
Raça Texel lidera participação entre as os exemplares participantes das pistas no julgamentos de ovinos e movimenta Expointer 2025, em Esteio (RS)
O primeiro dia de julgamentos de ovinos na 48ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), neste domingo, 31 de agosto, contou com seis raças: Poll Dorset, Romney Marsh e Romney Marsh naturalmente colorido, Corriedale naturalmente colorido, Hampshire Down naturalmente colorido, Suffolk e Texel. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), a inscrição da espécie na feira é a maior dos últimos 15 anos, sendo que a raça Texel é a que possui o maior número de exemplares, 226, liderando também entre os naturalmente coloridos, com 103.
O Texel serve tanto para carne quanto para a produção de lã, por isso é difundido no Rio Grande do Sul há várias gerações. O criador Jonas Augusto Petry, da cabanha Mascarada, de Rolante (RS), participa há 24 anos da exposição em Esteio e em 2024 foi campeão na categoria grande borrego do Texel. “Neste ano, do plantel de 96 animais, trouxemos quatro para competir. A Expointer é importante para difundir o nome, a marca e melhorar a comercialização dos animais”, aponta Petry.
Para a superintendente de Registro Genealógico da Arco, Magali Moura, o crescimento de animais na feira aponta a tendência de expansão da carne ovina pelo país. “Nós tivemos 997 animais inscritos e a cada ano estamos aumentando a representação”, relata Magali. Ela destaca também a presença de jurados internacionais tanto da Inglaterra quanto do Uruguai. João Cuñete, que julga a raça Romney Marsh, ressalta que esta raça já existia na época das grandes cruzadas e viveu isolada das demais raças inglesas.
O jurado uruguaio fica sempre atento ao vigor, vivacidade e nobreza racial, observando cabeça, pescoço e lã. “Olho os defeitos sem deixar de notar as características principais como o comprimento do corpo, a largura das costelas bem arqueadas e o lombo comprido”, explica. Cuñete lamenta que seu país tenha baixado de 24 milhões de cabeças de algumas décadas atrás para apenas 6 milhões atualmente. Destaca que julgar na Expointer é um reconhecimento ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos.
A superintendente da Arco também afirma que o mercado internacional está aquecido. Ela enfatiza que a associação exporta lã suja certificada para o Uruguai e de lá o produto brasileiro ganha os portos do mundo. Segundo Magali, a abertura de novos mercados é uma questão que será debatida na Câmara Setorial de Ovinocaprinocultura, que ocorrerá na Expointer. “Hoje, Namíbia e Angola estão com portas abertas para gado em pé do Brasil e outros mercados internacionais têm interesse, mas ainda não há um protocolo definido nem volumes, por isso incentivamos o nosso produtor a criar mais e melhor”, afirma.
Na questão de mercado consumidor, Magali pontua que se, por um lado, São Paulo é o maior consumidor de ovinos, atualmente Pernambuco detém o maior rebanho de ovinos do Brasil. “Hoje a gente não é mais o maior rebanho em nível de Brasil, Pernambuco está à frente do Rio Grande do Sul. Porém, continuamos fornecendo muita carne ovina para São Paulo, Santa Catarina e Paraná”, informa, sinalizando que o estado possui raças de carne com qualidade, rusticidade e acabamento a pasto, fatores muito positivos que impactam diretamente no sabor da carne.
Entre as curiosidades da feira, está um animal com múltiplos chifres. O produtor Paulo Campos, do criadouro Guerreiro dos Campos, de Morretes (PR), afirma que há mercado apenas para o crânio deste animal. “Desde pequeno você já sabe que ele vai ter cinco chifres”, comenta Campos. Segundo ele, um exemplo da utilização do chifre é um instrumento musical usado pelos judeus em cerimônias religiosas, o shofar, que, para os brasileiros, seria semelhante ao berrante usado pelos pantaneiros.
O julgamento dos ovinos na Expointer 2025 segue até a próxima quarta-feira, 3 de setembro, em quatro pistas simultâneas. Os resultados completos por raça, com seus campeões, podem ser conferidos no site da Arco em www.arcoovinos.com.br.
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