Peste suína africana está assustando o mundo

Peste suína africana está assustando o mundo

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Foto: EDUARD KORNIYENKO/REUTERS

O vírus incurável que está dizimando os suínos na China é assustador e causará impactos na economia mundial.

O alastramento em velocidade incrível da febre suína africana na China e em outros países do Sudeste Asiático é algo assustador, e se torna o principal fato do agronegócio mundial em 2019 – Fala é do especialista em agronegócio, professor Marcos Fava Neves da USP.

Os preços de carne suína no mercado global podem aumentar drasticamente conforme a febre suína africana se espalha pela criação destes animais na China, onde está metade da população mundial de porcos. A boa notícia é que a doença (ainda) não é prejudicial à saúde humana. A má notícia é que isso provavelmente trará um prejuízo para o seu bolso.

Dados oficiais divulgados na semana passada reforçam a gravidade da situação. O Departamento Nacional de Estatística diz que a população de porcos do país caiu em quase 40 milhões, para 375,3 milhões, em relação ao ano anterior, devido ao surto de febre suína. Olhando para o futuro, a epidemia poderia dizimar cerca de 200 milhões de porcos na China, de acordo com um relatório sombrio do banco holandês Rabobank.

A previsão é de que a produção de suínos da China cairá 30% neste ano, gerando implicações para os mercados globais de commodities.

“Os impactos serão muito grandes, pois com a ida ao mercado mundial para abastecer seu mercado interno, os chineses trarão aumento no preço de todas as carnes no mundo todo, importarão menos grãos para fazer rações em virtude da redução do plantel e terão que aumentar seus controles e regulações, aumentando custos de produção. Ao Brasil, imediato aumento nas exportações de carnes e queda nos grãos, que serão mais demandados no mercado interno para fazer rações. Para a turma das carnes, ao trabalho para aumentar rapidamente o que for possível da produção no Brasil. O virus não ameaça humanos, mas não tem cura e os animais devem ser sacrificados” finalizou Marcos.

A maior produtora de suínos e aves da China, Wen’s Foodstuff, afirmou que registrou um prejuízo de 460,5 milhões de iuanes (US$ 68,6 milhões) no 1º trimestre deste ano. Os ganhos da empresa foram prejudicados por preços baixos, enquanto os gastos aumentaram para a proteção de suas criações, ameaçadas pelo surto da peste suína naquele país.

PSA – Peste Suína Africana

A peste suína africana (PSA) é uma doença altamente contagiosa, causada por um vírus composto por DNA fita dupla. A doença não acomete o homem, sendo exclusiva de suídeos domésticos e asselvajados (javalis e cruzamentos com suínos domésticos). A PSA tem sido observada desde o início do século 20 no sul e leste africanos e inicialmente era caracterizada pelos aspectos clínico-patológicos semelhantes à peste suína clássica (PSC). No entanto, posteriormente foi observado que as duas enfermidades são distintas.

Não existe vacina ou tratamento para PSA.

Em setembro de 2018, o vírus da PSA foi detectado em suínos de subsistência na China e na Romênia e em javalis na Bélgica. Nestes surtos, a fonte comum de infecção foram restos de alimentos contendo produtos não cozidos, derivados de suínos, contaminados com o vírus.

Contribuiu: Embrapa Suínos e Aves

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