Meta climática do Brasil passa pela pulverização inteligente

Soluções tornam uso dos defensivos mais assertivo, reduzem a aplicação, protegem áreas próximas e mitigam a emissão de poluentes

Práticas arcaicas no agronegócio causam problemas ambientais, como o desmatamento, a emissão de poluentes e as agressões à biodiversidade brasileira. Tal cenário se volta contra as próprias produções agrícolas, que sofrem com mudanças climáticas bruscas. Felizmente, soluções estão surgindo graças ao franco desenvolvimento tecnológico no campo.

Medidas adotadas pelo Governo brasileiro para o setor, com foco em tecnologias sustentáveis, também serão pauta na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 26). Como o Plano ABC, política que adota tecnologias para diminuir o impacto ambiental na agropecuária.

Durante a Cúpula do Clima, o presidente da Embrapa, Celso Moretti, destacou como a ciência tem contribuído no Brasil para a diminuição dos Gases de Efeito Estufa (GEEs) e para a gestão eficiente dos recursos naturais.

Pulverização inteligente

Também nesse sentido, outras soluções tecnológicas têm contribuído. A pulverização inteligente e monitorada de defensivos agrícolas pode ser, por exemplo, uma das chaves mais importantes para destravar as barreiras impostas ao trabalho pelas metas sustentáveis e climáticas discutidas na COP 26. E não só isso. As soluções têm funcionado desde a ampliação do abastecimento global de alimentos até a redução de gases emitidos pelas aeronaves que sobrevoam as plantações.

“Vivemos em um mundo onde ainda são necessárias, por exemplo, a aplicação de defensivos para garantir a produção em larga escala com eficiência e celeridade. Isso é o que a ciência nos mostra. E quem trabalha com tecnologia, no desenvolvimento de soluções, precisa ter isso em mente para elaborar saídas que otimizem e reduzam a utilização desse tipo de produto. Para que ele seja pulverizado apenas quando e onde for necessário. Assim conseguimos reduzir impactos ambientais, enfrentar a fome e construir um contexto mais favorável à preservação do meio ambiente e, consequentemente, ao cumprimento dos objetivos climáticos”, explicou Pedro Bonamichi, sócio proprietário, co-founder e líder de sustentabilidade da Perfect Flight, empresa pioneira que oferece sistema de gerenciamento e monitoramento de aplicações aéreas.

O uso dessas ferramentas já consegue diminuir em até 25% do total de defensivos usualmente aplicados nas produções. Mas outra redução importante também é destaque. Os softwares e instrumentos de ponta para o rastreio e acompanhamento da pulverização aérea de defensivos conseguem diminuir o tempo que os aviões responsáveis pelo trabalho ficam no ar. Com isso, são observadas quedas consideráveis no consumo de combustíveis e, claro, na dispersão de gás carbônico na atmosfera.

“E vamos além. Quando optamos por essa tecnologia, abandonando ou reduzindo o uso de pulverizadores terrestres, também estamos pensando no meio ambiente, pois a emissão de gás carbônico realizada por tratores e caminhões é muito maior do que a verificada em aviões. Inclusive porque esses veículos passam muito mais tempo ligados”, acrescentou Pedro.

Vale destacar que soluções como a da Perfect Flight conseguem também preservar áreas inteiras do contato direto ou até indireto com os defensivos, protegendo florestas, campos abertos, rios e outros espaços. Os recursos hídricos inclusive são mais preservados, visto que a tecnologia otimiza a utilização de água no processo de pulverização, diminuindo o desperdício do produto e prever até mesmo temporais e ventanias que possam espalhá-lo para outras regiões.

O uso de tecnologias no agro também é importante para o aumento da produtividade, considerando a oportunidade de gestão mais eficiente e inteligente do plantio. A opção por alternativas digitalizadas, conectadas a bancos de dados, suportadas por inteligências artificiais vai além, por permitir a programação exata de uma estratégia prévia, com foco, por exemplo, em promover a queda no desmatamento e outros prejuízos provocados às espécies das áreas plantadas. Ou o cálculo do caminho para a redução da área de plantio e o aumento da produção.

“Os produtores rurais e de tecnologias rurais precisam pensar juntos. O que é bom para o Agronegócio? Bom para o Agronegócio é uma produção mais consciente, é a redução do uso de agroquímicos, é deixar a terra descansar, deixar a natureza fazer o seu serviço, como sempre fez. A tendência é essa, que a agricultura volte cada vez mais para o orgânico, e agora com a ajuda da tecnologia. É lógico que a gente não pode achar que isso vai ser da noite para o dia, pois temos o desafio da alimentação em larga escala, por exemplo. Mas podemos ser mais conscientes, racionais e digitais”, concluiu Bonamichi.

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