Missão chinesa chega para avaliar frigoríficos brasileiros, e novas habilitações podem sair em breve

Auditoria passará por unidades em Rondônia e São Paulo e poderá abrir caminho para reabilitação de plantas, novos estabelecimentos e ampliação das vendas de miúdos ao principal mercado da carne bovina brasileira

Uma missão de autoridades sanitárias da China iniciou neste domingo, 13 de setembro, uma auditoria no sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal. A inspeção deve passar pelas unidades da JBS em Vilhena (RO), Minerva Foods em Rolim de Moura (RO) e Marfrig em Promissão (SP), avaliando na prática os controles sanitários adotados pelo Brasil. A visita é considerada estratégica diante da importância do mercado chinês para os frigoríficos nacionais.

A auditoria ocorre após a China suspender temporariamente diferentes unidades brasileiras ao longo de 2026. Em maio, plantas da JBS, Prima Foods e Frialto foram retiradas da lista de exportadores depois da identificação de resíduos de acetato de medroxiprogesterona em cargas. Uma unidade da SulBeef, em Várzea Grande (MT), também foi suspensa pelo mesmo motivo, enquanto a planta da JBS em Vilhena sofreu restrição após a detecção de progesterona.

O governo brasileiro espera que a inspeção permita reabilitar unidades suspensas, habilitar novos frigoríficos e ampliar o acesso de produtos como miúdos bovinos. “Esperamos reabilitar algumas plantas que foram temporariamente descredenciadas e habilitar novas plantas”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

A avaliação, entretanto, representa apenas uma etapa técnica: eventuais autorizações dependerão da análise e da decisão formal da Administração-Geral das Alfândegas da China.

A missão ganha ainda mais relevância após a forte redução das compras chinesas. Em agosto, o país asiático recebeu somente 16,1 mil toneladas de carne bovina in natura brasileira, queda de 89,8% na comparação anual.

A retração está ligada principalmente ao preenchimento da cota de 1,106 milhão de toneladas destinada ao Brasil, já que o volume excedente passou a enfrentar uma tarifa adicional de 55%. Apesar do recuo, o boi-China permaneceu cotado em torno de R$ 350/@ em São Paulo, segundo a Scot Consultoria.

Para pecuaristas e frigoríficos, uma eventual ampliação das habilitações aumentaria a concorrência pela boiada jovem e poderia fortalecer o prêmio pago pelo boi-China. O impacto, porém, não será imediato: além da aprovação das plantas, o mercado continuará condicionado à cota e às tarifas impostas por Pequim.

Até que a autoridade chinesa publique sua decisão, a visita deve ser tratada como um avanço técnico e diplomático, mas não como abertura já garantida.

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