Produtores do Tocantins perdem soja e safrinha torna-se enigma

Produtores do Tocantins perdem soja e safrinha torna-se enigma

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perdas de lavouras no tocantins pela chuva
Foto: Pedro Silvestre

Chuva impede colheita da soja em Tocantins, tira qualidade dos grãos e agricultores falam em 50% de quebra de safra; cenário também inviabiliza safrinha de milho

Vida de agricultor não é fácil. O pior cenário se apresentou: seca no plantio e chuva na colheita, é assim que os produtores de soja estão se sentindo e correndo contra o tempo para salvar a safra de soja e tentar pegar a janela do milho safrinha. O excesso de chuvas está impedindo que os produtores de soja do Tocantins coloquem suas colheitadeiras em campo para iniciar os trabalhos de retirada do grão. Esse atraso para colher a soja já pronta está deixando muitos deles apreensivos, principalmente quanto a qualidade do grão.

A perda de produtividade na soja, por conta do clima, é esperado em todo o estado. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apesar do crescimento de 5% na área plantada, o clima adverso limitou um pouco a produtividade, que deve girar agora em torno de 54 sacas por hectare na média, contra as 55,3 sacas de 2019/2020.

Segundo a vice-presidente da Aprosoja TO, Carolina Schneider Barcelos, há relatos de regiões com atraso do calendário de atividades, mas também já prejudica a qualidade dos grãos dessa safra. A liderança aponta que, mesmo nos dias sem chuva, ainda não há Sol e isso impossibilita que a água acumulada seque. Algumas partes do estado inclusive já apresentam perdas de até 50% na produtividade devido à essa situação.

graos de soja germinando na planta pelo excesso de chuvas
Foto: Divulgação

Diante deste cenário crítico, a Aprosoja Tocantins emitiu uma nota pública na data de hoje, 26 de fevereiro de 2021 para falar sobre o problema do excesso de chuvas no estado, confira na íntegra:

A Associação de Produtores de Soja e Milho do Tocantins (APROSOJA TO) vem por meio desta nota tornar pública a severidade dos problemas ocasionados pelo excesso de chuvas no período da colheita de soja – Safra 20/21 no Tocantins.

O otimismo que cercava os produtores para a colheita da atual safra de soja tornou-se em muita apreensão nas últimas semanas. Muitos agricultores ainda não conseguiram terminar sua colheita e os prejuízos já são vistos nas lavouras fazendo uma simples análise dos grãos dentro das vagens. A grande parte dos produtores que já colheram sofreram severas avarias na qualidade dos grãos devido à umidade excessiva.

O atual cenário vem causando colapso nos armazéns – incluindo os particulares – que além de estarem sobrecarregados, não conseguem fazer o carregamento devido à falta de padrão dos grãos e também a porcentagem de umidade que está muito acima da margem permitida. A estimativa, analisando o que vem sendo observado, é de 25 a 30% de perca até a presente data. Porém há produtores com porcentagem de prejuízos ainda maiores.

O grande atraso da colheita, além de trazer prejuízos à soja, também gera um enorme problema com a produção de milho safrinha no estado. Com esta situação, a janela de plantio indicada pelo ZARC (calendário a ser seguido principalmente para fechamento de seguro) ficou praticamente impossível de ser seguida, trazendo enormes incertezas sobre o futuro da segunda safra de milho.

A APROSOJA TO se solidariza com todos os produtores que dia a dia lutam para cumprir com seus contratos e para produzir matéria prima aos mais diversos fins – principalmente comida à mesa da população brasileira – e se coloca a disposição para dialogar sobre os problemas descritos nesta nota com os mais diversos players do setor.


Problemas não são exclusivos do Estado do Tocantins, no Paraná os produtores tiveram os mesmos problemas, inclusive o abortamento de vagens nas lavouras, fenômeno que causa soja sem grãos, foi detectado em algumas lavouras do estado sulista, e nestes casos os produtores tiveram 100% de perdas, gerando prejuízos enormes.

Como a situação não parece melhorar nos próximos dias, a recomendação da vice-presidente é que os produtores procurem as traders, revendas e bancos com quem têm contratos firmados para explicar a situação e buscar renegociações nas vendas já fechadas, uma vez que tudo o que dependia dos produtores foi realizado dentro do previsto.

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