Outubro pode travar o plantio da soja em parte do Brasil, alerta INMET

Previsão indica chuva abaixo da média em Mato Grosso, Goiás e áreas do Norte e Nordeste; no Sul, excesso de umidade pode encurtar a janela de trabalho no campo

O mês em que o plantio da safra 2026/27 ganha ritmo pode começar com um obstáculo para parte dos produtores: chuva insuficiente ou irregular para garantir a umidade do solo. Na previsão climática para outubro, divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), os acumulados tendem a ficar abaixo da média em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e áreas do Norte e Nordeste. Ao mesmo tempo, a temperatura deve superar a média em grande parte do país.

O alerta não significa que deixará de chover durante todo o mês. O ponto decisivo para a lavoura é como a chuva será distribuída. Uma precipitação isolada pode permitir a entrada das plantadeiras, mas, se vier seguida de vários dias secos, a emergência da soja pode ser desigual e algumas áreas poderão exigir replantio, conforme a análise do INMET.

Mato Grosso e Goiás exigem atenção na largada da safra

No Centro-Oeste, o INMET prevê chuva abaixo da média histórica em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, além de partes de Mato Grosso do Sul. O instituto aponta que a menor disponibilidade de água no solo pode limitar a semeadura e comprometer a uniformidade da emergência das lavouras em MT e GO. Para o produtor, a decisão sobre quando plantar dependerá da confirmação de umidade suficiente no solo e da continuidade das chuvas previstas para sua região.

O cenário tende a ser relativamente mais favorável em partes de Mato Grosso do Sul, onde a previsão indica maior frequência e volume de precipitação. Ainda assim, o calor previsto para o Centro-Oeste aumenta a perda de água do solo e também exige atenção às pastagens e às áreas irrigadas.

Matopiba e Norte também entram no radar

No sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e extremo oeste da Bahia, o INMET vê risco de baixa disponibilidade hídrica no começo da implantação das culturas de verão. No Tocantins e no sudeste do Pará, a semeadura da soja também poderá depender de chuvas mais regulares; áreas plantadas após eventos isolados ficam mais expostas a falhas de germinação se o tempo seco retornar.

No Sul, a preocupação é a chuva em excesso

O contraste aparece na Região Sul. O INMET projeta volumes acima da média, com os maiores excessos no leste do Rio Grande do Sul, onde a chuva mensal pode superar a média histórica em até 200 mm. Esse número representa um desvio em relação à média, e não o total de chuva previsto para cada município.

Chuvas frequentes podem reduzir os intervalos adequados para máquinas entrarem nas áreas de trigo e para o plantio de soja e milho. O instituto também chama atenção para o risco de doenças nas culturas de inverno e para a drenagem mais lenta em áreas de arroz irrigado.

A previsão mensal mostra a tendência, mas a decisão de semear precisa considerar as condições da propriedade e dos próximos dias. Para a safra, outubro será definido menos por uma chuva pontual e mais pela regularidade da água no solo após o plantio.

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