Previsão atualizada da Epagri/Ciram indica formação de um sistema de baixa pressão entre os litorais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina na sexta-feira (23) e no sábado (24); chuva intensa, raios e rajadas fortes de vento exigem atenção do agronegócio.
Um novo ciclone entrou na previsão meteorológica para o Sul do Brasil, com possibilidade de formação entre os litorais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina no fim desta semana. A atualização divulgada nesta terça-feira (20) pela Epagri/Ciram indica que o sistema de baixa pressão poderá intensificar as instabilidades entre sexta-feira (23) e sábado (24), favorecendo a ocorrência de temporais isolados com chuva intensa, descargas elétricas, rajadas fortes de vento e granizo. A tendência também aponta a permanência de um ciclone próximo à costa gaúcha no domingo (25).
A mudança no tempo ocorre em um momento delicado para a produção agropecuária da Região Sul. Depois de uma sequência de episódios de chuva, da passagem de um ciclone anterior e de temperaturas excepcionalmente baixas para outubro, produtores se preparam para uma nova rodada de instabilidades. O cenário preocupa principalmente pela possibilidade de interrupção das operações agrícolas, dificuldades na colheita do trigo, excesso de umidade nas lavouras e danos localizados provocados por ventos fortes ou granizo. A formação do novo ciclone ainda é uma previsão, e sua intensidade e trajetória precisam ser acompanhadas nos próximos boletins.
Chuva começa a ganhar força na quarta-feira
A mudança nas condições meteorológicas deverá ocorrer gradualmente.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a massa de ar frio que derrubou as temperaturas no Centro-Sul começa a perder influência, enquanto o deslocamento de um sistema de alta pressão para o Atlântico favorece o retorno de ar mais quente e úmido.
Ao mesmo tempo, a formação de uma área de baixa pressão no interior da América do Sul contribui para organizar novas instabilidades.
Na quarta-feira (21), a previsão da Epagri/Ciram indica condições para temporais isolados a partir da tarde no Extremo Oeste, Oeste, Meio-Oeste e Planalto Norte de Santa Catarina, com possibilidade de chuva intensa e raios.
No litoral catarinense, especialmente na Grande Florianópolis, no Vale do Itajaí e no Litoral Norte, a circulação marítima poderá provocar chuvas isoladas.
As temperaturas máximas devem variar entre 20°C e 25°C na maior parte de Santa Catarina.
A instabilidade também deverá avançar pelo oeste dos demais estados do Sul, exigindo acompanhamento das condições meteorológicas em importantes regiões agrícolas.
Quinta-feira terá nova rodada de tempestades
Na quinta-feira (22), o tempo deverá permanecer instável em Santa Catarina.
A Epagri/Ciram prevê temporais isolados com chuva intensa e raios no Extremo Oeste, Oeste, Meio-Oeste e Planalto Norte, associados à atuação de um cavado, região alongada de baixa pressão atmosférica.
As temperaturas máximas deverão ficar entre 18°C e 23°C, com predomínio de nebulosidade em diversas áreas.
O INMET também aponta o retorno de pancadas de chuva e trovoadas à Região Sul, com possibilidade de expansão das instabilidades para áreas do Centro-Oeste e Sudeste.
Esse cenário representa uma mudança importante em relação ao início da semana, marcado pelo predomínio de ar frio e tempo mais estável em grande parte do Sul.
Ciclone pode se formar entre sexta-feira e sábado
O principal destaque da nova previsão está concentrado nos dias 23 e 24 de outubro.
De acordo com a Epagri/Ciram, a formação de um sistema de baixa pressão, identificado no boletim como ciclone, entre o litoral do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina poderá aumentar a instabilidade atmosférica.
A previsão indica condições para temporais isolados acompanhados de chuva intensa, raios, rajadas fortes de vento e granizo.
Os ventos deverão apresentar direção predominante de nordeste a noroeste, com mudança para sudeste no sábado, conforme a evolução do sistema.
O boletim, entretanto, não apresenta uma velocidade máxima específica para as rajadas associadas ao possível ciclone.
Por isso, não é possível afirmar que o episódio provocará ventos de 100 km/h ou caracterizá-lo como ciclone-bomba.
Também não há confirmação de que todos os municípios da Região Sul enfrentarão tempestades severas.
O risco será variável conforme a localização das áreas de instabilidade e a trajetória efetiva do sistema sobre o Atlântico.
Domingo ainda poderá ter chuva e temporais
A tendência meteorológica para domingo (25) mantém a possibilidade de instabilidades em Santa Catarina.
Segundo a Epagri/Ciram, um ciclone próximo à costa do Rio Grande do Sul poderá favorecer chuva e risco de temporal no território catarinense.
A previsão indica melhora das condições meteorológicas durante a noite.
Para segunda-feira (26), a tendência é de redução das instabilidades, embora a evolução dependa do deslocamento do sistema e da reorganização da circulação atmosférica.
A previsão para o fim de semana ainda poderá sofrer alterações. Por isso, produtores e moradores das regiões potencialmente atingidas devem acompanhar os próximos comunicados oficiais.
Acumulados de chuva preocupam regiões agrícolas
Além do possível ciclone, a previsão de chuva volumosa merece atenção.
O INMET indica acumulados expressivos para a Região Sul durante a semana de 19 a 26 de outubro, com destaque para áreas do norte e noroeste do Rio Grande do Sul, Oeste, Meio-Oeste e Leste de Santa Catarina e Paraná.
Em partes dessas regiões, os volumes previstos ficam entre 70 e 150 milímetros em cinco dias, com pontos que poderão superar 200 milímetros no mesmo intervalo.
É importante destacar que esses valores representam uma previsão regional para vários dias. Não significam que todas as localidades receberão essa quantidade de chuva nem que o volume será provocado exclusivamente pelo ciclone.
O excesso de precipitação poderá dificultar operações mecanizadas, aumentar o risco de erosão em áreas vulneráveis e prolongar períodos de elevada umidade no solo.
Para a implantação das lavouras de verão, a regularidade das chuvas pode favorecer a disponibilidade hídrica. Entretanto, episódios concentrados e intensos podem prejudicar o calendário operacional das propriedades.
Trigo enfrenta momento delicado no Sul
A previsão de novas tempestades chega durante uma fase importante para a triticultura.
Em análise divulgada nesta terça-feira, o INMET destacou que o excesso de chuva e a elevada umidade já vêm dificultando operações agrícolas em áreas produtoras do Sul.
No Rio Grande do Sul, dados da Emater/RS-Ascar citados pelo instituto mostram que a colheita havia alcançado 9% da área cultivada em 15 de outubro, abaixo da média histórica de 15% para o período.
O levantamento também aponta problemas associados à umidade, incluindo dificuldades de entrada de máquinas, ocorrência de doenças e alterações na qualidade dos grãos.
Em determinadas regiões, temporais anteriores provocaram acamamento de plantas e danos às espigas.
Esses problemas já observados não devem ser confundidos com consequências do novo ciclone previsto.
A preocupação agora é que outra sequência de dias chuvosos reduza as oportunidades de colheita e prolongue a exposição das lavouras maduras à umidade.
A intensidade dos impactos dependerá das condições de cada propriedade, do estágio das culturas e da distribuição das precipitações.
Pecuária também exige atenção
Os riscos associados às tempestades não se limitam às lavouras.
Na pecuária de corte e leite, rajadas fortes de vento e precipitações intensas podem comprometer temporariamente instalações rurais, acessos às propriedades e estruturas de manejo.
Galpões, coberturas, redes elétricas e equipamentos de refrigeração merecem atenção preventiva.
Na produção leiteira, possíveis interrupções no fornecimento de energia podem afetar o funcionamento das ordenhadeiras e o armazenamento do leite.
Em propriedades próximas a rios e áreas baixas, também será importante acompanhar os níveis da água, especialmente onde o solo já apresenta elevada umidade.
Não existem, até o momento, prejuízos agropecuários confirmados associados ao novo ciclone previsto para o fim de semana, uma vez que o episódio ainda não ocorreu.
Como se forma um ciclone extratropical
Os ciclones extratropicais são sistemas de baixa pressão atmosférica que se desenvolvem, geralmente, em regiões de contraste entre massas de ar com características diferentes.
No Sul do Brasil, esses sistemas costumam estar associados à passagem de frentes frias e à reorganização dos ventos e da umidade sobre o continente e o Oceano Atlântico.
A intensidade dos impactos depende de fatores como a pressão atmosférica, a trajetória do ciclone, a proximidade da costa e a interação com outros sistemas meteorológicos.
A presença de um ciclone no Atlântico não significa, necessariamente, que haverá condições extremas em terra.
Em alguns episódios, os efeitos mais relevantes ficam concentrados sobre o oceano. Em outros, a circulação atmosférica associada ao sistema pode intensificar ventos, chuvas e tempestades em áreas continentais.
Por isso, a confirmação da posição e da intensidade do possível ciclone será fundamental para determinar quais regiões enfrentarão os maiores riscos.
Cuidados nas propriedades rurais
Diante da previsão, produtores devem acompanhar os boletins meteorológicos antes de programar pulverizações, colheitas e outras atividades dependentes de tempo estável.
Também é importante verificar as condições de drenagem das lavouras e evitar a circulação de máquinas em solos excessivamente úmidos.
Estruturas expostas ao vento, como coberturas, galpões e instalações elétricas, devem receber atenção preventiva.
Durante tempestades com raios, trabalhadores precisam procurar abrigo seguro, evitando áreas abertas, árvores isoladas e estruturas metálicas expostas.
Em caso de alagamento, estradas e pontilhões cobertos pela água não devem ser atravessados.
A Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199, e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Previsão exige acompanhamento até o fim de semana
A atualização da Epagri/Ciram representa uma mudança relevante no cenário meteorológico para o Sul do Brasil, ao indicar a possibilidade de formação de um novo ciclone entre os litorais gaúcho e catarinense.
O período de maior atenção será entre sexta-feira (23) e domingo (25), quando a atuação do sistema poderá favorecer temporais, granizo, chuva intensa e rajadas fortes de vento.
Entretanto, a previsão ainda depende da evolução das condições atmosféricas nos próximos dias.
Para o agronegócio, o principal desafio será conciliar a necessidade de chuva para as lavouras de verão com os riscos associados ao excesso de umidade e à ocorrência de tempestades durante um período importante para a produção agrícola.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.