Mudança climática também afeta preços dos mercados agrícolas

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Foto: Divulgação

“A frequência deste tipo de evento nos últimos anos nos faz pensar que os preços das matérias-primas agrícolas permanecerão elevados no futuro”, afirmou o analista do Rabobank.

Os fenômenos meteorológicos extremos são cada vez mais frequentes e provocam agitação nos mercados agrícolas, amplificando a instabilidade e elevando os preços de alguns produtos como trigo, café ou algodão. “As condições meteorológicas que provocaram tensões no mercado recentemente”, declarou à AFP Geordie Wilkes, um investidor de Sucden.

Após uma geada histórica no Brasil em julho, os preços do café arábica dispararam 35% em cinco sessões e desde então permaneceram em um nível máximo, a mais de 2 dólares a libra na ICE Futures US de Nova York.

A seca do início do ano no sudoeste do Canadá e no norte dos Estados Unidos também provocou a disparada dos preços do trigo, que permanace com uma cotação máxima histórica de quase 300 dólares a tonelada de trigo brando no mercado Euronext.

Wilkes acredita que será necessário vigiar cada vez mais estes cenários, sobretudo porque o mais recente relatório do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) prevê que a frequência dos fenômenos meteorológicos extremos – inundações, incêndios, tufões, secas – vai acelerar.

– Dependência geográfica –

“A frequência deste tipo de evento nos últimos anos nos faz pensar que os preços das matérias-primas agrícolas permanecerão elevados no futuro”, afirma Carlos Mera, analista do Rabobank.

A alta volatilidade se amplifica no caso dos produtos básicos que são distribuídos de forma desigual no mundo e que dependem de uma única zona principal de produção, como é o caso do café arábica.

“Por ser cultivado principalmente nas terras altas (do Brasil), onde as condições climáticas podem oscilar mais fortemente e as perdas de safra podem ser mais graves, o café é a matéria-prima agrícola mais propensa a este tipo de problema”, afirma Carsten Fritsch, analista do Commerzbank.

A instabilidade dos preços também é mais frequente pelas limitações das ferramentas utilizadas pelos investidores para antecipar as condições meteorológicas nas principais zonas de produção.

“Estamos comprovando que as previsões meteorológicas a curto e médio prazo são menos confiáveis”, declarou à AFP um investidor do mercado de café, “pois se baseiam em dados históricos cada vez menos confiáveis”.

“Isto adiciona incerteza e contribui para grandes flutuações dos preços”, completa, ao citar diferenças de “mais de 10 centavos para o arábica em apenas uma sessão, o que é enorme”.

– Efeito dominó –

Alguns produtos agrícolas também são influenciados indiretamente pelos fenômenos meteorológicos mais frequentes e extremos. Os furacões no Golfo do México este ano, por exemplo, provocaram danos em instalações de petróleo americanas.

O efeito da súbita e inesperada queda da oferta de petróleo do maior produtor mundial, em um mercado já restrito, provocou uma disparada do preço do combustível, o que teve consequências diretas no valor do açúcar.

O aumento do preço do petróleo favorece o uso de cana-de-açúcar para produzir etanol, o que limita a quantidade de açúcar disponível no mercado.

Também afeta o preço do algodão, cuja demanda aumenta diante das fibras sintéticas mais caras. O preço da libra de algodão permanece próximo de 1,20 dólar, o que não acontecia há mais de 10 anos.

Fonte: Istoé Dinheiro

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