Pecuária: Um olhar crítico sobre as avaliações genéticas

Pecuária: Um olhar crítico sobre as avaliações genéticas

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vaca nelore
Foto: Reprodução / Internet

Avaliações genéticas são verdades matemáticas, não biológicas; animais são seres vivos, não contas de soma, divisão, multiplicação ou diminuição

Artigo por José Otávio Lemos – Basta olhar nas publicações de avaliações genéticas, bem famosas, e encontraremos por lá a ACURÁCIA. – É uma medida do grau de confiança da estimativa da DEP. Quanto maior o número de informações utilizadas na avaliação genética de determinado animal, sejam dele ou de parentes, maior será a acurácia de suas DEPs. O valor da acurácia varia de 1 a 99%. É importante lembrar que é a DEP quem indica o uso ou não de determinado animal como reprodutor. A acurácia deve ser utilizada como uma medida de risco e irá determinar a intensidade de uso deste animal – trecho retirado do sumário de touros do PMGZ/ABCZ.

O que é acurácia?

  1. proximidade entre o valor obtido experimentalmente e o valor verdadeiro na medição de uma grandeza física.
  2. precisão de uma tabela ou de uma operação.

Acurácia, no campo do melhoramento animal, vem do inglês accuracy, também conhecida como repetibilidade da avaliação.

Uma exposição por José Bento S. Ferraz: “mede o quanto a estimativa que obtivemos é relacionada com o ‘valor real’ do parâmetro. Ela nos informa o quanto o valor estimado é ‘bom’, ou seja o quanto o valor estimado é ‘próximo’ do valor real e nos dá a ‘confiabilidade’ daquela estimativa ou valor. Se estimarmos o valor genético apenas pelo desempenho do próprio animal (em peso aos 365 dias por exemplo), o valor da acurácia será de 0,50 (para herdabilidade de 0,25), mas se a estimativa for baseada em 18 filhos (progênie) de um touro com uma amostra aleatória (tirada ao acaso) de vacas, a acurácia subirá para 0,74. Quanto mais informações tivermos a respeito de um touro, mais acurada, mais ‘confiável’ a estimativa.”

Ou seja, nada de certeza, mas de possibilidade. Um jogo. Sim, uma medida da correlação entre o valor estimado e os valores das fontes de informação. “ESTIMATIVA”.

Estamos lendo, ouvindo festejados números, números e mais números… E na prática dos currais e pastagens, grande parte desses não batem em quantidades significativas com os indivíduos. Bem “fácil se perder no número de números envolvidos em programas de avaliação genética.”

Muitíssima necessária a atenção para o que cada programa de melhoramento declara ou ordena. Isso é conclusivo quando pegamos um mesmo grupo sendo avaliados por dois programas diferentes (de entidades) e resultados nada iguais sob declarações de mesmas bases biomatemáticas.

Números de características e de animais avaliados interferem, claro, nos resultados. E não é porque se tem mais animais que teremos números mais confiáveis.

Quem selecionar gado ou usar animais avaliados confiantes unicamente nesses programas como “certeiros” estará dando um tiro no próprio pé e ou nos cascos dos seus animais, como técnico ou criador/selecionador.

A avaliação genética, como mais uma ferramenta consultiva de seleção, pode ser; mas nunca a verdade absoluta dentro de um projeto de seleção.

“O olho do dono é que engorda o boi”

E o “olho”, “olhos” não podem ser trocados por continhas de papel ou aprimoradas pelos sistemas computadorizados.

Cheguei numa central e quase tive um ataque cardíaco ou cerebral, ou até no conjunto dos dois órgãos corporais meus, quando vi muitos touros grandes vendedores de sêmen – Vacas nem gostariam de namorá-los.

Muitas características só são vistas pelo olho humano, positivas e ou negativas. Esses “atuais festejados números” deveriam ser os últimos pontos a serem computados nos acasalamentos e nas compras de animais.

As análises do que se deve melhorar uma a uma população tida para multiplicar é no frente a frente, Não é pelos números e números de tabelas, sumários.

Até hoje, em raça alguma, se encontrou um touro que é “onipotente” para um grupo de matrizes.

As contas matemáticas não batem com a verdade biológica desde a formação das células reprodutivas. Elas mesmas, óvulos e espermatozoides, não têm somente a genética dos seus produtores. Além do que nenhum espermatozoide ou óvulo produzido pelo animal é igual aos pares desses (em todas ejaculações e ovulações) por toda a vida.

A aposta em simples “fantásticos números” poderá trazer sérios problemas na conta que não fechará positivamente, e não só quanto à parte financeira, especialmente no avanço do melhoramento do rebanho. Dor de bolso violenta.

Pois é, faça acasalamentos com números, e poderá ter que deixar a pecuária seletiva e ou produtiva. Confesso que estou bem assustado com esse momento que estamos vivendo na bovinocultura de seleção e produção.

Ver um leilão de animais e técnicos falando de DECAs, DEPs, PTAs como coroas de animais “sem verdeiros mantos” é terrível. Também outros que não vivem fazendas exaltando números “maravilhosos” confiáveis em 15% do celebrado valor.

Mais apavoramentos: muitos. Como a linha baixa da mãe (avó) do produto analisado não entra no cálculo da avaliação?

Incrível!

E desprezar o DNA mitocondrial é uma barbaridade.

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Zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ e diretor da JOL Empresa Múltipla Assessoria e Consultoria.