Prova avaliará desempenho de animais da raça Gir

Prova avaliará desempenho de animais da raça Gir

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Foto: Divulgação

Prova Nacional de Eficiência Alimentar de Qualidade de Carne da raça Gir está sendo realizada em Botucatu (SP); um dos principais objetivos da prova é mensurar o CAR

No início do mês, os 20 animais participantes da primeira Prova Nacional de Eficiência Alimentar de Qualidade de Carne da raça Gir deram entrada na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP campus Botucatu, no confinamento de bovinos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ).

Os animais ficarão sob supervisão do Prof. Dr. Josineudson Augusto II Vasconcelos Silva e do Doutorando Matheus Henrique Vargas de Oliveira, e ficarão confinados por exatamente 77 dias, tempo de duração total da prova.

Nos primeiros 21 dias, os tourinhos entrarão na fase de adaptação, tanto alimentar quanto ao sistema Intergado – cochos eletrônicos capazes de identificar qual animal está comendo e a quantidade consumida; e 56 dias de prova propriamente dita.

Um dos principais objetivos da prova é mensurar o CAR – Consumo Alimentar Residual, calculado pela diferença entre o consumo real e a quantidade de alimento que um animal deveria comer, baseado no seu peso médio durante a prova, e na sua velocidade de ganho de peso. Além do CAR, outra competência avaliada será o GMD (Ganho Médio Diário). Ambas com mesmo peso para avaliação.

Segundo o Prof. Josineudson, selecionando indivíduos com melhor índice, é possível aumentar a produtividade por hectare, o que garante benefícios econômicos, produtivos e sustentáveis. “Quanto mais eficiente a seleção por CAR no rebanho, menor o custo da produção de carne, o que resulta em lucro para o produtor”, explica.

O Coordenador da Prova, o Médico Veterinário Antônio Braz Zanatta Jr, afirma que a prova não avaliará somente o desempenho do indivíduo no quesito ganho de peso. “Tem o intuito de identificar o animal com o melhor retorno econômico, fazendo uma análise sobre a conversão alimentar na raça, ainda utilizando uma das ferramentas mais precisas para tal avaliação, a ultrassonografia de carcaça, que indicará o animal com maior potencial em volume e qualidade”. Ao final da prova, haverá avaliação através da tecnologia de ultrassonografia de carcaça, que entre outros, MAR (marmoreio), EGS (espessura de gordura subcutânea) e AOL/100Kg (área de olho de lombo para cada 100Kg de peso vivo).

Juntas, cada uma das cinco competências citadas (GMD, CAR, MAR, EGS e AOL/100Kg) irão compor a nota final de avaliação.

MAR é o nome dado ao aspecto de carne bovina com gordura intramuscular, visualmente identificada por traços brancos entre as fibras musculares. Ao contrário do que se acredita, o marmoreio não confere maciez à carne, mas sim sabor e suculência, sendo utilizada pela indústria frigorífica como fator classificatório para precificação e premiação da qualidade de carne.

O EGS é fundamental no pós-abate, evitando o encurtamento das fibras musculares, o escurecimento e o enrijecimento da carne dos animais abatidos.

O AOL é a medida em centímetros quadrados, definida na região do contrafilé, afim de identificar o rendimento de determinada carcaça. Para que não haja interferência nos resultados por conta de idade e peso, ela é dividida pelo peso vivo de 100Kg, equalizando o parâmetro dentro de um rebanho ou durante uma prova.

Os três melhores animais terão o direito reservado de coleta de sêmen pela ASSOGIR, através do CARNEGIR, que serão distribuídos aos rebanhos cadastrados no Programa. O intuito é atingir de forma agressiva o melhoramento genético dos rebanhos de Gir focados na produção e qualidade de carne.

Para Jorge Sab, Coordenador administrativo da Prova, a pesquisa trará benefícios não só a toda cadeia produtiva da carne de qualidade, quanto aos criadores e selecionadores da raça. “Sempre tivemos a vocação para a produção de carne, e chegou a hora de provar cientificamente.”, diz. E complementa: “Identificar indivíduos melhoradores é o primeiro grande avanço de um programa que pretende garantir aos seus participantes uma chancela confiável para tal finalidade. O Gir e seus criadores finalmente terão opções confiáveis, com material genético disponível e valor acessível.”

A prova entregará ao Programa um completo relatório, com várias medidas e avaliações que poderão nortear os critérios de seleção e as competências a serem identificadas nos rebanhos, garantindo assim uma maior confiabilidade no uso da genética da raça Gir.

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