Minerva contorna boi caro e lucra R$ 260 milhões no1º trimestre

Minerva contorna boi caro e lucra R$ 260 milhões no1º trimestre

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O lucro líquido, de R$ 259,5 milhões, representou uma redução de 4,3% na comparação anual, mas o resultado do início do ano passado já havia sido forte para a média da companhia.

A Minerva Foods contornou o impacto negativo da disparada do boi gordo no Brasil e conseguiu entregar um resultado expressivo no primeiro trimestre. O lucro líquido, de R$ 259,5 milhões, representou uma redução de 4,3% na comparação anual, mas o resultado do início do ano passado já havia sido forte para a média da companhia dos Vilela de Queiroz. 

O resultado, divulgado no início da noite desta terça-feira, bateu a expectativa do mercado, que projetava um lucro de R$ 123 milhões. A Minerva também superou, por larga margem, as projeções dos analistas para receita, Ebitda e geração de caixa.

No trimestre, a política de hedge cambial foi fundamental, com reflexo positivo de R$ 444 milhões. “A estratégia de hedge funcionou, não só protegendo o balanço, mas a linha de despesas financeiras”, afirmou o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, executivo que sempre criticou a tese do hedge natural. O índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou estável em 2,4 vezes. 

Se não tivesse proteção cambial, a Minerva reportaria uma perda — ainda que sem efeito sobre o caixa — em razão do aumento do valor em reais das dívidas em moeda estrangeira. No primeiro trimestre, o dólar se apreciou 9,6% ante o real. 

Além do efeito positivo no resultado líquido, a Minerva converteu parte dos ganhos com o hedge em caixa, ao rolar parte dos derivativos. De acordo com Ticle, o efeito do hedge cambial sobre o caixa totalizou quase R$ 230 milhões, o que contribuiu para o fluxo de caixa livre da companhia no trimestre. Entre janeiro e março, a Minerva registrou um fluxo de caixa positivo de R$ 309,2 milhões. Descontando o hedge, o fluxo ainda seria positivo — cerca de R$ 80 milhões. 

Operacionalmente, a Minerva mostrou que o peso do Brasil para o negócio foi reduzindo. Pela primeira vez, a Athena Foods — subsidiária que reúne os frigoríficos na Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia — foi a principal divisão, respondendo por 50% da receita. A operação brasileira ficou com 44% e o restante vem da área de trading.

Ao todo, a receita líquida da Minerva atingiu R$ 5,8 bilhões, crescimento de quase 40% na comparação anual. Na exportação, a receita cresceu 42%, para R$ 4,1 bilhões. A demanda aquecida, especialmente no Sudeste Asiático, beneficia os frigoríficos exportadores. Conforme o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, a queda da produção na Austrália ajudou — os abates no país, um importante concorrente no mercado internacional, estão no menor patamar em 36 anos, afirmou o empresário. 

Nesse ambiente de forte crescimento das vendas da Athena — os abates nos frigoríficos da subsidiária aumentaram 39,3%, a Minerva conseguiu incrementar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) mesmo com os resultados mais acanhados no Brasil. No primeiro trimestre, a Minerva registrou Ebitda de R$ 484,9 milhões, o que significa um aumento de 27% na comparação anual. A margem Ebitda, no entanto, ainda foi pressionada pelo disparada do boi no Brasil, recuando de 9,2% para 8,4%. 

Em entrevista, Ticle afirmou que as margens no Brasil foram muito ruins em janeiro e fevereiro — a Athena é que compensou o desempenho —, mas já apresentaram sinais de recuperação em março, ficando próximas de 8%. Ainda não é uma margem dos melhores momentos, mas está bem acima dos níveis dos frigoríficos que só vendem no mercado interno, que vêm amargando margens de 3%. 

Fonte: Valor Econômico.

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