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Projeto Pacu iniciado em 1977 em Mato Grosso do Sul tem investimentos da iniciativa privada e pioneirismo na produção de dourados.

Por Danielle Matos e Thiago Rezende

A piscicultura de Mato Grosso do Sul é pioneira na produção de dourado para atender o mercado de controle populacional de alevinos. O investimento de 31 anos do Projeto Pacu na recria de peixes de água doce atraiu o investimento de empresas como a Copacol, interessada no controle da natalidade da tilápia. Na década de 1980, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) foi pioneira no setor de aquicultura no estado, e hoje investe na produção de cachara como predador da tilápia.

O Projeto Pacu começou em 1977 com a ideia de soltar peixes em um lago para pesca esportiva. O sócio-proprietário do empreendimento, Simão Brun conta que aos poucos viu no lazer a possibilidade de abrir uma empresa de comercialização de alevinos, dando início com o pintado. “Já existia nas universidades brasileiras a reprodução do pintado, mas elas não conseguiam fazer em escala comercial. Tinham a técnica, mas não faziam em grande quantidade”.

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Foto: Danielle Matos / UFMS

Uma das universidades pioneiras foi a UFMS. Para Eliezer Azevedo, um dos técnicos responsáveis pelos tanques e laboratórios onde são realizadas as pesquisas de pós-graduação dos cursos de Zootecnia e Medicina Veterinária da UFMS, o trabalho feito pela universidade foi fundamental para o desenvolvimento da piscicultura em Mato Grosso do Sul. “Fornecíamos alevinos para todo estado, depois disso, formaram-se muitos projetos, inclusive o Projeto Pacu que pegou algumas orientações com a gente”.

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Foto: Danielle Matos / UFMS

Localizado à 30km do município de Terenos, o Projeto Pacu produz alevinos para diversas regiões do Brasil. Um dos destaques é o dourado, que tem como destino propriedades que precisam fazer controle populacional em seus tanques de engorda, principalmente com a tilápia, espécie adaptada a piscicultura nacional, por sua rusticidade e baixo custo de produção. No Projeto, a geração dos alevinos é feita através de processo que permite as matrizes desovarem em tanques especiais que farão a decantação dos ovos, posteriormente através de sucção, são transportados para incubadoras, onde são monitorados e estudados, permitindo melhor aproveitamento nos próximos estágios que antecedem a venda.

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A voracidade da espécie é o fator de maior relevância. Segundo Simão, o dourado é eficaz na captura de outros peixes com menor mobilidade e por isso é comumente utilizado por produtores que desejam diminuir os prejuízos na engorda. “O dourado é um carnívoro topo de cadeia”. Simão ainda exemplifica a importância do Salminus brasiliensis no controle dos tanques. “Por exemplo, em um tanque com 100 mil tilápias para engorda, você quer retirar no final do cultivo as 100 mil, mas o produtor retirava de 120 a 130 mil, porque tinham 20, 30 mil tilápias pequenas sem tamanho comercial que comiam ração, consumiam oxigênio e aumentavam o custo de produção”.

Phillipe Thiago é doutorando em zootecnia na UFMS e explica que, pela capacidade de adaptar-se ao ambiente e velocidade de reprodução, é necessário fazer o controle populacional da tilápia. Nos tanques da universidade, utiliza-se o cachara. “A gente não tem condição de manter, é muito custo com ração, elas [as tilápias] degradam a qualidade da água e a produção, então a gente soltou esses cacharas que já estavam com 1,5kg a 2kg”.

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Foto: Danielle Matos / UFMS

A reversão sexual das tilápias é um processo consolidado, que consiste em fornecer hormônios masculinizantes às pós-larvas, permitindo que as gônadas das fêmeas se desenvolvam em tecido testicular. Assim, o funcionamento reprodutivo se torna masculino, o que é mais vantajoso para o produtor, já que os machos têm maior taxa de crescimento e atingem o peso ideal para venda em menos tempo. Entretanto, a reversão sexual não é 100% eficaz; é preciso associá-la ao controle populacional feito pelo dourado para otimização da balança interna de gastos do produtor. O percentual de dourado em cada tanque vai depender da eficácia da reversão sexual. A quantidade de dourado utilizado em cada tanque varia entre 1,5 e 3% do total de tilápias.

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Foto: Danielle Matos / UFMS

A empresa continua investindo na produção do pintado: 2 a 3 milhões de indivíduos por safra. Simão conta que, com o aumento da produtividade, o Projeto Pacu realizou algumas tentativas de exportação, mas o foco da produção continua sendo interno. “O pintado tem um grande potencial de mercado aqui no Brasil, ele é utilizado principalmente para engorda”. Há sete anos começaram a produzir o “pintado real”, resultado de estudos de melhoramento genético. No início, o pintado chegava a 1.3kg em 14 meses. Com a hibridização, o pintado real alcança 1.7kg em 7 meses.

Danielle Matos e Thiago Rezende são discentes de Jornalismo da UFMS e produziram o conteúdo.
Informações danielleerrobidarte@gmail.com

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