Pesquisadores da Embrapa detalham como sistemas de integração e o manejo do Cerrado garantem até quatro safras por ano, recuperam pastagens degradadas e aumentam a resiliência financeira da fazenda
O manejo integrado da paisagem do bioma Cerrado e os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), duas estratégias que promovem a sustentabilidade da agricultura e da pecuária no Brasil, conciliando produtividade, mitigação e adaptação climática, foram apresentadas por pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) na última quinta-feira (7) a cerca de 60 participantes do Folur Livestock Sector Dialogue.
O Programa de Impacto nos Sistemas Alimentares, Uso da Terra e Restauração (Folur) tem como objetivo transformar os sistemas de produção alimentar e uso da terra, consistindo numa plataforma global de conhecimento liderado pelo Banco Mundial e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
O pesquisador Felipe Ribeiro palestrou sobre o manejo integrado da paisagem no bioma Cerrado, destacando as possíveis ações de recuperação de áreas degradadas e os impactos sobre os serviços ecossistêmicos. “Buscamos gerar repostas simples para sistemas complexos, com soluções tecnológicas disponibilizando ao produtor boas práticas agropecuárias”, explicou.
Ribeiro apontou o desafio do produtor rural de equilibrar a produção de alimentos com a conservação do ambiente, abordando a contribuição da pesquisa com conhecimentos sobre quais espécies plantar e como plantá-las para recuperar a vegetação nativa, sistematizados na plataforma WebAmbiente, bem como sobre a experiência com recuperação e renovação de pastagens degradadas.
Benefícios e viabilidade econômica da ILPF
Na vitrine de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), os participantes conheceram estudos que comprovam a viabilidade econômica, social e ambiental dos sistemas integrados.
O pesquisador Roberto Guimarães Jr. apresentou os princípios que permitem três e quatro safras de produtos agrícolas, pecuários e florestais num mesmo ano agrícola, com o uso de consórcios, sucessões ou rotações de culturas. Estes sistemas podem ser ajustados à realidade da propriedade, e maquinário de diferentes portes para plantio e colheita já estão disponível no mercado.
Entre os principais benefícios destacados para o produtor estão:
- Renovação de pastagens de baixa produtividade com amortização dos custos com fertilizantes;
- Ganhos em produtividade animal e de grãos;
- Bem-estar animal proporcionado pelo componente florestal (maior produção de leite e embriões);
- Manutenção da umidade e maior capacidade de infiltração de água no solo;
- Redução da ocorrência de pragas e doenças.
“Quando falamos de integração de pastagem com agricultura, ocorre mais sinergismos que competição”, comentou o pesquisador, citando ainda os selos de certificação de produção de soja, carne e leite de baixo carbono ou carbono neutro.
Rentabilidade e Resiliência
O pesquisador Júlio Reis apresentou resultados sobre o desempenho econômico, mostrando que a produtividade foi superior nos sistemas integrados e o retorno econômico foi maior em função dos produtos do componente florestal.
Para o produtor, o ponto mais atrativo é a resiliência: a variação dos preços da soja e da arroba do boi afetam bem menos um sistema de ILPF. “Se a lucratividade varia menos, esses sistemas amortecem os choques que são muito comuns na agricultura”, explicou Reis.
Um estudo recente mostrou que, embora os custos de manutenção sejam semelhantes, o retorno financeiro obtido pela fazenda que utiliza boas práticas foi três vezes maior. Reis finalizou com um conselho vital: os produtores devem entender a pastagem como uma cultura anual, adotando práticas de manejo, manutenção e adubação para manter a alta produtividade.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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