Pesquisa internacional aponta atraso, agricultor deveria ser mais valorizado

Pesquisa internacional aponta atraso, agricultor deveria ser mais valorizado

O slogan é dos gringos, mas bem que podia ser nosso. O que pessoas e empresas de todo o mundo podem encontrar no Google, de uma forma consolidada, sobre o agronegócio do Brasil e de nossos concorrentes? Este foi o impulso para um oportuno estudo realizado pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) e pelo Global Inteligence Group¹ (GIG), para descobrir a visibilidade de marketing institucional do agro entre diferentes países, na internet. E o resultado para o Brasil foi pior do que os 7 a 1 contra a Alemanha. Desta vez, o placar foi de 12 a 0.

A pesquisa aprofundou-se em 13 países representativos em exportações e/ou inovações no agronegócio: Brasil, Estados Unidos, Canadá, Peru, Uruguai, China, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Bélgica, Espanha, Holanda e Itália. E, como o espaço deste comentário é limitado para se falar de todos, vamos focar em quatro, que expressam situações estratégicas diferentes.

Há o interessante exemplo da Austrália e do site lá desenvolvido pelo “Conselho de Agronegócio da Austrália” (Agribusiness Council of Australia) – uma organização não lucrativa organizada em 2011, que congrega 11 membros eleitos, com o papel de representar o setor junto a decisores chave da economia e do governo. A iniciativa atrai o engajamento do governo, do agro e de empresas, consolidando uma visão articulada do agronegócio australiano e promovendo sua defesa de valor, com ênfase para inovação.

O estudo também mostra que países pequenos podem desenvolver posicionamentos de valor, mundiais. Como é o caso da Bélgica, com um site marcado por slogan forte – “Pequeno país, grandes alimentos” (Small country. Great Food), indicando a provável existência de metas bem definidas de marketing global. E até o nosso vizinho Uruguai criou um posicionamento internacional através de uma “marca de país” – “Uruguay Natural”, que é franqueada a empreendedores do campo.

Um caso bem conhecido é o dos Estados Unidos, com o site do USDA (Departamento de Agricultura), que promove de modo exemplar o agro norte-americano e também dedica um foco interessante à valorização do produtor. Dois slogans traduzem a força dessa ação de fortalecimento da percepção urbana sobre o campo: “Toda família precisa de um agricultor” (“Every family needs a farmer”) e “Conheça os produtores, conheça sua comida” (“Know your farmer, know your food”).

O agronegócio brasileiro parece que ainda está devendo no diálogo de marketing com o mundo, quando se pensa na internet. Claro que ele vai muito bem, obrigado. Mas quando se olha para o futuro e se quer um agro com tônus para brigar bem em mercados maduros, que buscam inovações e são muito mais sensíveis a percepções de valor nos produtos, bem que poderíamos estar muito mais à frente na construção da marca “Brasil”.

Fonte: Coriolano Xavier, vice-presidente de Comunicação do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), professor do Núcleo de Estudos do Agronegócio da ESPM via revistasafra.com.br

PARTILHAR

Portal de conteúdo rural, nosso papel sempre será transmitir informação de credibilidade ao produtor rural.