Presidente da FPA associa derrotas de Fávaro e Paulo Teixeira à insatisfação no campo com o atual Governo e projeta bancada com 330 deputados e 47 senadores
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion (Republicanos-PR), relacionou os resultados das eleições de domingo (4) à insatisfação de produtores rurais com o governo Lula. Ao comentar as derrotas eleitorais de Carlos Fávaro e Paulo Teixeira, que comandaram, respectivamente, os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, o deputado afirmou que o resultado representa um sinal político vindo do campo.
A avaliação ocorre em meio à confirmação do apoio da FPA à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Após encontro da bancada com o senador, na terça-feira (6), Lupion colocou o endividamento rural, os juros e as dificuldades de acesso ao crédito no centro das críticas ao governo e das prioridades defendidas pela frente.
“O campo não aguenta mais esse governo e vamos eleger Flávio Bolsonaro”, declarou.
Derrotas de ex-ministros entram no debate político
Para Lupion, o desempenho eleitoral de Fávaro e Teixeira reforça sua avaliação de que a condução das políticas voltadas ao setor rural não correspondeu às expectativas dos produtores.
O parlamentar associou as derrotas à insatisfação com o governo e defendeu uma mudança de direção na política econômica. Essa leitura é uma avaliação política do presidente da FPA, e não uma demonstração isolada das razões que determinaram o voto dos eleitores.
As declarações também sinalizam como a bancada pretende atuar na disputa presidencial: aproximando o apoio eleitoral das demandas por financiamento, proteção contra perdas e condições para investir na produção.
Dívidas e juros concentram críticas
O endividamento dos produtores rurais foi um dos principais pontos abordados por Lupion. Segundo o deputado, as negociações com o governo em torno do Projeto de Lei 5.122/2023, relacionado à renegociação de dívidas, não produziram o alcance esperado pela bancada.
Na avaliação dele, a medida provisória adotada pelo Executivo deixou de contemplar parte relevante dos produtores que necessitam de apoio. Lupion afirmou que a iniciativa não teria atendido sequer 12% dos produtores e que 144 emendas apresentadas pela frente foram rejeitadas. Os números foram citados pelo parlamentar para sustentar suas críticas.
O presidente da FPA também apontou o custo do financiamento como obstáculo à atividade. Em sua manifestação, mencionou juros reais superiores a 20% para o produtor, sem detalhar as modalidades de crédito ou a metodologia utilizada no cálculo.
Para quem produz, o debate tem consequência prática: o custo da dívida compromete recursos que poderiam financiar a próxima safra, a compra de insumos e os investimentos na propriedade. Quando receitas e vencimentos deixam de acompanhar o mesmo ritmo, a renegociação passa a ter papel decisivo na continuidade da atividade.
Seguro rural e fertilizantes estão entre as prioridades
Além da renegociação das dívidas, a FPA apresentou demandas relacionadas a seguro rural, infraestrutura, crédito e ampliação da produção de fertilizantes. Segundo o relato do encontro, Flávio Bolsonaro assumiu compromisso com essas pautas.
Os temas abrangem diferentes etapas da produção. O seguro rural está ligado à proteção financeira diante de perdas; o crédito permite custear e investir; a infraestrutura influencia o transporte e o escoamento; e os fertilizantes têm peso no planejamento e nos custos das lavouras.
O apoio político, porém, ainda precisa se traduzir em propostas detalhadas, com definição de recursos, instrumentos e condições de execução. Os compromissos mencionados no encontro não equivalem a medidas já implementadas.
Lupion projeta 330 deputados e 47 senadores
O presidente da FPA também comemorou o resultado eleitoral de parlamentares ligados às pautas do agro. Pelos cálculos apresentados por ele, o grupo poderá reunir cerca de 330 deputados federais e 47 senadores na próxima legislatura.
Lupion afirmou que 18 integrantes da bancada na Câmara foram eleitos para o Senado. Entre os deputados, sua estimativa considera aproximadamente 180 nomes mantidos e outros 150 eleitos.
Esses números representam uma projeção de alinhamento às pautas agropecuárias apresentada pelo deputado, e não uma composição formal definitiva da frente.
Uma bancada mais numerosa pode ampliar a capacidade de articulação em votações sobre orçamento, financiamento e legislação rural. O apoio a cada proposta, entretanto, dependerá das negociações entre parlamentares, partidos e governo.
FPA busca participação em eventual governo Flávio
Lupion afirmou que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, a frente pretende manter interlocução próxima com o Executivo e participação ativa nas discussões do Ministério da Agricultura e Pecuária.
“Falaremos a mesma língua”, afirmou.
O nome do deputado aparece entre os cotados para comandar a pasta em um eventual governo Flávio, mas não há nomeação definida. A possibilidade integra as articulações políticas sobre a formação de uma futura equipe ministerial.
Para a sucessão na presidência da FPA, Lupion indicou o deputado Zé Vitor (PL-MG) como o nome mais forte no momento.
Até a definição eleitoral, a bancada concentra seu discurso em uma agenda que afeta diretamente o caixa das propriedades: renegociação das dívidas, financiamento da produção e proteção contra perdas. Será nesses pontos que os compromissos políticos poderão ser avaliados pelos produtores.
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