Médico oftalmologista e pecuarista, Iluci Afonso Almeida de Faria faleceu aos 75 anos e deixa um legado de excelência tanto para a medicina quanto para a seleção genética da pecuária nacional
A pecuária brasileira está de luto. Morreu neste sábado (25), aos 75 anos, o médico oftalmologista e pecuarista Iluci Afonso Almeida de Faria, um dos mais respeitados selecionadores de Nelore Mocho do país. Reconhecido pelo trabalho criterioso no melhoramento genético da raça, ele deixa uma trajetória marcada pela dedicação à produção de genética de qualidade e por importantes contribuições à oftalmologia.
Natural de Fernandópolis (SP), Iluci construiu grande parte de sua história em Iturama (MG), onde desenvolveu seu projeto de seleção do Nelore Mocho. Ao longo de décadas, consolidou um rebanho reconhecido nacionalmente pela qualidade genética, difundindo animais e material genético para diversas regiões do Brasil e contribuindo para o fortalecimento da pecuária de corte.
Além da atuação no campo, Iluci também foi um dos médicos oftalmologistas mais respeitados da região noroeste paulista. Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1975, exerceu a profissão por mais de quatro décadas, sendo reconhecido pela competência, ética e pelo atendimento humanizado. Ele faleceu em São José do Rio Preto (SP), onde estava internado após sofrer um grave Acidente Vascular Cerebral (AVC).
ABCZ lamenta a perda
A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) manifestou profundo pesar pela morte do associado, destacando sua contribuição para a evolução da raça Nelore Mocho.
Quem conviveu com Iluci ressalta que sua principal característica era o rigor técnico na seleção genética aliado à humildade no relacionamento com todos que frequentavam sua propriedade.
O técnico de campo da ABCZ, Thinouco Francisco Sobrinho, acompanhou durante muitos anos o trabalho do criador e recordou sua dedicação à pecuária.
“Sempre utilizou a inseminação artificial, utilizando os principais touros da raça Nelore Mocho. Era muito criterioso na seleção. Foi um prazer frequentar a fazenda dele. Ele fazia questão de acompanhar toda visita técnica e tinha uma simplicidade fora do comum. Ficamos muito tristes com esta perda.”
O depoimento sintetiza o perfil de um criador que buscava constante evolução genética, acompanhando de perto cada decisão técnica do rebanho e valorizando o trabalho realizado dentro da porteira.

A importância da seleção do Nelore Mocho
A perda de Iluci também representa um momento de reflexão para um segmento extremamente relevante da pecuária brasileira. Os criatórios especializados em Nelore Mocho desempenham papel fundamental na evolução genética da bovinocultura de corte nacional.
Além de preservar uma característica genética altamente valorizada — a ausência natural de chifres, que favorece o manejo e o bem-estar animal — esses selecionadores investem continuamente em características produtivas como ganho de peso, fertilidade, habilidade materna, precocidade e eficiência alimentar.
Graças ao trabalho desenvolvido por criadores dedicados, como Iluci Afonso Almeida de Faria, a genética do Nelore Mocho conquistou espaço em praticamente todas as regiões produtoras do Brasil, tornando-se uma alternativa estratégica para sistemas de produção cada vez mais eficientes e sustentáveis.
Mais do que produzir animais superiores, esses criatórios ajudam a impulsionar a competitividade da pecuária brasileira, fornecendo genética capaz de elevar os índices produtivos dos rebanhos comerciais e fortalecer a cadeia da carne bovina.
Legado para duas profissões
Poucos conseguem construir uma trajetória de excelência em áreas tão distintas quanto a medicina e a pecuária. Iluci foi uma dessas exceções.
Enquanto na oftalmologia dedicou mais de 40 anos ao cuidado da visão de milhares de pacientes, no campo tornou-se uma referência na seleção do Nelore Mocho, sempre pautado pela busca da qualidade genética, pelo conhecimento técnico e pelo respeito às pessoas.
Sua partida deixa uma lacuna tanto na comunidade médica quanto entre os criadores de zebu, especialmente aqueles ligados ao Nelore Mocho. Permanecem, porém, o legado construído ao longo de décadas, a genética disseminada por inúmeros rebanhos brasileiros e o exemplo de dedicação que marcou sua história.
À família, amigos e a toda a comunidade pecuária, ficam as homenagens e o reconhecimento pela contribuição de um homem que ajudou a fortalecer duas áreas essenciais para o desenvolvimento do país.
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