Petrobras desiste de vender fábrica de fertilizantes para Russos

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Fábrica de fertilizantes nitrogenados (UFN3), em Três Lagoas — Foto: Chico Ribeiro/Reprodução

A Petrobras anunciou que não chegou a acordo com a russa Acron para vender a UFN 3; Quem será o novo comprador da unidade bilionária de fertilizantes no país?

A Petrobras desistiu de vender a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas (MS), ao grupo russo Acron, depois de ter anunciado em fevereiro avanços no processo de desinvestimento que se estende por anos. Em comunicado ao mercado, a Petrobras afirmou que o plano de negócios da compradora “impossibilitou determinadas aprovações governamentais“.

Segundo as primeiras informações no início das negociações, a chamada Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, seria repassada ao grupo empresarial Acron, da Rússia. Estava à venda desde 2017, ano em que a Petrobras bateu o martelo sobre não querer mais produzir fertilizantes e numa tentativa de repor as perdas financeiras da unidade que este ano já acumulam RS 3,8 bilhões.

Segundo a Petrobras, o plano de negócios proposto pela Acron impossibilitou as aprovações governamentais necessárias para a continuidade da transação.

“Assim, a companhia está realizando os trâmites internos para encerramento do atual processo de venda e lançamento de um novo tão logo possível”, afirmou em comunicado.

Em fevereiro, a estatal disse que havia chegado a um acordo com a Acron para as minutas contratuais da venda, depois de a então ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ter comentado em um evento que a compra havia sido fechada.

O anúncio foi feito em fevereiro, antes da visita do presidente Jair Bolsonaro à Russia. O governante brasileiro se encontrou com Vladimir Putin dias antes do início da guerra na Ucrânia.

A estatal iniciou a fase não vinculante de venda da UFN-III em fevereiro de 2020. A planta teve sua construção iniciada em setembro de 2011, mas interrompida em dezembro de 2014, com avanço físico de cerca de 80% das obras.

Após concluída, a unidade teria capacidade projetada de produção de 3.600 toneladas de ureia por dia e de 2.200 toneladas de amônia por dia, segundo dados da Petrobras.

Foto: Divulgação

Confira a nota oficial da Petrobras:

A Petrobras, em continuidade aos comunicados divulgados em 21/02/2020 e 04/02/2022, informa que não foi concluído o processo de venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, com o grupo russo Acron, tendo em vista que o plano de negócios proposto pelo potencial comprador, em substituição ao projeto original, impossibilitou determinadas aprovações governamentais que eram necessárias para a continuidade da transação.

Assim, a companhia está realizando os trâmites internos para encerramento do atual processo de venda e preparando o lançamento de um novo teaser tão logo possível. A previsão é lançar o novo processo já no início de junho.

A Petrobras reforça o seu compromisso com a ampla transparência de seus projetos de desinvestimento e de gestão de seu portfólio e informa que as etapas subsequentes do projeto serão divulgadas de acordo com a Sistemática de Desinvestimentos da companhia.

Sobre a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III)

As obras da fábrica começaram em 2011 e paralisadas em dezembro de 2014, quando a Petrobras rompeu o contrato com o consórcio que havia vencido a licitação para a construção, alegando descumprimento do contrato.

Em 11 de fevereiro de 2017, a estatal anunciou estar colocando à venda a UFN 3 e também da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), que opera em Araucária (PR), como parte da estratégia de desinvestimento da companhia e de saída da produção de fertilizantes no país. Mais de um ano depois, em 9 de maio de 2018, a Petrobras, em comunicado de mercado, informou o início das negociações com exclusividade com o grupo russo Acron pelo prazo 90 dias.

A venda da fábrica, então bem encaminhada, ficou em suspenso, entretanto, em junho de 2018, quando o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu, por meio de uma liminar, o governo de privatizar empresas estatais sem prévia autorização do Congresso.

Ao julgar o mérito da ação sobre o assunto, o plenário do STF decidiu no dia 6 de junho deste ano, manter a proibição para as estatais, mas autorizou as vendas das subsidiárias, as subdivisões dessas “empresas-mães”, sem o aval do Legislativo.

No dia 14 de junho, a estatal comunicou ao mercado a retomada do processo para a venda da UFN 3 e também da Ansa. “Dessa forma, a Petrobras está retomando o processo competitivo para a venda dessas unidades”, afirmou a empresa, acrescentando que “a operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhoria da alocação do capital da companhia”.

A estatal colocou a UFN3 à venda em setembro de 2017, alegando que não tinha mais interesse em seguir no seguimento de fertilizantes. A empresa da Rússia manifestou interesse na compra da fábrica, mas depois desistiu diante do empecilho para o fornecimento do gás natural, que viria da Bolívia.

Agora, a empresa encerra a desistência do negócio.

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