O silêncio da China ainda deixa o mercado na corda bamba e os pecuaristas já sentem o peso dos custos na margem de lucro e perdem poder de barganha!
O mercado físico de boi gordo registrou preços de estáveis a mais baixos nesta terça-feira, a depender da praça avaliada os preços chegaram a recuar cerca de R$ 5,00/@. Apesar de ser observado um pouco mais de movimentação com aqueles frigoríficos que operam apenas dentro do mercado doméstico, o volume de negócios já ocorrem abaixo da referência.
O avanço de quase 30 dias das suspensões de embarques para a gigante asiática, maior consumidor da carne brasileira exportada, deixou os pecuaristas sem alento e com grande prejuízo, principalmente aqueles com bois no cocho e em boiteis. Aqueles que ainda possuem capacidade de reter seus lotes tentam barganhar, mas é praticamente impossível com uma diária de R$ 20,00/@.
Sem sinal de retorno das compras de carne bovina pelos chineses, a oferta de rebanhos aumentou nos estados confinadores. Com a oferta consistente do gado confinado, os frigoríficos paulistas abriram as compras derrubando a cotação em R$5,00/@ para o boi gordo e R$4,00/@ para vaca e novilha gordas, na comparação feita dia a dia.
Assim, o boi, a vaca e novilha gordos estão sendo negociados, respectivamente, em R$297,00/@, R$277,00/@ e R$295,00/@, preços brutos e a prazo, apontou a Scot Consultoria em seu relatório diário.
Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado apresentou uma média geral a R$ 298,52/@, na terça-feira (28/09), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 280,51/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 289,78/@.
O Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (mercado paulista) operou na casa dos R$ 304,45/@, após uma variação diária de 4,26%, na abertura da semana. Entretanto, em uma grande variação negativa, o fechamento da segunda trouxe um recuo de 9,43%, levando o valor a atingir a cotação de R$ 294,70/@.


Mercado Futuro
Na B3, as cotações dos contratos futuros do boi gordo tiveram um dia misto, mas com as altas predominando. Apenas o contrato para novembro apresentou queda. O ajuste do vencimento para setembro passou de R$ 298,70 para R$ 301,30, do outubro foi de R$ 297,20 para R$ 297,45 e do novembro foi de R$ 306,25 para R$ 305,15 por arroba.
Situação de prejuízo
Enquanto a China não retoma as importações de carne bovina do Brasil, o mercado pecuário permanece tenso, com os frigoríficos remanejando suas escalas de abates e os pecuaristas “enfrentando custos elevadíssimos de manutenção dos animais nos confinamentos”, completou o analista.
O que mais preocupa o setor neste momento é que, com certeza, o boi gordo ainda vai ficar de molho durante feriado chinês( 1°ao 7 de outubro). Além disso, com o recuo das referências em importantes praças, como é o caso da @ em São Paulo, o pecuarista poderá amargar um prejuízo ainda maior.
“Os animais que estavam com dias contados no cocho já estão ficando mais dias na engorda, porém o valor da arroba despencou e os custos de produção aumentaram. O que gastamos com os animais nesses vinte dias que ficaram a mais no confinamento não vamos ter retorno na venda do gado, sendo que nós acreditamos que um animal vai dar de R$ 300,00 a R$ 400,00 de prejuízo”, comentou Renato Esperidião.
China recusa reunião com Brasil
O Ministério da Agricultura informou hoje que solicitou uma reunião técnica com a China para discutir o embargo à exportação de carne bovina, mas que não conseguiu uma data para o encontro.
Autoridades chinesas disseram à Pasta que estão analisando as informações enviadas, referentes aos dois casos atípicos do mal da “vaca louca” registrados em Minas Gerais e Mato Grosso.
Giro do Boi Gordo pelo Brasil
- Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou R$ 302 – R$ 303 na modalidade à prazo.
- Em Goiânia (GO), a arroba seguiu em R$ 287.
- Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 301 – R$ 302.
- Em Cuiabá, o valor do boi ficou em R$ 283, estável.
- Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 300 a arroba.
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Atacado
Já no mercado atacadista, os preços da carne bovina ficaram estáveis após uma pequena queda na segunda-feira. “A preocupação é exatamente a mesma desde que passou a vigorar o embargo chinês. Caso a situação se prolongue, a preocupação é que seja necessário disponibilizar a carne estocada nas câmaras frias e nos portos no mercado doméstico, o que resultaria em forte queda dos preços da carne no atacado e consequente revisão para baixo dos preços do boi gordo” alertou Iglesias.
O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 21,25 por quilo. Já a ponta de agulha foi precificada a R$ 16,10 por quilo. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 16,20, por quilo.