Prova de Ganho de Peso não é avaliação genética

Prova de Ganho de Peso não é avaliação genética

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Foto: Murillo Machado Cruz Zootecnista / @murillomachadocruz

Difundida antes mesmo da introdução da dep no Brasil, a prova de ganho em peso (PGP) faz parte das raízes da pecuária brasileira.

É um diferencial importante a um sem-número de raças bovinas, ajudando a realçar diferenciais ainda desconhecidos. O criador adora porque é que nem ir ao Poupa Tempo. Evita uma fila de dez anos e economiza R$ 50 mil necessários para provar um touro.

“As provas de ganho em peso são importantes porque identificam e ranqueiam os melhores indivíduos ganhadores de peso em um determinado grupo de animais, já que todos são submetidos às mesmas condições de alimentação e manejo”, explica Fábio Miziara, zootecnista e jurado efetivo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

Segundo o zootecnista, para ser validada, uma PGP precisa respeitar critérios básicos. Os participantes têm de ter a mesma faixa etária no período de entrada, entre sete e dez meses, e ser submetidos ao mesmo tipo de manejo e dieta. Além de considerar ganho em peso e atributos raciais, esse tipo de prova compreende avaliações do aparelho reprodutivo, eficiência alimentar e, mais recentemente, qualidade de carcaça, graças ao uso de ultrassom.

Apesar de não oferecer acurácia equivalente à de um programa de avaliação genética, a PGP é tida como uma forma simples e barata de conferir algum melhoramento genético ao plantel. “O ideal é a utilização dos melhores animais de acordo com a classificação final do índice da prova, lembrando que os inferiores devem ser sumariamente descartados”, adverte Fábio Miziara.

Criador de gado Brahman na região serrana do Rio de Janeiro, polo pecuário do estado, Marcos Henrique Pereira Alves é um grande adepto dos testes de performance há muitos anos. Ao brahmista a ferramenta é perfeita para identificar o melhor animal da safra, em termos de adaptação, conversão alimentar e fenótipo. “Antigamente só se fazia assim, correto? O touro é que tem de representar os números e não o contrário”, defende.

Quando Marcos Henrique diz números faz clara alusão às deps geradas pelos programas de avaliação genética. Em outras palavras, é uma colocação para ressaltar que a PGP mostra aquilo que o touro é na realidade, independente da herança do sumário. Tanto aprova que já caminha para a 8ª edição na Brahman Transmontana, sua propriedade. “Dos nove melhores classificados do ano passado, sete eram filhos de campeões em outras PGPs. E tudo indica que o campeão e vice deste ano também serão filhos de outro touro vencedor em vaca filha de pai provado”, comemora o criador.

A alta herdabilidade das características analisadas no exemplo acima é indiscutível, mas, desprezar totalmente a avaliação genética no momento de adquirir um produto de alto valor agregado como é o caso de um reprodutor pode caracterizar desperdício de informação. Isso porque a PGP, especialmente quando de uma única propriedade, compreende apenas um pequeno grupo de indivíduos contemporâneos enquanto a base genética de um sumário de touros reúne dados de centenas ou até milhões de animais.

PGP X AVALIAÇÃO GENÉTICA

PGP não substitui deps, isso é fato, porém, são complementares. A primeira abastece a segunda com informações consistentes: peso, conformação, circunferência escrotal e avaliação de carcaça. “Por comodidade, a avaliação genética tem tido peso maior na escolha de touros. Cabe ressaltar que a avaliação em animais jovens, dá-se através de genealogia. Portanto, combinar as duas é o melhor caminho para identificação de bons reprodutores”, aconselha o zootecnista e jurado da ABCZ.

Uma prova cabal dessa simbiose pode ser vista no programa de melhoramento genético dos touros Canchim, um trabalho interessante que conheci junto com os criadores Adriano Lopes e Valentin Suchek. É dividido em três etapas. A primeira é a PCAD (Prova Canchim de Avaliação de Desempenho), uma PGP onde se avalia fenótipo (racial, mucosa, pelagem, umbigo e aprumos), desempenho (ganho médio diário e peso final), fertilidade (perímetro escrotal), conformação frigorífica e avaliação de carcaça (AOL, EGS, Marmoreio e rendimento de carcaça).

A cada ano dois ou três touros classificados na PCAD são pinçados para participação no teste de progênie da raça, cuja avaliação genética é rodada pela Embrapa no Geneplus. Essa, a segunda fase. O último estágio é o teste de progênie em si. No sintético, ganhou o nome de Programa de Avaliação de Touros Jovens da Raça Canchim (ATJ Canchim). O sêmen dos reprodutores aprovados é, então, distribuído entre os rebanhos parceiros, elevando o número de filhos avaliados pelo Geneplus.

Gostaria de aproveitar a deixa e fazer um alerta: touros campeões em provas de ganho em peso não são “provados”. Já ouvi muito disso por aí. Eles são “Campeões”, “Elite” ou “Superior”, quando bem classificados. O animal mediano é “Regular” e os ruins os “Inferiores” (os 25% piores, segundo Miziara). “Provado” é o termo utilizado para designar touros que passam por avaliação genética.

Outro alerta importante é em relação ao perfil das PGPs, pois existem aquelas feitas em ambiente de confinamento, a exemplo do CRV CP Lagoa, e exclusivamente a pasto, com, no máximo, um emprego de sal mineral, caso do extinto Grupo Nelore Provados a Pasto, hoje perpetuado pela Fazenda Sucuri. É prudente alinhar o perfil genético ao ambiente onde o touro será desafiado.

Fonte: PecNética (por Adilson Rodrigues, 14/07/17)

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