A promessa de transformar o Acre em referência na piscicultura nacional, a Peixes da Amazônia, sucumbiu à má gestão, deixando produtores e contribuintes com o prejuízo. Enquanto isso, resta a pergunta que ecoa entre os acreanos: “Para onde foi todo o dinheiro?”
A Peixes da Amazônia, outrora promovida como um marco para a piscicultura nacional, teve sua falência decretada pela Justiça do Acre, revelando um rombo de R$ 70 milhões. A promessa de um empreendimento revolucionário deu lugar ao abandono, dívidas trabalhistas e questionamentos sobre a aplicação dos recursos investidos. Este artigo detalha a trajetória da empresa e os impactos financeiros e sociais desse colapso.
O sonho que começou com pompa
Inaugurada em maio de 2015, a Peixes da Amazônia S.A. foi anunciada como o futuro da produção de pescados no Brasil. O evento de lançamento contou com a presença do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente boliviano Evo Morales, e de diversas autoridades estaduais. A fábrica foi projetada para transformar o Acre em um centro de produção piscícola, com promessas de processar até 100 mil toneladas de pescado por ano e gerar R$ 1 bilhão em receita anual.
O complexo ocupava uma área de mais de 60 hectares, incluindo um laboratório de alevinagem, uma fábrica de ração e 122 tanques, sendo 80 deles destinados à reprodução de pirarucus. Na época, mais de 2,5 mil famílias de piscicultores estavam vinculadas ao projeto por meio da Central de Cooperativas dos Piscicultores do Acre (Acrepeixe), que detinha 25% das ações.

Queda de um gigante: de promessas à recuperação judicial
Apesar das ambições, o projeto começou a enfrentar problemas logo após sua inauguração. Em 2018, a empresa entrou em processo de recuperação judicial, acumulando uma dívida inicial de R$ 12 milhões, incluindo empréstimos bancários e pendências trabalhistas.
O colapso teve impacto direto na produção de pescado no estado, que caiu de 8,5 mil toneladas em 2018 para 4,4 mil toneladas em 2019, uma queda de 48%, segundo a Associação Brasileira de Piscicultura.
A falta de funcionamento efetivo da indústria comprometeu o retorno dos investimentos, estimados em R$ 82 milhões, e deixou para trás instalações que, segundo a Justiça, estão em total abandono, sujeitas a furtos e deterioração.
O levantamento apontava que a razão para a queda drástica era a paralisação das atividades da empresa público-privada.

Falência decretada: um rombo milionário
Em 31 de julho de 2024, a Justiça do Acre decretou a falência da Peixes da Amazônia, decisão divulgada em novembro. O juiz Romário Faria, responsável pelo caso, destacou que a empresa descumpriu o plano de recuperação judicial, não efetuou os pagamentos devidos aos credores e deixou de honrar até mesmo os honorários do administrador judicial.
A sentença aponta que o estado de abandono das instalações e o descaso da empresa inviabilizam qualquer tentativa de recuperação. Além disso, as dívidas trabalhistas ultrapassam R$ 3 milhões, enquanto impostos e valores devidos a fornecedores somam milhões, ampliando o rombo para R$ 70 milhões.
Além disso, os falidos ficam inabilitados de exercer qualquer atividade empresarial.
Impactos financeiros e sociais
O fracasso do empreendimento deixou um legado de prejuízos para o Acre:
- Dívidas trabalhistas: Cerca de 450 empregos diretos foram perdidos, prejudicando centenas de famílias.
- Abandono de produtores: As 2,5 mil famílias de piscicultores, que dependiam do complexo, ficaram desamparadas.
- Danos ao erário público: Parte do investimento veio do governo estadual, aumentando o ônus para os cofres públicos.
A Justiça determinou que os bens do complexo sejam leiloados para quitar parte das dívidas. No entanto, é quase certo que muitos credores ficarão no prejuízo.

Um legado de fracassos na Florestania
A Peixes da Amazônia é mais um exemplo de projetos grandiosos que marcaram a era petista no Acre, mas fracassaram na execução. Assim como a fábrica de preservativos e o complexo de beneficiamento de madeira em Xapuri, a Peixes da Amazônia se tornou um símbolo de desperdício de recursos públicos.
O modelo de parceria público-privada comunitária falhou em demonstrar resultados, e o abandono do projeto expôs falhas de planejamento e gestão. A situação coloca em xeque as estratégias adotadas na época para promover o desenvolvimento sustentável do estado.
A falência da Peixes da Amazônia S.A. deixa um rastro de dívidas, abandono e desconfiança. A promessa de transformar o Acre em referência na piscicultura nacional sucumbiu à má gestão, deixando produtores e contribuintes com o prejuízo. Enquanto isso, resta a pergunta que ecoa entre os acreanos: “Para onde foi todo o dinheiro?”
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.
Marmoreio verde: É possível produzir carne premium exclusivamente a pasto no Brasil?
Com o apoio da genética de precisão e sistemas integrados, produtores brasileiros provam que o Nelore pode atingir altos índices de gordura intramuscular apenas com forragem, unindo o conceito de marmoreio verde à alta rentabilidade e sustentabilidade exigida pelo mercado global
Ciclone extratropical avança e traz chuva de até 100 mm e ventos de 100 km/h; veja onde e quando
Avisos em sequência indicam chuva forte, temporais, possibilidade de alagamentos e impactos no campo, com avanço de sistema associado a ciclone extratropical
Febre aftosa na China pode destravar exportações brasileiras de carne bovina, mas liga alerta mundial
Surto com nova variante da febre aftosa expõe fragilidade do sistema chinês, pressiona produção interna e abre janela estratégica que pode destravar exportações brasileiras de carne bovina para o Brasil ampliar participação no maior mercado do mundo
Agricultor chora ao descartar 50 toneladas de ameixa em SC após colapso nas vendas; vídeo
Sem mercado e com prejuízo que ultrapassa R$ 100 mil, produtor da Serra Catarinense expõe crise silenciosa no campo ao descartar 50 toneladas de ameixa e levanta alerta sobre comercialização e renda no agro
Atenção motoristas colete refletivo será obrigatório nas estradas a partir de junho de 2026; entenda
Nova regra amplia itens de segurança obrigatórios e exige uso do colete refletivo sempre que o motorista sair do veículo em situações de emergência a partir de junho de 2026
Mapa inicia em São Paulo o Diagnóstico Estadual de Inovação Agropecuária
Objetivo do Diagnóstico Estadual de Inovação Agropecuária é mapear ativos, desafios e oportunidades neste ambiente para definição e implementação de futuras políticas públicas
Continue Reading Mapa inicia em São Paulo o Diagnóstico Estadual de Inovação Agropecuária





