Mata Atlântica e a Pecuária – em busca de um modelo sustentável

Mata Atlântica e a Pecuária – em busca de um modelo sustentável

Foto: Divulgação

Estima-se que mais da metade do rebanho brasileiro está nos biomas do Cerrado e da Amazônia, o que gerou uma discussão sobre o modelo de pecuária implantado

A pecuária de corte e de leite está presente em todos os biomas brasileiros. Nos últimos anos, a pecuária ficou em evidência nos biomas do Cerrado e da Amazônia pelo fato de sua atuação ser significativa.

Estima-se que mais da metade do rebanho brasileiro esteja nestes dois biomas, o que acabou gerando uma ampla discussão sobre o modelo de pecuária implantado, seus impactos, tanto positivos como negativos nestes biomas.

Já a Mata Atlântica, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, a área de pastagem, que entre os anos de 2006 a 2012, sofreu redução mais de 13%, voltou a crescer e, hoje, apresenta uma área de aproximadamente 30 milhões hectares, o que justifica uma nova análise voltada para esse bioma.

Este artigo trata da análise do modelo de pecuária no bioma Mata Atlântica, visando iniciar uma discussão sobre a necessidade de adequação da atividade de acordo com a legislação ambiental e, principalmente, desenvolver um modelo sustentável e viável economicamente.

A Mata Atlântica é um ecossistema considerado como um dos mais importantes em biodiversidade do planeta, bem como um dos biomas mais ameaçados do mundo; de acordo com trabalhos científicos é considerado um “hotspot” para a conservação.

Foto: Divulgação/animalbusiness
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Citado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e, segundo o Decreto nº 5092 de 21/05/2004 no âmbito das atribuições do Ministério do Meio Ambiente, MMA, o Bioma Mata Atlântica é área prioritária para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade.

Os ciclos econômicos, notadamente o do café, pecuária e pastagens, foram responsáveis pela substituição da mata original por áreas produtivas, levando à redução da vegetação nativa a menos de 10% dos níveis do século XVI.

A Mata Atlântica originalmente estendia-se por 1.300.000 km², ou cerca de15% do território nacional, ao longo da costa brasileira entre os paralelos 30ºS (Rio Grande do Sul) e 6ºS (Rio Grande do Norte). Atualmente, restam menos de 8% da área original.

Na região Sul, o bioma abrange os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde se destacam o plantio de lavouras de trigo, arroz, milho, soja, café, cultivos de eucaliptos e pinus, além da pecuária de corte e de leite.

Nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, na região Sudeste, destacam-se a produção da cana-de-açúcar, soja, citros, cultivos de eucaliptos e pinus, as lavouras de algodão, milho, arroz, mamona e amendoim, e também a pecuária de corte e leite, entre outros.

A Zona da Mata ou Mata Atlântica do Nordeste corresponde à parte da fachada oriental da região, e abrange porções do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. É uma faixa territorial onde a cana-de-açúcar é a cultura mais expressiva, seguida da pecuária de corte com pastagens introduzidas, da fruticultura e do reflorestamento com eucalipto para madeira e bioenergia.

Além disso, dadas as suas características topográficas, onde grande parte dos locais com potencial produtivo estão localizados em áreas de preservação permanente, as atividades agropecuárias e de silvicultura ficam restringidas pelas disposições da legislação ambiental.

O modelo da pecuária no bioma Mata Atlântica foi caracterizado pela ausência de árvores nos pastos, como foto abaixo, presença de processos erosivos e baixa produtividade com lotação que não atinge 1 cabeça por hectare.

Foto: Divulgação/animalbusiness
Presença de processos erosivos e baixa produtividade com lotação que não atinge 1 cabeça por hectare.
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O modelo da pecuária sustentável para o bioma Mata Atlântica deve ser caracterizado pela presença de árvores nos pastos, adequação ambiental de acordo com a legislação vigente, e pelo aumento da produtividade.

Os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta ganham especial destaque, como alternativa de uso do solo, na medida em que proporcionam maior sustentabilidade da produção agrossilvipastoril, pela melhoria de atributos biológicos, físicos e químicos do solo, melhores condições de conservação da água e do solo, principalmente em relevos acidentados e susceptíveis à erosão.

É ilustrado com foto a seguir o modelo silvipastoril com presença de eucalipto e pastos com produtividade de até 3 cabeças por hectare. Este modelo representa um aumento de renda por hectare através do valor da madeira, além de viabilizar o bem-estar animal com a presença de sombra para o rebanho.

Foto: Divulgação/animalbusiness
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O modelo de uma pecuária sustentável no bioma Mata Atlântica se justifica pela necessidade de restauração das áreas ambientais e recuperação das áreas de pastagens, visando um modelo de produção sustentável que promova a viabilidade técnica, econômica e socioambiental das regiões e propriedades. Ou seja, um modelo que promova os impactos positivos no meio ambiente e no sistema produtivo.

Impactos positivos da Pecuária Sustentável

Os impactos positivos de um modelo de pecuária sustentável podem ser representados pelo efeito promovido no meio ambiente e na produção.

O modelo sustentável promove impactos na preservação dos recursos naturais da propriedade, principalmente nos recursos hídricos pela perpetuação do fluxo de água e a garantia de fornecimento para os sistemas de produção e atendimento da infraestrutura geral.

Um outro fator de produção, fundamental para o aumento da produtividade, é a conservação da capacidade produtiva dos solos. O manejo de solo é a base de pastagens produtivas e, consequentemente, aumento da produtividade através do aumento da capacidade de suporte e lotação animal.

Os impactos positivos ao meio ambiente e a produção são pilares essenciais para o desenvolvimento de uma pecuária sustentável e são resumidos a seguir:

Impactos ambientais:

  • Oferta de água de qualidade
  • Aumento da Biodiversidade
  • Solos preservados e sustentáveis

Impactos produtivos:

  • Aumento da capacidade de suporte da pastagem
  • Menor ocorrência de pragas e doenças na pastagem
  • Menor ocorrência de doenças no gado
  • Melhora do bem-estar animal
  • Maior produtividade em arroba (@)/ hectare (ha)/ano

Avicultura sustentável uma solução para produção de proteína animal de alto valor nutricional e biológico

O mercado de carne de frango e ovos, provenientes de sistemas sustentáveis (agroecológicos, orgânico, caipira, certificação de bem-estar animal, certificação de produtos sem antibióticos e promotores de crescimento e outros sistemas alternativos), aumenta sua demanda à medida que aumenta a consciência do consumidor para a sua saúde.

Esse mercado é caracterizado pela presença de diversas marcas e diferentes formas de apresentação do produto.

O setor produtivo e industrial avícola está voltado para atender o consumidor, tanto na praticidade de consumo, como para produtos temperados, desossados, pré-assados e com cortes diferenciados.

São utilizadas diversas tecnologias como a Individually Quick Frozen, IQF, técnica de congelamento rápido que congela um corte por vez, proporcionando ao consumidor que descongele somente os cortes que irão utilizar, evitando desperdício e degradação do alimento.

A divulgação e marketing das grandes empresas do setor estão voltadas para um esclarecimento ao consumidor, como, por exemplo, rótulos com evidencias de não uso de hormônio, mesmo que a utilização de hormônio já seja proibida, de acordo com instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, MAPA, número 17/2004.

Ou seja, o argumento de marketing é a evidência de que mesmo com a lei, direciona-se a imagem do produto com a saúde do consumidor.

O mercado de produtos avícolas provenientes de sistemas sustentáveis é caracterizado por pequenas e médias empresas, a oferta de produtos é reduzida tanto em número de marcas como tipos de produtos quando comparado a grande indústria avícola.

Os sistemas de produção sustentável de avicultura são baseados nos princípios da agroecologia e buscam um equilíbrio entre a produção, o bem-estar animal, a conservação dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente.

Foto: Divulgação/animalbusiness
Foto: Divulgação/animalbusiness

O modelo produtivo agroecológico de aves é baseado em um conjunto de práticas no manejo genético, nutricional, sanitário e nas instalações a serem utilizadas.

O modelo produtivo pode variar de acordo com o objetivo da produção, ou seja, carne ou ovos.

Como exemplo, os sistemas agroecológicos de postura adotam animais mais rústicos, em geral, aves com ovos de coloração avermelhada mais intensa. A tabela abaixo apresenta as principais raças de aves, mostrando também suas principais características.

Tabela 1: Principais Raças de aves poedeiras

Tabela 1: Principais Raças de aves poedeiras
Tabela 1: Principais Raças de aves poedeiras

Para a produção de aves para abate, a escolha da raça também é um parâmetro importante. Aves com melhor conversão alimentar e desenvolvimento precoce representam menores gastos com alimentação, maior receita devido aos menores custos e, consequentemente, maior lucratividade.

Tabela 2: Raças de Corte

Tabela 2: Raças de Corte
Tabela 2: Raças de Corte

Definido o foco da produção e a raça, é importante estabelecer o número de animais e se o sistema adotado, se somente pela recria e postura, ou então recria e engorda ou se a cria também será realizada na propriedade.

Essa decisão influencia diretamente no dimensionamento das instalações, na mão de obra e nos cuidados, já que a cria é a fase que demanda maior atenção com os animais devido à fragilidade dos pintinhos e os cuidados sanitários.

As instalações são caracterizadas por áreas cobertas e áreas abertas com piquetes que devem ser formados por gramíneas e conter uma área de 2,0 m² por animal. O mesmo deve ser cercado por tela. O abrigo deve conter comedouros, bebedouros, ninhos e poleiros com acesso livre para os animais.

Para um melhor aproveitamento dos alimentos e da água, o comedouro e bebedouro devem ser regulados na altura no peito da ave. Os poleiros podem ser horizontais (preferencialmente) ou verticais, respeitando um espaço por ave de 0,30m.

Os ninhos podem ser individuais (0,35x,40×0,40) ou coletivos com área de 1,40m² para cada quatro aves, a coleta dos ovos precisa ser feita pelo menos 3 vezes ao dia, evitando assim a quebra ou contaminação (exigência da instrução normativa 46/MAPA, Lei 10.831, da produção orgânica).

A uniformidade dos lotes permite realizar uma nutrição mais adequada, seguindo um balanceamento contendo fontes energética, proteica, suplementos vitamínicos e minerais, alimentação e fornecimento de folhosas.

Devido à queda de alimentos no chão, deposição de fezes e umidade provocada pelo bebedouro, recomenda-se que a cama seja revirada, diariamente, evitando mau cheiro e até mesmo o aparecimento de vetores. A troca total da cama deve ser realizada no mínimo uma vez a cada lote, dependendo das condições da mesma. Na saída do lote, toda a cama deve ser removida e a área deve ser desinfetada utilizando vassoura de fogo e pulverizando cal virgem em todas as partes do abrigo.

O modelo tecnológico para a avicultura sustentável tem evoluído de forma gradativa de acordo com o aumento da demanda de mercado. Pode-se levantar a hipótese de que este aumento de demanda é uma constatação sobre a aceitação dos produtos (frango e ovos) destes sistemas, ou seja, são produtos de qualidade e atendem a exigência dos consumidores.

Fonte: Animal Business

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