Pesquisa intitulada “Monitor de Tendências do Agronegócio Brasileiro” abrange produtores de todas as regiões do Brasil para mapear decisões sobre insumos, tecnologias, financiamento e seguro rural
O departamento de Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) acaba de divulgar um levantamento inédito que traz à tona as principais tendências do setor rural no Brasil. A pesquisa, intitulada “Monitor de Tendências do Agronegócio Brasileiro”, entrevistou produtores rurais de todas as regiões do país, de diversos portes, e englobou as principais atividades agropecuárias. O objetivo foi entender como os agricultores e pecuaristas estão tomando decisões estratégicas em relação à aquisição de insumos, tecnologias, financiamento e seguro rural.
Os resultados destacam um perfil inovador e atento às boas práticas de gestão. De acordo com o estudo, a maioria dos produtores se define como adotantes intermediários de tecnologias. Cerca de 60% dos entrevistados afirmaram que só adotam novas tecnologias após observarem resultados positivos em outros produtores. Essa cautela reflete a busca por segurança antes de arriscar novos investimentos.
Investimentos na próxima safra
Quando se trata de investimentos para a próxima safra, a pesquisa mostra um cenário de prudência. A tendência é que os níveis de investimento se mantenham semelhantes aos do ciclo anterior. Curiosamente, os pecuaristas estão um pouco mais dispostos a investir do que os agricultores. No entanto, máquinas e implementos tiveram uma queda significativa nas intenções de investimento, com 45% dos entrevistados afirmando que não irão investir ou investirão menos nesse tipo de ativo.
Os principais desafios apontados pelos produtores para realizar novos investimentos são o custo elevado inicial e o alto custo do crédito. Esses fatores limitam a capacidade dos produtores de expandir suas operações ou atualizar seu maquinário.
Crédito rural e seguro: entraves e decisões
Outro ponto de destaque é o menor interesse em captar crédito rural para a próxima safra. A pesquisa revelou que a burocracia e o custo elevado do crédito são grandes entraves. Quanto à gestão de risco, 40% dos entrevistados consideram contratar seguro rural, enquanto 25% ainda estão indecisos, mencionando também o custo como um fator impeditivo.
Bioinsumos: crescimento e desafios
Nesta edição, o tema rotativo da pesquisa focou nos bioinsumos, que estão ganhando força no mercado. Cerca de 66% dos entrevistados afirmaram já utilizar bioinsumos em suas operações, mas apontaram obstáculos como o alto custo de aquisição, a dificuldade de aplicação e os problemas de armazenamento. Os produtores também destacaram que a qualidade, o preço e a marca confiável são os fatores mais importantes ao escolher tanto insumos tradicionais quanto bioinsumos.
Contexto desafiador para o agronegócio
Os resultados do estudo foram colhidos em um momento marcado pela queda dos preços das principais commodities agrícolas e pela seca que afeta o Mato Grosso, principal estado produtor do país. O cenário atual do mercado de insumos, especialmente os bioinsumos, ainda é considerado emergente, mas com grande potencial de crescimento.
A pesquisa e seus detalhes
A Kynetec Brasil, empresa especializada em estudos de mercado, foi a responsável pela execução da pesquisa a pedido da FIESP. Foram ouvidos 514 agricultores e pecuaristas, selecionados com base em sua representatividade nos principais segmentos e regiões produtoras. As entrevistas contemplaram culturas como soja, milho, café, algodão e cana-de-açúcar, além da pecuária de corte e leite, com foco em produtores que utilizam tecnologias modernas, considerados dinamizadores do setor.
O “Monitor de Tendências do Agronegócio Brasileiro” será publicado anualmente, trazendo sempre um panorama atualizado do setor, com foco nos desafios e oportunidades do agronegócio no Brasil.
- Para consultar a íntegra do estudo, clique aqui
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