Pesquisa mostra alternativa à proibição da pesca do pintado

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Goianésia, GO. Aquicultura. Peixe nativo. Pintado da Amazonia.
Imagem Ilustrativa / Foto: Wenderson Araujo

Criação de pintado em sistema de recirculação em aquicultura uma opção para piscicultura, visando uma alternativa a proibição da pesca do pintado

Por vários autores* – O peixe pintado foi incluído, pela primeira vez, pelo Ministério do Meio Ambiente, na lista de animais ameaçados de extinção. A medida, publicada no início desse mês, passa a valer a partir do próximo dia 5 de setembro. Isso quer dizer que, agora, a pesca desse peixe ficará proibida em todo o Brasil, incluindo a atividade esportiva do “pesque e solte”.

O pintado, (Figura 1) tem o nome cientifico de Pseudoplatystoma corruscans e é da Família dos Pimelodídeos. São peixes de couro, portanto não possuem escamas, sua coloração é acinzentada, tem pintas pretas espalhadas pelo corpo, com costume natural de se alojarem em locais profundos e são peixes carnívoros de água doce (SANTOS, 2020). A espécie se distribui em grandes e importantes bacias hidrográficas da América do Sul, entre elas: São Francisco, Paraná, Paraguai e Uruguai. Também ocorre em mais quatro países além do Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina.

peixe pintado - Pseudoplatystoma corruscans
Figura 1 / Imagem google: https://colombia.inaturalist.org/taxa/494427-Pseudoplatystoma-corruscans

Há preocupações com a proibição, pois muitos pescadores dependem desse peixe para sobreviver. Uma solução seria reunir esses pescadores em cooperativas para montar sistemas de aquicultura, já que a pesca no rio é algo que deve ser reduzido cada vez mais, devido aos imperativos de preservação do meio ambiente. Com o crescimento da população mundial, nunca houve uma necessidade maior de produzir alimentos em grande quantidade e de forma sustentável do que hoje.

A piscicultura, tornou-se uma alternativa viável para a produção de alimentos nutritivos, com baixo teor de gordura e calorias, ricos em proteínas, vitaminas e minerais. Dentre essas estruturas podemos citar algumas como: viveiros escavados, tanques em alvenaria, tanques-rede e tanques de geomembrana, geralmente suspensos, que possibilitam maior controle sobre a produção principalmente quando em sistema de recirculação de água.

Todavia, para a correta produção, esses produtores precisam ser bem instruídos, pois se não souberem lidar com a tecnologia poderá ocorrer a mortalidade dos animais. Ainda é necessário o correto descarte ou adequado tratamento dos “rejeitos” dessa produção.

O sistema RAS (Figura 2) consiste em potencializar processos naturais que ocorrem no meio ambiente, fazendo com que seja viável a recirculação dessa água e reaproveitamento de recursos, fazendo com que a reposição dessa água seja quase que nula, repondo apenas o percentual perdido no manejo e na evaporação.

O Sistema de Recirculação em Aquicultura é uma unidade de produção intensiva dotada de alto nível de tecnologia. As principais características do sistema são: tratamento da água, permitindo seu reuso, reduzindo o tratamento de esgoto e tornando-o mais sustentável; devido ao melhor controle das variáveis físico-químicas da água e maior biossegurança por serem um sistema fechado, que impede a entrada ou saída de potenciais patógenos, aumentando assim a capacidade de suporte à produção (Ferri et al., 2018).

Figura 2: Tanque de geomembrana (Sistema RAS) / Fonte: arquivo pessoal.
Figura 2: Tanque de geomembrana (Sistema RAS) / Fonte: arquivo pessoal.

Pesquisas recentes mostraram que o pintado criado em tanque de geomembrana com sistema de recirculação de água apresentou excelente desempenho zootécnico. Com isso, este sistema de produção oferece uma forma mais sustentável de criação, mesmo em pequenas áreas onde a água é escassa ou raramente disponível, pois o modelo exige apenas uma taxa de reposição de água de 10%.

Em geral, criações comerciais e abatedouros de peixes utilizam o pintado com peso final de abate de aproximadamente 1,5 a 2,5 kg. No estudo, os pesquisadores sugeriram que a criação de pintado poderia ser realizada em etapas e o peixe poderia ser abatido a partir de 700 g como uma opção de retorno econômico em menor período de tempo CABRAL JÚNIOR et al. (2021). Assim os pequenos produtores não precisariam aguardar muito tempo para que tivessem um retorno financeiro.

Evidentemente precisamos de outras pesquisas sobre esse tipo de criação de pintados, principalmente sobre as características morfométricas e rendimento corporal, estima-se que pintados menores a 2,0 kg podem ser mais interessantes para o aquicultor e consequentemente ao consumidor (SOUZA et al., 2020). Portanto, os benefícios das boas práticas de produção abrangem todas essas esferas da criação.

Portanto, com uma boa instrução técnica e aderindo ao Sistema de Recirculação de Aquicultura (RAS), o pescador que pode perder seu ganho com a proibição da pesca do pintado, poderá ter uma alternativa rentável e sustentável, que será a criação do pintado em cativeiro com uma qualidade tão boa ou melhor quando comparado com o pescado na natureza.

Autores: Talita Ribeiro Lemos Ferreira; Odair Diemer; Adriano Carvalho Costa; Priscila Alonso dos Santos; Marco Antônio Pereira da Silva

REFERÊNCIAS
EMBRAPA, Pesca e Aquicultura, Embrapa, disponível em:https://www.embrapa.br/tema-pesca-e-aquicultura/perguntas-erespostas. Acesso em: 10 junho. 2022.
JUNIOR, Aderbal Inácio Cabral et al. Características morfométricas da pintura em diferentes classes de peso. Natureza e Conservação, v. 14, não. 2 P. 56-65, 2021.
FAO, A gestão da pesca funciona: é hora de aplicá-la de maneira mais ampla, FAO, disponível em:< https://www.fao.org/brasil/noticias/detailevents/pt/c/1279825/>. Acesso em: 20 JUN. 2022.
PEIXE BR – Associação Brasileira da Piscicultura – Anuário Peixe BR, 2020. 136p. Disponível em: https://www.peixebr.com.br/anuario-2020/. Acesso em: 20 JUN. 2022.
SEBRAE, Aquicultura no Brasil: série estudos mercadológicos, Brasília/DF: Sebrae,2015.

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