Nada nas Mãos aumenta o bem-estar e produtividade

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adriane zart e dr paulo loureiro - o nada nas maos agrotalento
Adriane Zart e Dr. Paulo Loureiro / Foto: Arquivo pessoal

“Nada nas mãos” é o nome do manejo baseado no conhecimento do comportamento dos bovinos, em que o vaqueiro e rebanho estabelecem uma relação de confiança.

É muito comum que fazendas tenham a mais moderna tecnologia, em currais, suplementos, Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), Fertilização In Vitro (FIV), genômica e tantos outros recursos, mas acabam por esquecer o básico: as habilidades para manejar o gado.

Melhorar a performance de seu rebanho investindo apenas em treinamento da equipe e em tempo com os bovinos é uma realidade. Não quero dizer que introduzir tecnologias na fazenda não seja importante, porém ter uma equipe habilidosa e bem treinada, além de fornecer plenas condições para o gado alcançar esse seu potencial, deve ser uma base para que ferramentas também atinjam o máximo de sua eficiência .

O manejo de gado de forma segura, eficiente e com baixo estresse é um poderoso – e ainda subvalorizado e subutilizado – aliado para qualquer exploração sustentável de gado, seja de cria ou de engorda. Não requer grandes investimentos monetários e é capaz de aumentar a performance dos animais, incluindo ganho de peso, taxas de concepção, produção de leite, qualidade de carcaça e imunidade.

Os bovinos foram domesticados há milhares de anos pela conquista da confiança mútua entre as duas espécies. Infelizmente, hoje em dia nos perdemos na correria da fazenda e acabamos lidando de “qualquer jeito” com o gado, adotando atitudes que desconstroem essa confiança e dão lugar ao medo e à agressividade.

Na busca de resolver rapidamente um problema, esquecemos de analisá-lo e de buscar corrigir sua origem. Isso acontece especialmente nos currais, quando ocorre o choque, laço ou outras técnicas baseadas na força para fazer o gado entrar no brete ou tronco, práticas comuns nos currais. O grande problema é que, quando fazemos isso, muitas vezes, esse comportamento acaba se tornando padrão.

Os bovinos não entendem nossas palavras, a comunicação entre os animais é feita na grande maioria das vezes por meio de uma linguagem não falada, como a nossa postura, atitude, comportamento e linguagem corporal. A distância apropriada, o ângulo e a velocidade de aproximação do gado são chave para conseguir mover-los como e para onde quisermos.

O objetivo final é beneficiário do animal, mas também tornar o nosso trabalho mais prazeroso. Existem estratégias que envolvem apenas investimento de tempo em interações positivas com o gado e são capazes de aumentar os resultados produtivos.

A base para os desenvolvimentos conceitos vem do profundo conhecimento do comportamento dos bovinos e habilidades em manejar esses animais de maneira segura, eficiente e com baixo baixo estresse, definido em inglês pelo termo Stockmanship.

“O manejo de gado é uma arte e exige técnica, habilidade, e muito amor. Investir no treinamento e motivação da equipe que trabalha com gado deve ser uma premissa para qualquer fazenda”Adriane Zart

O manejo de gado “Nada nas Mãos” é uma técnica que traz esses conceitos de estoque para rotina de fazendas e confinamentos de forma aplicada e fácil de compreensão, com o objetivo de buscar um desempenho máximo com construção de confiança e bem-estar das pessoas e dos animais.

O manejo começa muito antes do curral. Para que o gado seja conduzido sem estresse e de forma eficiente, primeiro precisamos que os animais fornecidos prontos. Da mesma forma que treinamos um cavalo ou um cachorro para lidar com o rebanho, também é possível trabalhar com o gado para que o manejo seja mais tranquilo.

Precisamos usar o rebanho a sentido de comandos, estabelecer um certo grau de confiança, liderança e controle antes de qualquer outra coisa. Na maioria das vezes, não criamos essa conexão e, quando o gado chega no curral ou na remanga, a falta de confiança pode levar a problemas no manejo como excesso de pressão, pânico e estresse.

Dessa forma, adotar uma rotina de aclimatação para preparar os lotes para o manejo é extremamente útil para a saúde física e mental do rebanho. Podemos, por exemplo, preparar as novilhas para o manejo de IATF, assim como preparar quando a estação de monta chegar e as idas ao curral se tornarem algo frequente, elas encararão esse evento como algo normal e rotineiro. O resultado: menos cortisol circulante e melhores resultados de prenhez.

Em sistemas de recria e engorda o processo é o mesmo: tudo começa quando os animais desembarcam na fazenda ou confinamento. Antes de levar o gado para o curral é importante que os animais descansem, se alimentem e bebam água.

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Foto: Arquivo pessoal

Eles precisam se sentir confortáveis ​​e confiantes na sua nova casa, para que se comportem, se movam como um rebanho e confiem nos manejadores. Assim, os indivíduos serão manejados com baixo estresse para serem vacinados, identificados e vermifugados, melhorando sua imunidade, diminuindo os riscos de doenças, acelerando a adaptação à nova dieta e aprimorando o desempenho na engorda.

O manejo de gado é uma arte e exige técnica, habilidade, atitude e muito amor. Investir no treinamento e motivação da equipe que trabalha com gado deve ser uma premissa para qualquer fazenda. Faz mais sentido melhorar o nível de compreensão e habilidades do vaqueiro do que buscar soluções mecânicas e de alta tecnologia para problemas comportamentais.

* Adriane Zart é médica-veterinária, grande precursora no Brasil da técnica “Nada nas mãos” de manejo de gado e consultora da Zoetis.

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