Pecuarista é forte e frigoríficos ficam vazios

Pecuarista é forte e frigoríficos ficam vazios

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Foto Divulgação.

Com a água no lombo do boi e a pastagem crescendo, os pecuaristas estão vencendo a queda de braço e mantendo a arroba com viés de alta. Confira!

A imagem da capa é do curral de um dos grandes frigoríficos do país, devido a falta de boi, os currais estão vazios. A imagem ainda mostra que o pecuarista está fazendo o dever de casa e não vai ceder a pressão baixista imposta pelas indústrias. A arroba do boi gordo voltou a passar de R$ 200, segundo a Safras & Mercado. Na sexta-feira, 7, a praça de Presidente Prudente (SP) registrou negócios a R$ 210, alta de 3,5% em relação à semana anterior.

O cenário desta primeira quinzena de fevereiro é de oferta mais restrita e demanda se recuperando. “A população estava descapitalizada, o que é normal. Agora, com a entrada dos salários e retorno dos salários, a economia e o consumo voltam ao normal”, afirma o analista Fernando Henrique Iglesias.

Preço da carne no atacado remunera uma arroba de pouco mais de R$ 200 para o boi, calcula consultoria

De acordo com ele, aparentemente, o movimento de alta está alcançando o limite. “Não há muito espaço para que as máximas sejam renovadas. Esse é um patamar bastante acentuado para o mercado paulista, quando comparado ao de R$ 145/R$ 150 no mesmo período do ano passado”, diz.

Sobre a indústria, o analista comenta que os frigoríficos de menor porte estão operando com escalas de três a cinco dias e as empresas maiores, de cinco a sete dias.

Mercado do boi deve seguir estável até o carnaval e só depois o rumo das cotações será dado pela intensidade da demanda

As cotações para o boi gordo devem seguir mais mornas daqui até o feriado de Carnaval, segundo o consultor em gerenciamento de riscos da INTL FCStone, Caio Toledo de Godoy. Segundo ele, após a festividade, a expectativa é que a demanda interna melhore, e que as exportações, principalmente para a China, voltem a acontecer com mais tração. Entretanto, será o apetite do país asiático pela carne bovina brasileira que vai determinar o aumento no preço do boi.

Conforme Godoy explica, os frigoríficos estavam pagando mais pela arroba nos últimos dias, afim de alongar um pouco a escala para suprir a demanda que deve existir durante o Carnaval.

“Daqui pra frente os frigoríficos vão mais monitorar mercado já com as escalas um pouco alongadas na tentativa d eter uma melhor visão sobre o mercado futuro, tanto interno quanto externo”. 

Ele acredita que nas próximas duas semanas, é pouco provável que os preços fiquem acima de R$ 200 a arroba, pelo menos em São Paulo. “Depois do Carnaval, temos frigoríficos já pensando no mercado externo, na demanda chinesa, se será maior ou menor. Temos os frigoríficos se programando, e devemos ter um mercado mais fortalecido”. 

Para o consultor, a expectativa vem após o dia 17 de fevereiro, quando termina o período de festividades do Ano Novo Lunar na China. “Temos que ver se a China vai comprar volumes semelhantes ao que estava comprando antes do surto de coronavírus, o que deve impactar nosso mercado interno, que está bom, estável”.

Coronavírus

Para Godoy, os dados de exportação de janeiro sobre a carne bovina não são um reflexo real de como o surto de coronavírus pode impactar este setor. “A primeira notícia que tivemos no mercado sobre a doença foi em 21 de janeiro, então é algo muito recente”.

Segundo o consultor, são os números de fevereiro e março que vão apontar mais fielmente como esta questão sanitária influenciou nos volumes embarcados e nos valores arrecadados. “Pode ser que a China diminua a demanda, mas pode ser que compre mais para repor estoques consumidos nos últimos tempos”.

“Sinceramente, creio que a demanda deva ser perto do que foi em dezembro, porque acredito que a China precise de carne bovina de qualidade, e é uma carne que é barata inernacionalmente. Além do coronavírus, eles ainda estão sofrendo com a crise da Peste Suína Africana e com a gripe aviária”.

Acordo comercial China x EUA

De acordo com ele, no caso do acordo comercial entre Estados Unidos e China, o cenário observado para o futuro é de que o país asiático deva comprar dos americanos mais carne suína do que bovina. 

“Acho que o primeiro momento para cumprir o acordo seria a suína, e  num segundo momento, poderia chegar na bovina. Acho mais provável focar no Brasil, Austrália, Argentina, para a carne bovina”. 

Mercado internacional

As exportações de carne bovina do Brasil estão abaixo do registrado no último trimestre de 2019. Segundo Iglesias, a preocupação é o surto de coronavírus na China e como ele deve impactar a economia e a demanda da segunda maior economia do mundo. “Não dá para mensurar ainda, é uma situação imprevisível”, diz.

Compre Rural com informações do Notícias Agrícolas, Canal Rural e Agências

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