Preço do leite: Análise do cenário atual e futuro

Preço do leite: Análise do cenário atual e futuro

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Foto: Divulgação

A pecuária leiteira possui um papel importante dentro do Agronegócio brasileiro e consequentemente na sociedade

Quando começamos a analisar o setor durante os anos que se passaram, encontramos características que apontam o quanto o setor vem aderindo a modernização tecnológica, assim como os outros setores do Agronegócio.

Essa modernização no setor possui efeitos que vão desde a produtividade por área até na redução dos custos de produção, tornando o setor cada vez mais eficiente e competitivo no mercado interno e externo. Ou seja, quando trabalhamos com baixo custo de produção este nos permite uma margem de lucro maior, e consequentemente aumento de produção mesmo recebendo preços mais baixos.

A realidade que encontramos, segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP o preço do leite entregue em agosto e recebido pelo produtor em setembro registrou a quarta queda consecutiva no campo, com recuo de 7 centavos/litro (ou de 6,16%) frente a agosto. O preço líquido, que não considera frete ou impostos, fechou a R$ 1,0843/ litro na “média Brasil”, que inclui os estados de BA, GO, MG, SP, PR, SC, RS. Na comparação com setembro do ano passado, a diminuição é de 48 centavos/litro, ou de 30,7% (dados deflacionados pelo IPCA de setembro/17).

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Série de preços médios pagos ao produtor – Fonte: Cepea-Esalq/USP – Adaptado pelo autor

O que justificaria essa queda, levanto em conta os altos preços pagos aos produtores no primeiro semestre do ano? Para avaliarmos é preciso observar quais são as influências que afetam esse mercado.

Para falarmos de mercado é preciso analisar a cadeia produtiva (Figura 1) envolvida no processo, ou seja, precisamos sair de dentro da fazenda para analisar as influências dos outros setores no preço pago ao produtor.

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Cadeia produtiva do leite / Imagem: Thiago Pereira

Analisando os insumos agropecuários, principalmente a parte de grãos, que compõe o custo de produção, encontramos uma realidade melhor no ano de 2017 quando comparado ao ano de 2016, que teve um preço de aquisição dos insumos pelo produtor, acima da média. Esses fatores foram influenciados principalmente pelo mercado externo. Porém, segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Rodrigues Carvalho, ele afirma que, para este ano, espera-se um volume de produção superior aos registrados em 2015 e 2016, mas sem excesso de oferta. “Será um ano de recuperação de safra, já que a relação preço do leite e insumo, na média, tende a ser melhor”.

No setor de logísticas, o Brasil tem enfrentado aumentos de combustíveis e impostos cada vez mais elevados. Além destes fatores, as estradas estão ficando em situação de calamidade, ou quando estão boas possuem pedágios. Esses valores acabam refletindo não somente para o produtor, mas principalmente para o consumidor final que tem percebido esse aumento nas prateleiras dos supermercados.

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Em meio a todo esse cenário de baixo custo de produção do leite e aumento da tecnologia aplicada nas fazendas, era de se esperar o aumento da produção de leite nas propriedades. Porém, apesar de parecer algo benéfico, quando temos esse aumento da captação atrelado ao baixo poder de aquisição pelo consumidor final, o que encontramos são aumento da captação de leite com consequente aumento do estoque nas prateleiras. Em resumo, as sucessivas baixas no valor do leite se justificam pela fraca demanda e pelo aumento da captação.

É preciso entender que todos os elos dessa cadeia produtiva, são regulamentadas por leis e influenciadas direta e indiretamente pelas políticas governamentais. Sendo assim, a crise política e financeira que o Brasil passa tem refletido no poder aquisitivo da população. Quando ocorre a queda desse poder de compra, o consumidor tende primeiro a tirar da sua lista de compra os “supérfluos”, ou seja, aquele leite UHT, iogurtes, queijos e leite em pó. Esse menor consumo é visto também pelas compras realizadas pelo governo para consumo em escolas, hospitais e creches.

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Ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Fonte: Globo.com

Diante desses fatos, o setor se encontra de “cabelo em pé” para poder tentar achar uma solução para poder manter o setor ativo e em processo de crescimento acelerado como vinha no primeiro semestre. É necessário que todos ligados a cadeia produtiva esteja pensando em um trabalho em conjunto. Sabemos que não serão apenas atitudes como o fechamento das importações do leite uruguaio, diminuição do combustível e o melhor preço do leite pago ao produtor que irá definir um cenário satisfatório.

Portanto, é hora de termos a consciência de trabalhar em conjunto. Não adianta alta produção de insumos sem produtor para adquirir, nem alta produção de leite sem mercado para consumir.

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Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa MBA em Gestão de Projetos pela UNIUBE, idealizador do projeto Tecnologia para o Agronegócio. Possui base técnica e experiência de campo em propriedades de corte e leite. Atua com foco no atendimento ao cliente, qualidade dos serviços prestados e no alcance de metas e melhores resultados para a sua empresa. (35) 99894-0080 thiagorp100@gmail.com