Segundo relatório apresentado pela Emater-RS, o número de propriedades com produção leiteira caiu 60% entre 2015 e 2023; Entre os fatores que contribuem para que as famílias deixem a atividade leiteira constam o preço pago pelo litro do leite, apontado por 49,89%.
O aumento no volume médio diário de produção de leite contrasta com a significativa redução no número de estabelecimentos produtores de leite ligados à indústria, que tem deixado a atividade nos últimos anos. O número de produtores de leite no Rio Grande do Sul caiu 60,78% entre 2015 e 2023, com mais de 50 mil criadores de gado leiteiro abandonando a atividade. Em 2015, 84.199 estabelecimentos rurais produziam leite no RS. Em 2023, apenas 33.019 seguem na atividade. Mais quais os motivos desse êxodo da atividade leiteira?
A informação consta no Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite, divulgado na tarde desta quinta–feira (31/08) na Casa da Emater/RS-Ascar na Expointer, em Esteio (RS). A feira agropecuária – considerada a maior feira da América Latina no setor -, que se encerra neste domingo (03/09), foi palco de manifestações de produtores de leite e agentes do setor, que protestaram contra a crise no setor e criticaram, a nível nacional, a grande competição desigual com produtos lácteos importados dos países do Mercosul.
Produtores de leite deixam a atividade
A debandada dos produtores da atividade leiteira vem ocorrendo a anos, mas se intensificou nos últimos dois anos, diante do elevado custo de produção e perda da competitividade com aumento das importações. O relatório, que está na quinta edição, aponta que o número de produtores de leite vinculados à indústria passou de 40.182 em 2021, para 33.019 em 2023, uma redução de cerca de 18%.
Entretanto, o número fica ainda mais expressivo quando comparado ao primeiro ano de realização do diagnóstico (2015), que indicava a existência de 84.199 estabelecimentos, o que corresponde a uma redução de 60,78% em oito anos. Entre os fatores que contribuem para que as famílias deixem a atividade leiteira constam o preço pago pelo litro do leite, apontado por 49,89%, a mão de obra (45,96%), o custo de produção (42,11%) e a dificuldade na sucessão familiar (41,91%).
Segundo o extensionista rural e assistente técnico estadual da Emater/RS-Ascar, Jaime Ries, ressalta que a saída de agricultores da atividade é preocupante. Mas, é preciso pensar nas famílias que permanecem na atividade. “Temos que nos preocupar com quem está saindo, mas também temos que dar apoio para aqueles que querem continuar progredindo e melhorando. Temos que produzir de forma digna e com renda para ter qualidade de vida”, destaca.
Êxodo de produtores de leite e o aumento no volume produzido por estabelecimento
O levantamento da Emater-RS, aponta um crescimento de 14% em média na produção quando comparados os anos de 2021 e 2023, mesmo com produtores deixando a atividade. Em 2023 foram produzidos 317,17 litros/dia/estabelecimento enquanto em 2021 o volume registrado foi de 278,15 litros/dia/estabelecimento. O documento foi elaborado pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), e reúne informações coletadas pelos extensionistas rurais nos 497 municípios do Estado.

Mas, quanto ao volume de leite produzido anualmente pelos empreendimentos ligados à indústria, a redução foi de 8,91% quando comparado aos dados de 2015 (4.212.031.137 litros) e 2023 (3.836.803.185 litros). A redução no volume de leite produzido se deve a diversos fatores, tais como a falta de chuva que resulta na redução das pastagens (tanto em volume quanto em qualidade) e para a dessedentação animal, o aumento no custo do alimento concentrado e o estresse calórico.
“O volume basicamente consegue se manter porque os produtores que saem da atividade são produtores de menor volume de produção e de área. Em 2015 predominavam os produtores com até 100 litros de leite por dia. Hoje predominam as faixas de produtores entre 200 e 500 litros de leite ao dia”, explica Ries.
Dados importantes
Outro dado apresentado no relatório é que a maior parte da produção leiteira no Estado continua a ser à base de pasto com suplementação, representando 84% das Unidades de Produção. No entanto, muitos produtores migraram para a produção em semiconfinamento (10,65%) e em confinamento (5,35%).
Quanto ao padrão genético, a predominância é de animais da raça Holandês (67,03%), seguida pela Jersey (15,65%) e Holandês X Jersey (13,74%). O número médio de vacas leiteiras por estabelecimento também registrou aumento, sendo de 23,31. Quando comparado a 2015, quando a média de animais por estabelecimento era de 13,95, o aumento no rebanho teve um crescimento de 67,10%.
Quanto à produtividade, esta passou de 11,76 litros/vaca/dia em 2015, para 15,37 litros/vaca/dia em 2021 e 16,34 litros/vaca/dia em 2023. Um crescimento de 39,01% quando comparado o período de 2015 a 2023. Isso se deve à capacitação dos agricultores, que têm investido na profissionalização da atividade para produzir leite de qualidade e reduzir os custos de produção.

Elaboração e futuro do setor no estado
Para a elaboração do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite, a Emater/RS-Ascar contou com o apoio das prefeituras, Inspetorias de Defesa Agropecuária, Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Conselhos Municipais de Agricultura, associações e grupos de produtores e Indústrias, agroindústrias, cooperativas e empresas de laticínios. Para saber mais sobre o relatório, nos próximos dias o documento será disponibilizado no site da Emater/RS-Ascar e enviado aos escritórios municipais da Instituição e entidades parceiras. Além disso, no fim do ano, em um documento impresso.
A proposta da Instituição é que as informações apresentadas sejam debatidos pelas entidades envolvidas na cadeia produtiva do leite em cada município para que sejam discutidas formas de estimular essa importante cadeia produtiva no Rio Grande do Sul.
Estiveram presentes na divulgação do relatório diversas lideranças do setor. Entre eles o secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), Ronaldo Santini, e o secretário adjunto da SDR, Lindomar Moraes, a presidente da Emater/RS, Mara Saalfeld, e os diretores técnico e administrativo, respectivamente, Claudinei Baldisera e Alexandre Durans.
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