e demais animais desembarcarem no complexo. A entrada exige documentação sanitária e identificação, e o acompanhamento continua antes, durante e depois das competições.
Controle começa antes do desembarque
O primeiro procedimento ocorre na chegada ao Parque do Peão. Para a entrada dos animais é exigida a apresentação da Guia de Trânsito Animal (GTA) e da documentação sanitária correspondente.
No caso dos equinos, estão entre as exigências os laudos laboratoriais para Anemia Infecciosa Equina (AIE) e Mormo. A identificação também inclui a conferência de microchips, seguindo protocolos sanitários e diretrizes dos órgãos responsáveis.
À frente da responsabilidade técnica do Parque do Peão há 44 anos está o médico-veterinário Marcos Sampaio de Almeida Prado, conhecido como Dr. Kiko. Segundo ele, a estrutura destinada à saúde e ao bem-estar animal passou por uma evolução significativa ao longo das últimas décadas.
“Em 44 anos, vimos uma evolução muito grande nos protocolos de saúde e bem-estar animal. Hoje, temos uma estrutura muito mais completa, com profissionais especializados, exames, fisioterapia e atendimento de emergência. O objetivo é garantir que o animal esteja em boas condições desde a chegada ao Parque, durante as provas e também no período de recuperação. O bem-estar do animal vem sempre em primeiro lugar”, afirma Dr. Kiko.
O trabalho também conta com a médica-veterinária Lara Almeida Prado, filha de Dr. Kiko, que participa das avaliações e fiscalizações desde a entrada dos animais até o período posterior às competições.
Parque do Peão conta com 700 baias
Após a liberação sanitária, os animais seguem para uma estrutura formada por 700 baias individuais, cobertas e com ventilação cruzada.
A operação reúne ainda 25 profissionais de apoio logístico, cinco médicos-veterinários contratados e 30 estagiários, distribuídos entre diferentes frentes de acompanhamento.
Durante as provas, situações que exijam atendimento ainda na arena ou na hípica podem contar com a S.O.S. Arena – Resgate Animal, unidade móvel equipada com maca hidráulica, sistema de contenção e estrutura para atendimento de animais de grande porte.
“A ideia é ter uma estrutura preparada para acompanhar o animal em todas as etapas. Desde a conferência da documentação e da condição sanitária na chegada até o atendimento durante as provas e a recuperação depois delas. Ter os profissionais e os equipamentos dentro do Parque dá mais agilidade e segurança para qualquer situação que possa surgir”, explica Lara Almeida Prado.
Clínica veterinária funciona 24 horas
A poucos metros das baias, no camping dos competidores, funciona uma clínica veterinária 24 horas.
No próprio Parque do Peão podem ser realizados atendimentos emergenciais, avaliações clínicas, fisioterapia, raio-X e ultrassonografia, reduzindo a necessidade de deslocamento quando a estrutura local é suficiente para atender o animal.
Além das emergências, o trabalho inclui avaliações preventivas e acompanhamento das condições físicas. Os protocolos adotados nas diferentes modalidades também consideram referências técnicas do setor e orientações da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM).
Cuidados antes e depois das provas
Parte do trabalho é destinada à preparação e à recuperação física dos animais. O acompanhamento fisioterapêutico inclui suporte ortopédico no pré e pós-prova e procedimentos de recuperação entre baterias classificatórias e finais.
“Os animais que chegam aqui são atletas e, na maioria dos casos, já têm uma rotina de cuidados e acompanhamento em casa. Nosso trabalho é dar continuidade a esse suporte durante a competição, observando as condições de cada animal antes e depois das provas. O objetivo é que ele tenha tempo e condições adequadas para se recuperar entre uma disputa e outra”, explica Lara.
As condições climáticas de Barretos em agosto também são consideradas. Diante do tempo seco e da poeira, quando necessário são realizadas sessões de nebulização e inalação para auxiliar na hidratação das vias respiratórias dos cavalos submetidos a esforço físico intenso.
Animal sem condições não entra na arena
As avaliações veterinárias também podem determinar se um animal está ou não apto a competir. Caso sejam identificados sinais de dor, desconforto ou qualquer condição que possa comprometer seu bem-estar, o médico-veterinário responsável pode impedir a participação e recomendar repouso ou atendimento.
O acompanhamento ocorre durante toda a competição, observando a condição física antes, durante e depois das provas. Proprietários e competidores também recebem orientações da equipe veterinária quando há necessidade de interromper a participação do animal.
“O mais importante é entender que o animal não é avaliado apenas no momento da prova. Existe todo um acompanhamento antes, durante e depois. Se ele não estiver em condições adequadas, não entra na arena. Essa é uma responsabilidade que temos com cada animal que está aqui”, reforça Dr. Kiko.
Assim, o trabalho não termina quando o animal deixa a pista. A recuperação e as condições físicas continuam sendo monitoradas durante sua permanência no Parque do Peão, com foco na saúde, segurança e bem-estar.
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