Produção de uvas ganha destaque em Alfredo Chaves

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Foto: Divulgação

Localizadas nas comunidades de São Bento de Urânia, a fruta já está presente em cerca de 15 propriedades no município, com altitudes que variam de 250 a 1.036 metros.

Famílias rurais de Alfredo Chaves, na região sul do Estado, têm comemorado o desenvolvimento da produção de uvas nas propriedades. Para isso, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) não tem poupado esforços em assistir os produtores que já iniciaram a poda das videiras para as próximas safras de 2021 e 2022.

Tradicionalmente, no município, a época de poda das videiras já ocorreu nos meses de julho e agosto, período em que as plantas apresentam o “choro” após o corte dos sarmentos, indicando que as raízes já estão ativas e absorvendo água do solo. Das uvas produzidas, a maioria é de variedades voltadas para o consumo de mesa e fabricação de vinho ou suco como, Isabel, Isabel Precoce, Niágara Rosada, Vitória, Carmen, Violeta e Bordô.

Cultivada há mais de cem anos pelos italianos, a fruta já está presente em cerca de 15 propriedades no município, com altitudes que variam de 250 a 1.036 metros, localizadas nas comunidades de São Bento de Urânia, São Francisco de Urânia, Córrego da Fortuna, Rio Novo de Matilde, Iriritimirim, Ibitiruí e Cachoeira Alta.

É o caso da família do senhor Hercílio Antônio Krohling, que mora no Sítio Três Lagoas, localizado no distrito de Iriritimirim. Há pouco mais de dois anos, em uma área de 2.1 hectares, a família reserva um espaço exclusivo para a produção de uvas, com 120 pés das cultivares conhecidas popularmente como Niagara Rosada e Isabel Precose, ambas voltadas para o agroturismo local e para consumo próprio.

“Eu sempre fui cafeicultor e esse investimento era um sonho antigo e que agora eu fico emocionado em dizer que realizei e que finalmente está dando certo. Isso tem mudado a nossa vida para melhor. Temos recebido muitos turistas por aqui, fora o esforço que eu faço, que é menor comparado ao café e isso tem me deixado mais tranquilo”, disse o produtor.

A filha de seu Hercílio, Maria Angela Krohling e seu companheiro, Silvanei Henriques, têm emprego fixo no centro da cidade, mas aos fins de semana priorizam a dedicação ao sítio. Eles contaram que tudo começou com um dia de campo sobre a cultura da uva, na região serrana do Estado, realizado pelo Incaper.

“Eu já tinha buscado algumas mudas de uvas com amigos aqui da região, mas na ocasião também nos doaram mudas já enxertadas. Isso nos motivou bastante. Todos os dias estamos pesquisando e colocando em prática o que a gente aprende”, contou.

Em 2020, eles venderam uma média de 700 Kg de uvas para famílias locais e turistas de toda a parte. No mês de dezembro a família irá comemorar o seu segundo ano de produção. “A expectativa é na próxima safra alcançar, no mínimo, mil quilos de uvas colhidas para a venda local”, afirmou senhor Krohling.

O extensionista do Incaper local, Marcelo Freitas Ladeia, lembrou que este ano a equipe esteve presente nas propriedades para prestar orientações quanto à coleta de solo, recomendações de calagem e adubação, plano de manejo fitossanitário e acompanhar a poda, a quantidade ideal de calcário, matéria orgânica, macronutrientes e micronutrientes para as plantas, entre outros detalhes relevantes para essa prática.

“Agora é um momento oportuno para reforçar a assistência técnica aos produtores, com o objetivo de superar a produção para a safra 2020/2021. Inclusive, já temos ações até o período da colheita, o que deve ocorrer em janeiro e fevereiro do ano que vem”, disse.

“O que me chamou atenção na última vez que recebi o Incaper aqui no sítio, é que eu tinha feito as carreiras de uvas muito largas e por eles terem me orientado, vou aumentar o número delas e diminuir o espaço. Vou aumentar a minha produção e, quem sabe, mais para frente, começo a produzir sucos e vinhos também, né?”, completou senhor Krohling.

Em janeiro o Incaper realizou o dia Especial da Comercialização da Uva para toda a comunidade, onde toneladas da fruta, produzidas por agricultores familiares da região, foram vendidas. Segundo Marcelo Ladeia, as pessoas também aguardam ansiosamente pelas próximas edições da festa da Uva e do Vinho, que acontece em São Bento de Urânia, e precisou ser adiada no último ano, devido à pandemia.

Uva no Espírito Santo

O Estado do Espírito Santo tem microrregiões com condições diferenciadas de clima e solo, que propiciam o cultivo da videira em vários municípios. Essas importantes características estão distribuídas praticamente em todo o estado, porém a abrangência do Polo de Vitivinicultura envolve 38 municípios responsáveis por uma área plantada de 175 ha, com uma produção de 2.466 toneladas de frutos, sendo que 1.900 toneladas são destinadas para comercialização de frutos de mesa (frutos “in natura”) e 550 toneladas para a produção de vinho e suco.

Estão envolvidos nessa cadeia produtiva 564 propriedades de base familiar. Os municípios de Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, Santa Leopoldina, Domingos Martins, Marechal Floriano, Venda Nova do Imigrante, Conceição do Castelo e Alfredo Chaves se destacam nesse contexto.

Fonte: Incaper

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