Prova de Avaliação da ILMA consolida genética Canchim de ponta e abre novas fronteiras para a raça

Evento realizado em Angatuba (SP) reuniu criadores, pesquisadores, centrais genéticas e uma comitiva internacional da Costa Rica em um dia de imersão técnica, avaliação genética e lançamento de projeto de embriões

A cidade de Angatuba recebeu no último dia 5 de maio um dos encontros mais relevantes da pecuária Canchim brasileira em 2026. Realizado na Fazenda Santo Antônio, do Grupo ILMA, o encerramento da Prova de Avaliação de Touros a Campo (PCAD ILMA) reuniu criadores, técnicos, pesquisadores, representantes de centrais genéticas e uma comitiva com mais de 20 pecuaristas da Costa Rica, país da América Central, interessados em conhecer de perto o avanço da genética Canchim no Brasil.

Mais do que a conclusão de uma prova de desempenho, o encontro se transformou em uma verdadeira vitrine do que há de mais avançado em seleção genética, produtividade, avaliação funcional e tecnologias aplicadas à pecuária tropical. O evento também marcou oficialmente a apresentação do Projeto Genética: Touros, Sêmen e Embriões, iniciativa que pretende ampliar a disseminação da genética Canchim no mercado nacional e internacional.

projeto genetica semen e embrioes da raca canchim - grupo ilma - apresentacao da equipe
Foto: Marcio Peruchi

Ao longo do dia, os participantes acompanharam palestras técnicas, avaliações práticas, apresentação de touros e doadoras, além de discussões sobre resistência ao carrapato, cruzamentos industriais e produção de embriões de alta performance. A programação terminou com uma confraternização entre criadores e convidados, acompanhada de um churrasco de carne Canchim, selando um ambiente de integração técnica e fortalecimento da raça.

Entre os parceiros envolvidos estiveram Embrapa, ANC, Associação Brasileira de Criadores de Canchim, PROMEBO, Alta Genetics, CRV Lagoa, Genex, Instituto de Zootecnia e Agrária Nutrição Animal.

“Estamos construindo touros melhoradores”, afirma Adriano Lopes

Responsável pelos trabalhos de seleção genética do Canchim ILMA, Adriano Lopes destacou que a prova realizada na fazenda é resultado de mais de uma década de investimento em avaliação genética, desempenho a campo e integração com instituições de pesquisa. Segundo ele, o trabalho começou há cerca de 14 anos e hoje já se consolidou como uma das principais vitrines da raça Canchim no país.

“Essa prova vem se consagrando nos últimos anos porque ela mostra resultado real de campo. Aqui nós trabalhamos pensando em touros melhoradores, animais que representem nossa genética nas principais centrais do Brasil”, afirmou Adriano.

O criador ressaltou ainda que a força do projeto está justamente na integração entre criadores, técnicos, pesquisadores e empresas de genética.

“Hoje tivemos aqui parceiros da Alta Genetics, CRV Lagoa, Genex, pesquisadores da Embrapa, técnicos do Instituto de Zootecnia e criadores de várias regiões do Brasil. É um trabalho transparente, onde todos vêm, acompanham, avaliam e participam do crescimento da raça”, destacou.

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Foto: Marcio Peruchi

Adriano também celebrou o avanço do projeto de embriões Canchim, apresentado oficialmente durante o encontro. Segundo ele, a tecnologia representa uma nova etapa na disseminação genética da raça.

“Quando o produtor investe em embriões, ele encurta em até 20 anos o processo de melhoramento do rebanho. No nosso caso, estamos falando de um trabalho de seleção construído ao longo de mais de 40 anos. Isso acelera o ganho genético de forma extraordinária”, explicou.

Para ele, a presença da comitiva da Costa Rica simboliza o início de uma nova fase para o Canchim brasileiro. “Nós demos aqui um pontapé inicial muito importante para a exportação de embriões. Acreditamos profundamente nesse mercado e temos convicção de que o Canchim pode contribuir muito para a pecuária da América Central e de outros países tropicais”, afirmou.

Prova revela evolução genética e maior padronização do rebanho

A avaliação técnica dos animais contou com participação da pesquisadora Cíntia Marcondes, da Embrapa, e do zootecnista Alexandre Zadra, dois dos principais especialistas ligados ao desenvolvimento da raça Canchim.

Durante a prova, os animais passaram por avaliações de desempenho, funcionalidade, ultrassonografia de carcaça, reatividade e tolerância ao carrapato bovino. O objetivo foi identificar animais superiores não apenas em ganho de peso, mas também em eficiência produtiva e adaptabilidade ao ambiente tropical.

Segundo Cíntia Marcondes, os resultados desta edição demonstraram o alto nível técnico alcançado pelos criatórios participantes. “Os animais apresentaram excelente desempenho, ótimo score de tolerância ao carrapato e biotipo extremamente alinhado ao que o mercado das centrais genéticas procura hoje”, destacou.

Ela afirmou que a participação de Alexandre Zadra foi importante justamente para identificar touros com potencial comercial e características funcionais desejadas pelo mercado. “Tivemos a grata satisfação de encontrar animais muito completos, conciliando desempenho, adaptação, carcaça e funcionalidade. Isso mostra a consistência do trabalho de seleção realizado pelos criadores”, afirmou.

A pesquisadora também ressaltou o avanço recente da raça em novos nichos de mercado, como o cruzamento industrial com vacas leiteiras.

“O selo Beef on Dairy, lançado recentemente dentro do PROMEBO, abre uma oportunidade muito importante para o Canchim no leite, especialmente em estados como Minas Gerais, onde os produtores já começaram a utilizar touros da raça nesses cruzamentos”, explicou.

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Foto: Marcio Peruchi

“O Canchim hoje está em um nível muito alto”, diz Valentim Suchek

Titular do Canchim CantaGalo, Valentim Suchek classificou o evento como um marco para a raça e destacou a evolução genética do Canchim ao longo das últimas décadas.

“Eu trabalho com Canchim há 33 anos e posso dizer que vi uma transformação impressionante da raça, tanto do ponto de vista fenotípico quanto genético. Hoje o Canchim está em um patamar muito elevado em termos de qualidade”, afirmou.

Valentim também comemorou a conquista do terceiro lugar na prova de touros, resultado que, segundo ele, comprova a eficiência da seleção realizada em seu plantel.

“Fiquei muito feliz com essa premiação porque ela mostra que estamos no caminho certo. Nosso Canchim é criado a campo, com rusticidade, mas sem abrir mão da qualidade genética”, destacou.

O criador acredita que o projeto de embriões poderá acelerar a expansão internacional da raça.

“Quem adquirir esses embriões vai começar um plantel praticamente do zero, mas carregando mais de 75 anos de melhoramento genético acumulado dentro da raça Canchim. Isso encurta décadas de seleção”, ressaltou.

Projeto de embriões nasce com foco em exportação

Um dos principais articuladores do projeto de embriões, Emílio Gouvêa explicou que a iniciativa surgiu justamente após o aumento da demanda internacional pela genética Canchim.

Segundo ele, produtores da Costa Rica já utilizavam sêmen de touros brasileiros e começaram a demonstrar interesse em avançar para a produção da raça pura por meio de embriões. “Na FEICORTE do ano passado já ficou muito claro esse interesse. Eles queriam entender como funcionava a produção de embriões e como poderiam iniciar um plantel Canchim lá na Costa Rica”, explicou.

Emílio destacou que o projeto reúne criadores tradicionais da raça em parceria com a Alta Genetics e a Trans Ova, empresa referência mundial em biotecnologia reprodutiva.

“Nós queremos produzir embriões de altíssima qualidade, com rastreabilidade, genética superior e padrão internacional. A ideia é atender tanto o mercado externo quanto o mercado interno”, afirmou.

O criador disse ainda que ficou impressionado com o nível de conhecimento técnico dos visitantes estrangeiros. “O que mais me surpreendeu foi perceber que eles já conheciam profundamente nossas linhagens. Quando fui apresentar os touros, eles já sabiam quem eram os pais e as mães dos animais. Isso mostra o quanto o Canchim brasileiro já desperta interesse fora do país”, relatou.

Tolerância ao carrapato ganha protagonismo na seleção

Outro destaque técnico do encontro foi a palestra do pesquisador Rodrigo Giglioti, que apresentou os resultados dos estudos sobre tolerância ao carrapato bovino conduzidos em parceria com o Grupo ILMA.

Segundo ele, o foco da pesquisa deixou de ser apenas resistência ao parasita e passou a avaliar animais capazes de manter desempenho mesmo sob infestação. “O animal tolerante é aquele que continua produzindo, ganhando peso e performando bem mesmo com presença do carrapato. Isso é extremamente importante economicamente para a pecuária”, explicou.

Rodrigo também alertou sobre o avanço da resistência dos carrapatos aos produtos químicos utilizados atualmente. “O produtor vem gastando cada vez mais com medicamentos, enquanto o carrapato desenvolve resistência aos principais grupos químicos disponíveis. Por isso, selecionar animais tolerantes é um caminho estratégico para o futuro da pecuária”, afirmou.

“O Canchim impressionou pela versatilidade”, afirma Alta Genetics

Representando a Alta Genetics, Vinícius Moressi afirmou que o evento mostrou o enorme potencial da raça Canchim para expansão internacional.

Segundo ele, os produtores costarriquenhos ficaram impressionados com a adaptabilidade, funcionalidade e desempenho dos animais apresentados. “Muitos deles já utilizavam touros Canchim, mas ficaram abismados quando viram de perto a evolução da raça, o ganho de peso, a musculatura, a habilidade materna e a adaptabilidade desses animais”, relatou.

Moressi destacou ainda que o projeto contará com suporte tecnológico da Trans Ova, gigante norte-americana do setor de embriões bovinos, responsável por revolucionar os índices de eficiência da tecnologia embrionária nos últimos anos.

Segundo ele, um dos grandes gargalos históricos da produção de embriões bovinos sempre foram as baixas taxas de concepção registradas no passado, cenário que mudou drasticamente com os avanços laboratoriais e das biotecnologias reprodutivas. “Há 10 ou 15 anos, muitos produtores tinham insegurança com embriões justamente pela inconsistência dos resultados. Hoje a realidade é completamente diferente. Com o avanço dos meios de cultivo, da tecnologia laboratorial e dos protocolos reprodutivos, nós trabalhamos com médias de concepção entre 50% e 60%, números extremamente competitivos dentro da pecuária moderna”, explicou.

Ele ressaltou ainda que, em muitos casos, os índices atuais já se aproximam dos resultados obtidos em programas de IATF, aumentando a confiança dos pecuaristas na utilização da tecnologia.

“Isso dá segurança ao produtor que deseja acelerar o melhoramento genético do rebanho sem abrir mão da eficiência reprodutiva. Hoje o embrião deixou de ser uma ferramenta de nicho e passou a ser uma tecnologia viável e acessível para quem quer evoluir geneticamente mais rápido”, afirmou.

Segundo Moressi, a expectativa é que o projeto se torne uma referência internacional na exportação de genética Canchim.

“É um marco para a raça Canchim”, afirma Kika Ribeiro

Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Canchim, Kika Ribeiro avaliou que o encontro realizado em Angatuba representa um momento histórico para o avanço da raça.

“A visita da delegação da Costa Rica foi extremamente importante para fomentar a exportação de genética Canchim. Isso abre portas para novos mercados e também incentiva outros criadores a investirem ainda mais em programas de melhoramento”, afirmou.

Segundo ela, os animais apresentados na final da prova demonstraram claramente a evolução genética alcançada pela raça nos últimos anos.

“Os touros apresentados aqui certamente irão contribuir muito para o avanço genético do Canchim no Brasil e também fora dele”, concluiu.

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