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Ouro bovino: conheça as pedras de boi que valem milhões

Um componente valioso da medicina ancestral, a pedra de boi é considerada preciosa devido à sua crescente raridade e escassez entre os animais.

Você já teve conhecimento da chamada “pedra de fel bovino” ou “pedra de boi”? Trata-se de pequenas pedras originárias dos bovinos, cujo valor de venda pode atingir quase R$ 40 mil por quilo, devido à sua raridade e à demanda no setor de medicina, tanto na abordagem tradicional quanto na chinesa.

A referência ao bezoar em Harry Potter certamente ecoa na memória dos fãs, sendo uma pedra de fel que desempenhou um papel crucial na salvação da vida de Ron Weasley. Essa peculiaridade, na verdade, existe no mundo real, ostentando propriedades medicinais.

Apesar de o mercado ser de dimensões reduzidas, revela-se altamente rentável, com cálculos biliares bovinos alcançando valores astronômicos, chegando a até R$ 200 mil.

No Brasil, o preço do quilo da pedra de fel bovino varia entre R$ 12 mil e R$ 37 mil. No cenário internacional, o valor das minúsculas pedras pode atingir US$ 65 por grama, equivalendo a US$ 65 mil por quilo.

Mas afinal, o que são pedras de fel?

As pedras de fel têm origem no acúmulo de substâncias na vesícula biliar dos bovinos. A bile, produzida no fígado, é armazenada na vesícula biliar antes de ser liberada no intestino delgado para auxiliar na digestão de gorduras. Entretanto, quando a bile apresenta um excesso de colesterol, há o potencial para a formação de cristais.

Em circunstâncias normais, esses cristais são dissolvidos pela bile e expelidos do corpo do animal sem causar inconvenientes. Contudo, em situações específicas, como a redução na produção de bile ou o acúmulo de substâncias biliares, os cristais podem se aglomerar e criar cálculos biliares, que se assemelham a massas semelhantes a pedras.

Foto: Divulgação

Os cálculos biliares bovinos variam em tamanho e cor, desde pequenos grãos até pedras do tamanho de uma bola de golfe. A coloração também pode apresentar variações, indo de amarelo pálido a verde escuro. Bois mais velhos, especialmente aqueles com dietas ricas em carboidratos e carentes em fibras, apresentam uma predisposição maior à formação dessas pedras biliares em comparação a outros animais.

Por que as pedras de fel são tão caras?

As pedras de fel possuem grande apreço devido à sua raridade e dificuldade de obtenção. Adicionalmente, existe uma significativa demanda por essas pedras na indústria farmacêutica, onde são empregadas na produção de medicamentos para o tratamento de doenças hepáticas, além de desempenharem um papel crucial na medicina tradicional chinesa.

Um elemento que influencia o elevado valor dos cálculos biliares bovinos é o processo intricado e delicado de extração dessas pedras. Este procedimento demanda uma série de precauções e cuidados para assegurar a segurança e o bem-estar dos animais.

pedra de boi
Foto: Divulgação

Certos criadores de gado, particularmente na Ásia, são reconhecidos por dedicar cuidados especiais aos seus animais, visando garantir a qualidade e a quantidade das pedras de fel produzidas. Além disso, há considerável especulação e crenças populares em torno do valor atribuído às pedras de fel, o que pode contribuir para a sua valorização no mercado.

Para que servem?

Atualmente, as pedras de fel de boi desempenham um papel crucial na fabricação de medicamentos destinados ao tratamento de doenças hepáticas.

Surpreendentemente, há uma aplicação ainda mais peculiar para essas pedras: elas têm a capacidade de estimular a formação de pérolas dentro de ostras.

pedra de boi
Foto: Divulgação

Além de seu uso na produção de medicamentos para problemas hepáticos, as pedras de fel têm utilidade como matéria-prima em cremes e loções hidratantes. Também desempenham um papel como emulsificantes na indústria alimentícia.

Por que as pedras são tão procuradas e bem-sucedidas na China?

A resposta remonta ao uso ancestral na medicina tradicional chinesa, onde a pedra de fel do boi é empregada no tratamento de uma ampla gama de doenças, desde febre alta até convulsões, passando por pneumonia e epilepsia. Em 2020, cientistas chineses fizeram uma descoberta significativa, identificando nas pedras a presença de ácidos biliares e bilirrubina, substâncias com efeitos neurológicos e terapêuticos em seres humanos.

Os médicos norte-americanos David Wang e Martin C. Carey, por sua vez, compartilharam em suas pesquisas no American Journal of Gastroenterology que as pedras podem ter propriedades tranquilizantes e sedativas.

O histórico de uso dessas pedras na China remonta a 200 a.C., durante a Dinastia Han, conforme registros em antigos livros de medicina chinesa. Além da China, essas pedras desempenharam um papel significativo na cultura de civilizações antigas, como gregos, indianos e persas, com registros de utilização que remontam a antes do século X.

Esses objetos, semelhantes a rochas, eram encontrados em animais sacrificados, sendo considerados, na época, uma cura universal para diversas doenças. A pedra de fel era utilizada não apenas como amuleto, mas também consumida e até mesmo adicionada a bebidas suspeitas de conter veneno. Até a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, incorporou uma dessas pedras em um anel de prata.

Em resumo, essas pedras de fel bovinas têm um status bastante peculiar no mercado, sendo valorizadas por sua raridade e utilidade na produção de medicamentos. O processo de extração, cuidadosamente conduzido para preservar o bem-estar dos animais, adiciona uma camada de complexidade que justifica o alto preço. É intrigante observar como alguns criadores, especialmente na Ásia, dedicam atenção especial aos seus rebanhos, buscando assegurar a qualidade dessas pedras. Além disso, o fato de haver especulações e crenças populares sobre o valor dessas pedras acrescenta um toque peculiar à sua trajetória no mercado.

No final das contas, o fascínio em torno dessas pedras de fel bovino revela uma interseção única entre a tradição, a demanda industrial e o zelo pelos animais.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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