Pesquisas dizem que mercado externo vai mover setor suinícola em 2017

Segundo pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), após um ano difícil para a suinocultura brasileira, as esperanças de agentes do setor se renovam para 2017 pautadas, mais uma vez, especialmente no mercado internacional. Já o crescimento da produção doméstica deve ser mais comedido, mesmo com a expectativa de custos menores. Isso porque as projeções de consumo de carne suína seguem desfavoráveis para o mercado brasileiro, que representa cerca de 85% do destino da produção nacional.

No Brasil, dados macroeconômicos indicam que a demanda por parte do consumidor deve seguir enfraquecida. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, de 30 de dezembro de 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescimento de apenas 0,5% em 2017. Dado que grande parte do consumo de carne suína brasileiro se dá no formato de produtos de maior valor agregado e alta elasticidade-renda da demanda, a renda da população comprometida prejudica ainda mais a procura por esses itens.

Por outro lado, as expectativas são melhores para as vendas ao exterior. Segundo previsões da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações de carne suína devem aumentar até 5% em 2017. Além da continuidade do bom ritmo de embarques para a China, são esperadas a concretização da abertura do mercado sul-coreano bem como novas conquistas ou ampliação das vendas para compradores da carne suína brasileira.

A incógnita está relacionada aos Estados Unidos e aos reflexos das estratégias efetivas que serão colocadas em vigor pelo governo de Donald Trump. A depender das medidas, uma das oportunidades ao Brasil seria a abertura do mercado mexicano. Em contrapartida, o aumento da produção de carne suína pelos norte-americanos, que já vem ocorrendo recentemente, tende a elevar a concorrência com os produtos brasileiros nas vendas internacionais. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), já no início de 2017, estarão prontos para abate mais animais que no mesmo período do ano passado.

Em relação à Rússia, maior importador da carne suína brasileira, com 228,4 mil toneladas de janeiro a novembro de 2016, as expectativas não são promissoras. Aos poucos, o país vem desacelerando as aquisições do produto nacional. A estratégia dos russos é de buscar a autossuficiência na produção de carne suína. Segundo dados da Rosstat, apresentados por especialistas russos do setor suinícola na conferência de 2016 do Agribenchmark Pig Network, do qual o Cepea faz parte, o rebanho vem crescendo nos últimos anos, especialmente por parte da produção corporativa, que vem substituindo a familiar.

Diante dos cenários de vendas internas e externas, a ABPA estima que a produção de carne suína brasileira crescerá apenas 2% em 2017. A postura, de modo geral, é de cautela para que não ocorra “sobreoferta” de carne no mercado nacional, que, por sua vez, não tem absorvido facilmente excedentes de produção, mesmo a preços menores. A prudência em relação ao aumento do plantel deve ser ainda maior por parte do produtor independente, que arca com os riscos atrelados tanto às variações nos valores de venda do animal para abate quanto nos preços pagos pelos insumos.

No mercado de milho, vilão dos custos da atividade suinícola em 2016, as previsões são de preços menores para 2017, aliviando o caixa de produtores, cooperativas e agroindústrias. O fechamento da terça-feira, 3, para os contratos negociados na BM&FBovespa para maio foi de R$ 35,25/saca de 60 quilos, valor 30% menor que o recorde nominal histórico do físico nacional, de R$ 51,02/saca em maio de 2016, cotados pela Equipe Grãos/Cepea na região de Campinas (SP).

Segundo o último levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total brasileira do cereal na safra 2016/2017 deve crescer 25,9% em relação à anterior, para 83,8 milhões de toneladas – o aumento principal deve ser para o milho de segunda safra, de 37,7%, para 50,1 milhões de toneladas. Porém, a disponibilidade interna do produto para criação animal será determinada especialmente pela atratividade dos preços internacionais.

Ao menos agora, o setor suinícola pode contar com a possibilidade de importação de milho dos Estados Unidos, autorizada em 2016, além da compra de produto do Argentina e Paraguai. Nesses países vizinhos, segundo perspectivas do USDA, a previsão também é que a produção aumente 26% e 4% na safra 2016/2017, respectivamente, passando para 36,5 milhões de toneladas e 3,3 milhões de toneladas. No caso dos argentinos, em particular, a área plantada vem aumentando como reflexo da isenção de tarifas para a exportação de milho adotada pelo país.

Revista Safra com informações do Cepea

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